Devaneios da Bel: You



Título: Você
Título original: You
Autor(a):Caroline Kepnes
Tradução: Alexandre Martins
Editora: Rocco
Páginas: 384
Ano: 2018

Sinopse: Bestseller do The New York Times, o romance de estreia de Caroline Kepnes ganhou elogios de escritores do calibre de Stephen King e Sophie Hannah, além de resenhas estreladas, e deu origem a uma série de TV homônima que estreia neste primeiro semestre nos EUA. Não é para menos. Hipnótico, assustador, brilhante são alguns dos adjetivos usados para descrever este thriller sobre um amor obsessivo e suas perigosas consequências. A trama tem início quando Guinevere Beck, que deseja ser escritora, entra na livraria do East Village onde Joe Goldberg trabalha. Bonita, inteligente e sexy, Beck ainda não sabe, mas é a mulher perfeita para Joe, que, a partir do nome impresso no cartão de crédito de sua cliente, passa a vasculhar sua vida na internet e a orquestrar uma série de eventos para garantir que ela caia em seus braços, fazendo com que tudo pareça obra do acaso. À medida que o romance entre os dois engrena, porém, o leitor descobre que Beck também guarda certos segredos e os desdobramentos desse relacionamento mutuamente obsessivo podem ser mortais.



Não vou analisar o seriado, porque mesmo tendo assistido toda a primeira temporada, ele é tão longe do que foi o livro que ainda não entendi por qual razão deram o mesmo nome. Ou mesmo disseram ter sido baseado no livro.
Não li Você, livro lançado pela Rocco no mês de fevereiro desse ano. Li You, em inglês, depois de encontrar uma referência sobre ele no Goodreads e de uma indicação da Amazon, isso foi em 2015. Depois que lançaram o seriado e ele bombou nas redes eu me recusei a ver, mas voltei ao livro. Finalmente me rendi, assisti o seriado, primeira temporada, inteira em uma noite – ter insônia ajuda nessas horas.
Primeiro ponto: You não é romance. Esqueça isso. Ele é um suspense. Não tem toques de romance, não tem amor, não tem nada fofo. É thriller psicológico, teoricamente, atemporal. Digo teoricamente porque ele só pode ser aplicado depois dos avanços da tecnologia, mas já existiam perseguidores antes disso.
Caroline Kepnes construiu um livro, do gênero romance (obra literária que apresenta narrativa em prosa, normalmente longa, com fatos criados ou relacionados a personagens, que vivem diferentes conflitos ou situações dramáticas, numa sequência de tempo relativamente ampla – do site Significados) centrado no ponto de vista de um personagem específico. Ela escolheu entrar na cabeça de um stalker, um perseguidor, que se acha apaixonado por uma mulher que foi simpática com ele.
A grande sacada da autora foi construir um personagem que mesmo sendo insano e perturbador faz com que ele pareça encantador. Em vários momentos de sua insanidade ele parece quase fofo – ok, quando ele começa a rastrear e apagar os e-mails de sua “amada”, quando a persegue de maneira insana, quando invade suas redes sociais, quando a afasta de seus amigos, quando... entenderam – ele não é nada legal e dá medo sim.
É uma fábula sobre o quanto estamos vulneráveis graças as redes sociais e a mania de expor absolutamente tudo o que fazemos. Se a “vítima” de Joe fosse menos exposta ele não teria tanto acesso a sua vida. Fato.
Os diálogos internos do personagem são assustadores por sua franqueza, por sua “realidade”, ninguém está dentro de nossa cabeça e não sabem o que realmente pensamos. Quantos Joe’s temos andando por aí? Será que a pessoa do seu lado não é um perseguidor e assassino?
Caroline trabalhou Joe de uma maneira crível, interessante e tridimensional, é um personagem com profundidade suficiente para “encantar”, cativar. Não queremos um em nossas vidas, mas ele é crível. Já Guinevere, a vítima, não é assim tão bem desenvolvida. Não que ela seja previsível, mas ela é inverossímil, tem atitudes que não condizem com a realidade criada pela autora.
Apesar de toda a construção inteligente do vilão – sim, não se enganem, Joe é o vilão do livro – o livro deixa a desejar em termos de reviravoltas. Temos alguém mentalmente instável narrando um livro, com situações limites criadas por ele e o leitor passa o livro inteiro esperando o momento em que Guinevere vai perceber o quanto está ferrada e se salvar... Joe continua narrando e nada muda. Então o truque não se segura. Não estou dizendo que o livro seja ruim, muito pelo contrário, ele é interessante sim, ele apenas deixa a desejar em termos de suspense. Ele se torna previsível. Principalmente quando os mocinhos e vilões não são mais distinguíveis.
Nota? Pela criação de Joe eu daria 4, mas pelo enredo como um todo, fico no 3.
Meu conselho? Apague suas redes sociais, jogue seus smartphones fora e não fale com ninguém. Talvez você se livre de um perseguidor insano.
PS: O seriado pegou muito mais leve com Joe, transformando ainda mais o vilão do livro em um mocinho com problemas.

Nascida em 1972, em Volta Redonda - RJ, jornalista, escritora, curiosa, observadora e que ama conversar com as pessoas e ouvir suas histórias. Escrever é mais quem um hobby para ela, é um vício. Um bastante saudável até. E para mantê-lo é preciso ler, ler muito e depois ler mais um pouco. Além de assistir muitos filmes e de conversar com muitas pessoas - na fila do banco, do mercado, na pr

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