Devaneios da Bel: Páginas Policiais – Scott Nicholson



Título: Páginas Policiais
Título original: Crime Beat
Páginas: 91
Autor(a): Scott Nicholson
Tradução: Thiago Urarahy
Editora: Haunted Computer Books (dados Amazon do Brasil)
Ano: 2011
Gênero: Romance, Romance Estrangeiro, Policial, Suspense e Mistério
Sinopse Goodreads: Quando John Moretz aceita o trabalho como repórter na cidade de Sycamore Shade, ao redor dos montes Apalaches, uma onde (sic) de crimes irrompe, aumentando a circulação do jornal e deixando as pessoas inquietas. Então uma vítima de assassinato é descoberta, e Moretz é o primeiro a chegar na cena do crime.Com mais corpos surgindo, Moretz fica sob suspeição da polícia, mas as vendas do jornal estão explodindo devido às suas coberturas sensacionais dos crimes. Seu editor fica entre despedir seu cão farejador de notícias ou lucrar com a atenção, além de viver um romance com uma repórter da cidade grande designada a cobrir o possível assassino serial.E Moretz parece estar sempre um passo à frente dos outros repórteres, da polícia, e até mesmo do próprio assassino.PÁGINAS POLICIAIS é um romance de 21 mil palavras, o equivalente a um livro de cerca de 110 páginas.

Já havia lido um livro de Nicholson antes de encarar Páginas Policiais, que é um conto, um livro ligeiro, com menos de 100 páginas. Isso não é ruim não, esse tipo de livro é ótimo para uma tarde preguiçosa, algo que dá para ler em poucas horas, mesmo sendo um livro de Nicholson. Explico:

Scott Nicholson tem como grande característica narrativa a descrição. Ele gosta de cenas detalhadas – por favor, atentem a diferença entre descrição e enrolação. Ele contextualiza as cenas, situações, personagens e ações, mas não enche a paciência com a tortura que alguns autores pouco afeitos a leitura e ao estudo acham que é uma cena descritiva (acordei, espreguicei, abri o olho, cocei o olho, cocei a barriga, afastei o lençol, tirei uma perna do colchão...). Por isso a afirmação de que mesmo sendo altamente detalhado a leitura é rápida.

Nesse romance policial – sério, com esse nome vocês acharam que era o quê, erótico? – temos uma das melhores coisas que o bom suspense moderno anda carecendo: surpresas. Toda a narrativa é construída sobre um suspeito, um final, uma solução. Preciso explicar que o final é surpreendente ou já ficou subentendido?


Nicholson nos mostra um repórter baseado na realidade, sem glamour, sem fantasias absurdas. O fato de o escritor colocar o jornalista como principal suspeito dos crimes não é glamurização da história ou da profissão, é a suspeita natural que todo jornalista sofre em livros do gênero. Na vida real também, afinal somos (sim, eu sou jornalista com muito orgulho, com muito amor...) sempre os culpados pelas mazelas do mundo: Fome na África? Mentira, é invenção de jornalista para vender jornal. Terrorismo no mundo? Nada, só jornalistas que não têm o que fazer.

Para mim o único senão da narrativa foi o romance. A única coisa que o casal tinha em comum para criar um possível romance era... nada. Faltou química ali. Apenas ali, porque o restante do livro é muito bom, pena que acabou. Curto demais.

Moretz é o cara certo no lugar errado ou o cara errado no lugar certo, ele não está feliz em uma cidade do tamanho de um ovo, o editor não está feliz com ele, mas o cara é a fonte para vender jornais, então vamos continuar "espremendo que sai sangue".

Eu acho que vale muito a pena a leitura, entre livros, quando não se sabe bem para que lado ir, o que ler... Páginas Policiais é ao mesmo tempo uma leitura ligeira e profunda, que pega o leitor e o deixa mexido.

Nota? 4

Nascida em 1972, em Volta Redonda - RJ, jornalista, escritora, curiosa, observadora e que ama conversar com as pessoas e ouvir suas histórias. Escrever é mais quem um hobby para ela, é um vício. Um bastante saudável até. E para mantê-lo é preciso ler, ler muito e depois ler mais um pouco. Além de assistir muitos filmes e de conversar com muitas pessoas - na fila do banco, do mercado, na pr

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