Leituras da Mari: Megarromântico



TÍTULO NO BRASIL: Megarromântico
TÍTULO ORIGINAL: Isn't it Romantic
DATA DE LANÇAMENTO: 13 de fevereiro de 2019

O nome desta coluna é "Leituras da Mari", contudo, Megarromântico é, na verdade, um filme disponível na Netflix, lançado no ano de 2019, com duração de 1h28.

Com uma sinopse bem curtinha ("Após bater a cabeça, uma arquiteta com horror a sentimentalidades vê sua vida se transformar em uma comédia romântica cafona e cheia de clichês.") e um trailler pra lá de açucarado, não há como o telespectador ficar confuso sobre o que irá receber nesse longa. Ainda assim, eu me surpreendi.

Verdade, é um filme açucarado com final mais do que previsível. Contudo, apresenta diversos ensinamentos escondidos da forma mais discreta possível, mas que chama a atenção de quem está bem atento (principalmente quando a pessoa está assistindo com a intenção de resenhar.rs.) e é justamente sobre esses pontos que irei falar aqui na resenha.

Já no início do filme percebemos em uma única cena a importância da família no desenvolvimento da personalidade do indivíduo, quando vemos os sonhos românticos de Natalie sendo apagados de seus olhos em nossa frente graças a uma mãe desiludida com o mundo e sem o mínimo tato com crianças. Natalie cresce desiludida com o mundo, acreditando que tem menos valor por não cumprir o estereótipo de beleza de modelos e artistas televisiva. Torna-se, com isso, uma arquiteta subvalorizada em seu ambiente de trabalho, que dá zero importância para a forma como se apresenta em termos de vestimenta e tem um orgulho não muito saudável de ser contra comédias românticas e contra o amor. 

Depois de fazer um discurso penoso sobre o quanto o amor e comédias românticas são balela para a melhor amiga, Natalie sofre um acidente e ao acordar no hospital se vê presa em uma comédia romântica, onde um homem rico e lindo está apaixonado por ela, a cidade está magicamente linda e limpa, e o apartamento dela não apenas triplicou de tamanho como agora tem móveis de qualidade. Basicamente o sonho de qualquer pré-adolescente e muitas mulheres crescidas, mas o pesadelo da protagonista.

Vemos repetidamente ela ressaltar o quanto não merece a atenção do suposto mocinho e como a irrita ele estar apaixonado por ela mesmo ela "sendo como é", o que evidencia a baixa autoestima da personagem, antes disfarçada pelos comentários ácidos e um falso discurso de "as pessoas deveriam me admirar pelo que sou e não pelo que querem que eu seja".

O filme vai passando com aquele açúcar que dá cárie até na alma de tão doce, mas que é fofo para assistir de madrugada, principalmente depois de um filme de terror (equilibra o emocional.rs.) e vemos como a personalidade vai se desenvolvendo emocionalmente, transformando o discurso que antes era apenas da boca para a fora em algo real no coração dela.

Não é o tipo de filme que escolho ver normalmente, mas gostei de verdade de acompanhar a evolução da personagem, aprendendo a se valorizar de verdade e jogando para escanteio toda aquela coisa de menos valia incutida nela pela mãe. 


Nascida em 1983, carioca, casa. Bacharel em Fonoaudiologia, licenciada em Letras-Inglês e pós graduada em Psicopedagogia. É revisora literária e autora da obra A Beleza de um Cacto.

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