A Mari viu: “1964: Entre armas e livros”




Antes mesmo que alguém pudesse ver a película, os jornais já lançavam manchetes afirmando que o Brasil Paralelo estava produzindo um filme “pró-ditadura”. Na data do lançamento, a rede Cinemark, que exibiu filmes como “Evita”, “Lula: o filho do Brasil” e “O Jovem Marx”, recusou-se a passar o filme no Rio de Janeiro (com todos os ingressos já vendidos e as pessoas lá esperando para ver na fila) alegando ser uma rede que não exibe filmes de conteúdo político. A direita brasileira gritava “boicote”, “censura”, “mentiras”... A esquerda brasileira mantinha o coro de “fascistas”, “é pró-ditadura”... Tudo isso antes da primeira exibição da obra em si!

Foi nesse clima de “guerra” cultural e ideológica que o Brasil Paralelo acabou por resolver lançar o filme/documentário gratuitamente no YouTube... E o longa de mais de 2h atingiu impressionantes 4 milhões de visualizações em 48h, batendo o recorde de visualizações no menor espaço de tempo já registrado pela plataforma.

É claro que eu precisava assistir esse documentário e criar minha própria opinião a respeito. Então lá fui eu, com um pote de pipoca e um copão de água com gás sentar em frente à TV e entrar no YouTube para ver “1964: Entre armas e livros”.

Logo no início há o cuidado por parte dos produtores de fazer um histórico prévio dos acontecimentos do Brasil e do Mundo por quase 2 décadas antes de entrar na parte de 1964, para que o telespectador possa compreender o real clima vivido no período; os medos e anseios da população. Isso dura uns 40 minutos e então surge o Brasil e o golpe parlamentar que tirou o presidente e abriu as portas para a entrada dos militares no poder.

Gostei de, mesmo o documentário tendo dado uma inclinada para a direita nos minutos finais, 90% ter sido mostrando artigos de jornal da época e relatos de pesquisadores Brasileiros e estrangeiros com base em documentos de arquivos nacionais e internacionais. Ou seja, bem equilibrado. Não passaram a mão na Cabeça do governo militar e criticaram tanto o governo quanto os terroristas que se autodesignavam revolucionários; apresentando erros e excessos dos dois lados. Muito instrutivo!

Questionamento: “Mariana, o que eu quero saber é: é ou não é “pró-ditadura”?” 

Resposta: Para mim, não faz o menor sentido um filme que aponta tantos erros no período militar e ainda chama de golpe ser considerado “pró-ditadura”, logo, a resposta é não... Mas não acreditem em mim, nem nos jornais, nem no que a direita ou a esquerda dizem. Façam como fiz: não deixem que escolham por vocês o que vocês devem achar ou não, vejam o filme e tirem suas próprias conclusões.


Link para ver o filme: https://youtu.be/yTenWQHRPIg

Nascida em 1983, carioca, casa. Bacharel em Fonoaudiologia, licenciada em Letras-Inglês e pós graduada em Psicopedagogia. É revisora literária e autora da obra A Beleza de um Cacto.

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