Devaneios da Bel: Uma Espiã na Casa do Amor – Anaïs Nin



Título: Uma Espiã na Casa do Amor
Título original: A Spy in the House of Love
Autor(a): Anaïs Nin
Tradução:
Editora: L± Edição: Edição de bolso
Páginas: 160
Ano: 2006

Sinopse Amazon: Em 'Uma espiã na casa do amor', de Anaïs Nin, a protagonista é uma femme fatale de trinta anos, casada com o compreensivo Alan - seu porto-seguro - e que tem uma vida dupla. Para o marido, ela é uma atriz dedicada, que viaja muito com a companhia teatral. Já a outra Sabina é uma mulher sedutora, que vai colecionando histórias dos seus furtivos e variados romances. Alan, Mambo, Philip, John, Donald e Jay são alguns dos homens que passam pela sua vida, mas o tempo que permanece com cada um deles é o suficiente para não quebrar o encanto que os cerca. O medo de ser desmascarada por Alan é constante. A dupla identidade persegue Sabina o tempo inteiro, inclusive quando vai ao cinema. Assistindo a um filme policial, faz uma auto-análise - 'sou uma espiã internacional na casa do amor', confissão que sugere o título do romance.


Anaïs – leia-se Anaissi – é uma das escritoras sensuais mais prolixas da história erótica, tendo feito mais sucesso com seus livros autobiográficos, onde dava livre vazão para sua sensualidade e sexualidade.
Para quem espera, ao ler Uma Espiã na Casa do Amor, chicotes, algemas, Doms e subs, esqueça. A experiência de ler Anaïs é mais sensual, mais sensorial. A forma como ela descreve o sexo e as experiências de sua personagem principal é incendiária.
Uma Espiã não é meu primeiro contato com Anaïs, mas talvez tenha sido o mais profundo, por não ser um dos seus diários, por não ser a personificação do que ela viveu, ou queria viver. Aqui conhecemos Sabina, uma mulher em busca de si – pessoal e psicologicamente. Com ela partimos em uma jornada por dentro de sua mente, ora sufocada pelo casamento com Alan, ora salva e segura por esse mesmo casamento. É uma leitura complexa, que exige carinho e atenção do leitor, que precisa se dedicar ao que está lendo, caso contrário não vai conseguir alcançar toda a beleza da obra, que questiona não apenas o papel da mulher no casamento e na sociedade, mas como ela mesma, o que a agrada, o que a satisfaz e como ela, sendo satisfeita, pode se doar aos outros. 

Acredito que, ao julgar nossas ações, somos mais severos que os juízes profissionais. Nós julgamos não apenas nossas ações, mas nossos pensamentos, nossas intenções, nossas maldições secretas, nosso ódio oculto.


Para os mais conservadores, um aviso, levando ao pé da letra os conceitos de traição, Sabina não é fiel aos sagrados votos de casamento, ou seja, ela trai o marido; mas se realmente entrarmos na cabeça da personagem começamos a entender porque para Sabina ela não trai o marido, ela deixa em casa seu nome, sua identidade, quem ela é e quando vai para a “casa do amor” ela se traveste como uma personagem, que é livre, independente e solteira. Essa personagem não trai ninguém, nem a ela mesma.
O livro teve sua primeira publicação em 1954, mas os questionamentos de Anaïs ainda são atuais, infelizemente. O papel da mulher não mudou ou evoluiu, muito pelo contrário, ele involuiu. Hoje somos mais massacradas, hoje estamos mais Sabina, com menos liberdades, apesar de termos mais direitos.
O mais “estranho” é que essa é uma grande história de amor. O amor de Sabina por Alan, seu marido. O amor de Alan que, mesmo não entendendo os anseios de sua esposa, a ama e admira. Principalmente, é uma história de amor de Sabina pela própria Sabina.
É um livro sobre amor e sobre culpa, sobre ser mulher e se perceber mulher. Sobre o lugar feminino no mundo e como a sociedade aceita essa mulher.

O inimigo de um amor nunca está do lado de fora, não é um homem ou uma mulher, é o que nos falta em nós mesmos.




Ah! Uma última coisa. As descrições das relações românticas não são como as atuais, elas deslizam em nossa pele e causam um arrepio suave, mas persistente. É uma leitura mais sobre sexualidade do que sobre sexo.
Nota? Deveria dar cinco, mas ainda sou puritana demais, fico no quatro.

PS: Não tenho esse livro, peguei emprestado com uma amiga nas férias de janeiro.
PS2: Não gosto da sinopse “oficial” da Amazon.

Nascida em 1972, em Volta Redonda - RJ, jornalista, escritora, curiosa, observadora e que ama conversar com as pessoas e ouvir suas histórias. Escrever é mais quem um hobby para ela, é um vício. Um bastante saudável até. E para mantê-lo é preciso ler, ler muito e depois ler mais um pouco. Além de assistir muitos filmes e de conversar com muitas pessoas - na fila do banco, do mercado, na pr

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