Devaneios da Bel: 100 Tiranos - Coleção História Viva, Nigel Cawthorne



Título: 100 Tiranos - Coleção História Viva
Título original:
Páginas: 134
Autor(a): Nigel Cawthorne
Tradução: Carlos Eduardo Mattos, Jaime Biaggio e Davi Figueiredo de Sá
Editora: Coquetel
Ano: 2015
Gênero: Biografias, História, Não-ficção

Sinopse: De onde vem a Tirania? Este novo volume de História Viva cita personagens marcantes da antiguidade ao mundo moderno, que desfilam na condição de “tiranos”. Ou seja, aquele que tomou para si a soberania do Estado e exerceu seu poder de forma violenta e discricionária. Isso mostra que a História não permite análises simplistas. Apresenta informações ricas sobre períodos e lugares mais diferentes para perceber de onde brota a tirania. E fica claro que ela pode surgir de boas intenções iniciais que se perdem pelo caminho ou da velha noção de que os fins podem justificar os meios. Os antídotos para esse caminho inglório é o respeito aos direitos individuais, a tolerância e a democracia.



Quando vi esse livro fiquei alucinada com o tema, tenho verdadeira admiração por História. Se forem biografias, histórias reais, melhor ainda! Então não pensei duas vezes, comprei na Amazon e lá fui eu me deliciar com o que eu esperava ser uma análise sobre tirania ao longo da humanidade.
Já na Apresentação começou a decepção. De tirania não há quase nada no livro, o autor definiu como tiranos os ditadores e assassinos, sem analisar o que é tirania.

“...“tiranos”, ou seja, aquele que tomou para si a soberania do Estado e exerceu seu poder de forma violenta e discricionária.”

Essa definição, para quem não é tão aficionado em História quanto eu, pode parecer correta, mas um ditador, para ser um tirano, precisa ser um pouco mais cruel. Estou inclinada a concordar com Platão e Aristóteles quando afirmam que "a marca da tirania é a ilegalidade, a violação das leis e regras pré-estipuladas pela quebra da legitimidade do poder". Só não concordo quando ele afirma que  "…vida relativamente curta das tiranias à fraqueza inerente dos sistemas que usam a força sem o apoio do direito."

Tiranos tendem a se perpetuar no poder, principalmente nos dias atuais.

Voltando ao livro.

Cawthorne, em seu 100 Tiranos realizou uma pesquisa pífia, sem diferenciar tempo e espaço dos citados. Mesmo que haja uma divisão temporal, não há uma análise ou estudo sobre o tempo citado. Sim, um tirano é um tirano hoje ou há 5000 anos, mas o que diferencia Jean Bedel Bokassa, Nicolae Ceausescu e Átila, o Huno?

O que leva a considerar Tamerlão (“Assim como só existe um Deus no céu, deve haver apenas um único governante na terra”) como um tirano, mas não Jim Jones, o reverendo assassino?

As pesquisas sobre os períodos de governo são inexistentes ou pueris. Parecem, na verdade, um exercício de copiar e colar da Wikipédia, não um estudo histórico sobre os homens – e algumas mulheres – retirados de seu papel primário de ditadores e usurpadores.

Como fonte de pesquisa, estudo ou aumento de conhecimento sobre a evolução política mundial, o livro não cumpre seu papel; como discussão sobre sistemas políticos então, é melhor passar longe.

Conselho? Não leiam. Eu perdi tempo.

Nota? Uma estrela.

Nascida em 1972, em Volta Redonda - RJ, jornalista, escritora, curiosa, observadora e que ama conversar com as pessoas e ouvir suas histórias. Escrever é mais quem um hobby para ela, é um vício. Um bastante saudável até. E para mantê-lo é preciso ler, ler muito e depois ler mais um pouco. Além de assistir muitos filmes e de conversar com muitas pessoas - na fila do banco, do mercado, na pr

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