Devaneios da Bel

Vivos e Milagre nos Andes


Título: Vivos – filme – Milagre nos Andes – 72 dias na Montanha e Minha Longa Volta para Casa – livro.
Título original: Alive – filme e Miracle in the Andes: 72 Days on the Mountain and My Long Trek Home – livro.
Autor(a): Alive
                Frank Marshall – Direção
            John Patrick Shanley – Roteiro (baseado em Alive: The Story of the Andes Survivors, de Piers Paul Read)

Milagre nos Andes – 72 dias na Montanha e Minha Longa Volta para Casa – livro
            Nando Parrado e Vince Rause
Tradução: Fabiano Morais
Editora: Objetiva
Páginas: 205
Ano: 2006

Sinopses:
VivosUm time uruguaio de rugbi decide realizar uma viagem para sobrevoar os Andes. Em meio à viagem um acidente faz com que o avião caia em plena neve, deixando apenas de 20 a 25 sobreviventes. São enviados ao local vários aviões de reconhecimento, mas devido ao péssimo tempo o serviço é atrasado e posteriormente faz com que se desista de procurar sobreviventes. Após semanas sem comida, os sobreviventes passam a viver um dilema: ou se alimentam de carne humana dos que já faleceram ou também irão morrer.


Milagre nos AndesA história completa do famoso desastre aéreo ocorrido nos Andes em 1972 contada pelo sobrevivente que salvou a vida dos outros 15 passageiros Outubro de 1972. O avião Fairchild F-227 da Forças Aéreas Uruguaia, que levava um time uruguaio de rugby acompanhado de familiares e amigos para um amistoso no Chile, cai em algum lugar nas profundezas dos Andes. Dos 45 cinco passageiros a bordo, 29 sobreviveram à queda e apenas 16 são resgatados com vida naquele que ficou conhecido com um dos mais célebres desastres aéreos da História. Em "Milagre nos Andes", o uruguaio Nando Parrado – principal responsável pelo resgate de seus amigos nas montanhas após 72 dias de agonia – é o primeiro dos sobreviventes a contar, com extraordinária franqueza e sensibilidade, a sua própria versão do acidente. O resultado supera o simples relato de uma aventura real: é um olhar revelador sobre a vida à beira da morte. Escrito em parceria com o escritor americano Vince Rause, Milagre nos Andes é o exemplo perfeito de quando a realidade supera, e muito, o mais criativo dos enredos ficcionais.


Isso aí, vamos de resenha dupla. Sem comparação entre uma obra e outra porque são diferentes, mesmo sendo iguais – ou tratando do mesmo tema.
Meu primeiro contato com a história de Nando Parrado, Antonio, Carlitos, Roberto, Liliana e os demais passageiros do voo fretado em um avião da Força Aérea Uruguaia foi em uma chamada de revista, provavelmente a Veja, guardada há anos em minha casa. Não prestei atenção, nada me chamou a atenção, até que em 1982 – dez anos depois do acidente mais emblemático da América do Sul, uma matéria com alguns sobreviventes, ainda muito censurada, cheia de coisas não ditas, não faladas, prendeu minha atenção.


Contudo, foi apenas em 1994 que eu entendi o que foi o acidente, o que os sobreviventes passaram e como aquilo modificou a vida de algumas centenas de pessoas. O filme Alive foi lançado nos Estados Unidos em janeiro de 1993, não foi sucesso de crítica, não foi sucesso de público e eu só fui assistir porque tinha o Ethan Hawke (ainda na esteira do sucesso de Sociedade dos Poetas Mortos). O filme passou em uma madrugada, escondido na programação da Globo, e o impacto das cenas, das decisões, do sofrimento dos sobreviventes mexeu comigo de uma maneira previsível. O filme colocou na tela grande – no meu caso em uma tevê pequena – um tabu do mundo moderno: canibalismo. E por que estou pegando logo isso para falar sobre o filme? Porque em qualquer matéria, entrevista, livro, narrativa que envolva os que conseguiram sair do desastre isso é algo que permeia as perguntas.
Nando Parrado é o narrador do filme, mas não o principal personagem do livro que deu origem a ele. Tudo o que vemos na tela são as memórias de alguns dos que não morreram na queda, ou em decorrência dela e as decisões (fortes e impactantes) que tiveram que tomar para continuarem vivos. Eles tinham água – em termos, afinal era neve, não água limpa e potável –, mas eles não tinham comida. Como sobreviver? Como permanecer vivos para que o resgate os encontrasse? A decisão mais difícil teve que ser tomada: comer partes de amigos, familiares e desconhecidos.
Pelo que me lembro de entrevistas que vi nos últimos 30 anos, alguns dos sobreviventes afirmam que desenvolveram distúrbios alimentares ao finalmente serem resgatados.
Fim do assunto canibalismo – que para mim é apenas sobrevivência – vamos ao filme.
Produção norte-americana que usou os melhores recursos disponíveis na época, com um grande elenco – mesmo que hoje apenas Ethan Hawke seja facilmente lembrado. O filme mostrou em imagens impactantes o acidente, o avião, o medo, o frio, a fome e a luta, tanto pela sobrevivência em condições subhumanas, quanto a dos dois jovens jogadores de rugby que resolveram sair do local do acidente e buscar a ajuda que nunca chegava. Não é um “disater movie”, é um drama real e cada cena de pânico, medo, dor, frustração dá um aperto no coração, porque as pessoas que contaram a história – que fizeram História – ainda estão vivas, contando o que passaram e se lembrando todos os dias o que foi o inferno dos Andes. Apesar de ser baseado em fatos reais e ser longo, são mais de duas horas, ele não é cansativo. É desesperador, porque passamos o tempo todo torcendo para que todos as 45 pessoas a bordo saiam de lá com vida, mesmo sabendo que isso não aconteceu – e não, isso não foi um spoiler.
Já o livro de Nando, lançado em 2006... Esse é um chute no estômago. Não, ele não conta detalhes escabrosos, não discute a fundo as questões éticas, morais e religiosas enfrentadas. O livro narra de forma realista como jovens na casa dos 20 anos tiveram seus sonhos, vidas, amores e famílias destruídas. E como continuar depois disso. Talvez isso não esteja certo, porque Parrado conta T U D O. Ele narra todas as decisões, todos os detalhes, dor. Como você lidaria com o sofrimento e gritos de dor de alguém preso em ferragens de uma queda de avião? Isso está lá.É um relato orgânico do acidente e dos 72 dias de luta, além de como foi voltar para casa – não para a vida que tinham antes.
Se você é sensível, não leia.
Se você costuma se colocar dentro dos livros, não leia.
Se você acha que aguenta... vá em frente e encare seus maiores tabus. Sobreviver é um deles!
Em tempo, no dia 22 de dezembro olhe para o céu e agradeça. Os sobreviventes fazem isso há 47 anos.

Nascida em 1972, em Volta Redonda - RJ, jornalista, escritora, curiosa, observadora e que ama conversar com as pessoas e ouvir suas histórias. Escrever é mais quem um hobby para ela, é um vício. Um bastante saudável até. E para mantê-lo é preciso ler, ler muito e depois ler mais um pouco. Além de assistir muitos filmes e de conversar com muitas pessoas - na fila do banco, do mercado, na pr

Um comentário

  1. Oi, Bel.
    Esse acidente foi extremamente emblemático e até hoje muitos ainda questionam se as decisões tomadas foram certas ou erradas! Eu só digo que faria qualquer coisa para sobreviver... Não tenho estômago para ler o livro e nem mesmo o filme me despertou interesse. Tenho agonia de ler sobre histórias reais!!
    Mesmo assim, adorei a sua resenha falando sobre as duas obras!
    Beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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