Pitacos do Marcola: Eu tenho preconceito com o seu preconceito literário



O assunto de hoje vai ser polêmico. Isso porque trata de algo sórdido, nefasto, mas que todos, em algum momento de nossas vidas, já fizemos.

Preconceito Literário.

Ele se caracteriza por criarmos uma imagem ruim sobre seres que leem livros que não agradam a pessoa preconceituosa em questão. Muitos são os tipos “proibidos” de leitura, até porque são muitos tipos de idiota que se acham os donos da verdade.

Trilogia 50 Tons, Saga Crepúsculo, Augusto Cury, A Cabana, O Segredo, Dan Brown, Paulo Coelho (nosso escritor mais lido, o escritor vivo mais conhecido no mundo sofre preconceito e dos grandes em seu próprio país). 

O pior disso tudo é que não importa o número de densos calhamaços clássicos que você tenha destrinchado em sua vida prévia, sempre vai ter um metido a intelectual que vai te rotular por ler um livro; que não cabe no padrão que só existe na mente distorcida dele. Para piorar ainda mais, na maioria das vezes nunca leram o título ou algo do mesmo gênero.

Quando alguém fala mal de um livro para mim, eu sempre questiono: "Você já leu?". Mais de 90% das pessoas não conhece a obra, e nunca vai conhecer, porque têm ridículas travas em seus cérebros que as impedem de vivenciar novas experiências sem usar de pré-julgamentos.


Uma vez li que um dos grandes benefícios da leitura é propiciar uma mente mais aberta aos leitores. Como vivenciam situações que acontecem com mocinhos e vilões (quem nunca se pegou torcendo ou sofrendo pelo vilão da trama?), conseguem ser mais amenos em seus julgamentos. É claro que pessoas que não aceitam que alguém leia uma obra que pode ter sido ditada por um espírito ainda não alcançaram essa melhora. 

A maioria dos livros que citei aqui não faz parte da minha lista de leitura. Tirando Paulo Coelho, que já li bastante. Nem por isso menosprezo as pessoas que gastam o seu tempo e seu rico dinheirinho com eles. Sempre tento adicionar obras que estão fora da minha “zona de conforto” na minha meta de leitura. Um exemplo são os desafios que fizemos no blog aqui, aqui e aqui.

Um tipo de livro que anda na moda e sofre muito preconceito é o dos autores Youtubers. As pessoas se indignam de as editoras se prestarem a publicar essas obras. Se você é dessas, pense um pouco. Imagina se você fosse dono de uma empresa, pudesse lançar um produto que com certeza venderia muito, não iria fazê-lo? Os caras têm milhões de seguidores, algo que você com certeza não tem. Esse público fomenta a venda de livros. O que proporciona que editoras possam investir em outros títulos, inclusive naquele autor cult que só uns poucos “especialistas” conhecem. 

Pelo amor do Grande Homero, não fique triste ou bravo se o seu filho ou sobrinho devorou o primeiro livro do Filipe Neto ou da Kéfera. Ao contrário, presenteie-o com o segundo, e quem sabe assim, no tempo e no modo dele, irá buscar mais leituras que com certeza são melhores companhias. E mesmo se não buscar... No pior dos cenários, se ele continuar lendo apenas isso, pode se tornar um Youtuber, e isso dá bastante grana hoje em dia. rs. Vá se preocupar com o sumiço das abelhas, ou com os extremistas religiosos, mas deixe esse pequeno devorador de livros seguir sua vida própria de leituras.

Espero que este humilde texto mude um pouco seu jeito de agir quando encontrar um desconhecido na livraria gastando muito com a edição de luxo de algum sucesso Erótico ou de Auto-ajuda. Ou se um amigo lhe disser que está lendo mais um livro do Nicholas Sparks. Simplesmente, com a mente aberta que caracteriza um leitor consciente, pergunte o que ele está achando. Quem sabe você é convencido e conhece um mundo maravilhoso que nunca imaginou existir.

Afinal, como disse Miguel De Cervantes, no Clássico dos Clássicos: “Mesmo assim vale a pena lê-la, pois não há livro tão ruim que não tenha alguma coisa boa.”

Nascido em 1985, natural de Tubarão - SC, dentista especialista em ortodontia, casado. Adora praia, esportes, filmes e uma boa bebida junto a uma boa conversa. É apaixonado por livros desde que se entende por gente. Seus estilos de livro preferidos são clássicos, fantasia, policial e terror/suspense, mas tenta sempre manter a mente aberta para descobrir novos livros.

9 comentários

  1. Oi, Marco
    Adorei o texto e vi em uma situação de batalha rsrs
    Sábado o meu filho (apenas 6 anos) pediu o livro do Lucas Neto e eu não acreditei, fiquei pensando se compraria ou não. Na livraria tinha somente o livro do Felipe, mas eu acho que ele fala muito palavrão e falei para o meu filho que ia comprar o livro do Lucas em outro lugar. Eu jurava que ele ia esquecer, mas hoje pediu novamente e depois que li o seu texto cheguei a conclusão que devo comprar rs. Obrigada!!

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    1. Oi Daya , estou muito contente por meu texto ter ajudado num momento de desenvolvimento do seu garoto.
      Abraços .

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  2. Mar-co-la! Preciso te dar um mega abraço. Sou defensora de leitura: de quadrinhos e bula de remédio, passando por qq coisa que seja possível ler, até santinho de políticos (isso ainda existe?). Existem livros que eu não gosto, meu gosto não é fácil. Alguns livros eu não indico, pq eles romantizam situações absurdas, pq são mal desenvolvidos, pq não tem coesão, coerência, lógica. Agora, ter preconceito? Tenho não!
    Texto lindo, indiquei para todo mundo.

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    1. Estou ansioso esperando esse abraço. Concordo com vc, gosto é complicado, mas eu sempre tento dar uma nova chance para o autor, mesmo odiando o primeiro.
      Valeu pelas indicações.

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  3. Texto perfeito. Incentivada desde o berço com a leitura procuro fazer o mesmo com meus filhos. Minha mais velha já começou sua mini biblioteca particular e o mais novo cria pequenas histórias em bloquinhos de papel. O mundo fantástico deles é a minha motivação para continuar na busca por mais da literatura nacional e mundial.

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    1. Obrigado. Fiquei encantado com a história dos seus filhos. Vou ter uma menina e ficaria encantado se ela fosse uma leitora. Se ela escrever historinhas então, paro de ler tudo e só leio o que ela escrever.

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  4. Taí um assunto que dá pano pra manga. Para mim, existem dois tipos de preconceito: o contra o tipo de leitora e o contra determinado estilo de leitor.

    Eu sinceramente não gosto de 50 tons e correlatos (sim, Ii a trilogia e mais 3 do gênero. Não gosto); mas não sou contra quem lê.

    Concordo que fazendo força somos capazes de encontrar algo bom em qualquer leitura, encontrei coisas boas em 50 tons mesmo não gostando da obra como um todo. Contudo, prefiro priorizar leituras que não me darão tanto trabalho para achar esse “algo bom” pelo simples fato de estarem mais de acordo com o meu gosto pessoal.

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