Devaneios da Bel: Personagens Femininas no Dia Internacional da Mulher

Há várias histórias cercando a comemoração do Dia Internacional da Mulher. Uma delas é a do incêndio que matou, carbonizadas, cerca de 130 mulheres em uma fábrica de têxtil, em Nova Iorque, no ano de 1911. Tragédia que é um marco na história da luta feminista.
De acordo com o livro As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres, de Ana Isabel Álvarez Gonzalez – e que foi usado em um artigo no Nova Escola – as origens da data são anteriores. Mais precisamente desde o final do século 19, algumas organizações femininas, oriundas de movimentos operários, protestavam contra as jornadas, escravas de trabalho, que chegavam até a 15 horas diárias. Além dos salários ridículos.
No ano de 1908, nos Estados Unidos, foi celebrado, em maio, o primeiro Dia Nacional das Mulheres. Em 1909 o Partido Socialista dos EUA oficializou a data de 28 de fevereiro, em um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas. Foi apenas em 1977 o "8 de março" foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.
Essa explicação toda sobre o Dia Internacional da Mulher é apenas uma introdução para citar cinco personagens femininas fortes da literatura.
A lista é minha, são apenas cinco – de um universo maior – personagens que eu considero exemplos de força, luta, revolução.
Faça a sua lista.

1 – Morgana (Brumas de Avalon)

Fio condutor dos quatro livros da série As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, Morgana é a menina feia e rejeitada que precisa se reinventar e se aceitar para ter um lugar no mundo – no caso, no reino de seu meio-irmão Arthur.
Complexa e cheia de nuances, Morgana luta contra a opressão de uma religião emergente – o catolicismo, representado por Guenevere – e pelo machismo, que tenta relegar a cultura e a força matriarcal pela espada.
A personagem é uma resistente, que leva adiante, apesar de todos os problemas e percalços, sua religião ancestral e da força da mulher. Ela ainda nos ensina que existe o momento de lutar e o momento de recolher e aguardar.

2 – Darkover

Aqui não dá para escolher uma única personagem feminina. São vários livros, com várias mulheres fortes. É em “As Renunciantes”, entretanto, que Marion Zimmer nos apresenta as histórias da Guilda das Renunciantes, ou Amazonas Livres. Elas aparecem em outros livros, e nessa antologia foram reunidas as histórias das mulheres que optaram por renunciar, sair, deixar de lado, os papéis tradicionais das mulheres dos clãs de Darkover (Casamento, obrigações para com os clãs, expectativa de proteção). As Renunciantes são o retrato da luta feminina por reconhecimento e igualdade.

3 – Tereza (A Insustentável Leveza do Ser)

Aqui tenho a personagem mais difícil de listar, porque tenho problemas com esse livro. Milan Kundera não escreveu uma história fácil e palatável. A Insustentável Leveza do Ser é um livro complexo que exige muita atenção para sua compreensão – aliás, só comecei a gostar do livro depois que uma grande amiga o destrinchou para mim, capítulo por capítulo. Em uma leitura rasa, Tereza é irritante, chata, pegajosa, mas quando nos aprofundamos e tentamos entender o que passa em sua cabeça, notamos uma pessoa passional, que vive intensamente, carregando suas dores e traumas. Ela é contraditória, difusa e ao mesmo tempo colorida demais. Tereza poderia ser classificada como bipolar, por um preguiçoso. A maior virtude da personagem é ser humana e nos mostrar nossas dores, nossos medos.

4 – Capitu (Dom Casmurro)

Machado de Assis criou algumas personagens femininas icônicas, mas considero que Maria Capitolina Santigo, conhecida como Capitu, seja sua mais forte personagem feminina. Ela é a força que conduz a história. Se não fosse por seus olhos oblíquos e o ciúme doentio de Bentinho, não existiria Casmurro. Machado atribuiu à personagem características nada convencionais para a época, entre elas a sensualidade feminina.

5 - Scheherazade (As Mil e Uma Noites)

Além de nos apresentar a cultura e as lendas árabes, Scheherazade tem a importância de apresentar duas características femininas básicas: a inteligência e o poder de persuasão. A mulher do Sultão Shariar, conhecido por ter ficado furioso ao descobrir a traição de uma esposa e por isso matar todas as mulheres que se casam com ele, seduz o marido e evita a morte de 1001 mulheres apenas contando histórias. Ela passa a contar as mais lindas histórias para o marido, noite após noite e assim prende sua atenção fazendo com que sua fúria se dissipe. Só uma mulher forte estaria disposta a arriscar a própria vida para salvar milhares de vidas de desconhecidos.


E aí, na sua opinião, quais são as mulheres fortes da literatura?

Nascida em 1972, em Volta Redonda - RJ, jornalista, escritora, curiosa, observadora e que ama conversar com as pessoas e ouvir suas histórias. Escrever é mais quem um hobby para ela, é um vício. Um bastante saudável até. E para mantê-lo é preciso ler, ler muito e depois ler mais um pouco. Além de assistir muitos filmes e de conversar com muitas pessoas - na fila do banco, do mercado, na pr

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