Devaneios da Bel: O Segredo dos Seus Olhos


Título: O Segredo dos Seus Olhos
Título original: La Pregunta De Sus Ojos
Páginas: 212
Autor(a): Eduardo Sacheri
Tradução: Joana Angélica D’Avila Melo
Editora: Suma das Letras (Companhia das Letras)
Ano: 2011
Gênero: Romance, Literatura Estrangeira, Ficção, Suspense

Sinopse Suma das Letras: Neste seu primeiro romance, Eduardo Sacheri expõe as feridas sofridas por um país numa época de tensão política e a batalha de um homem contra a impunidade, a burocracia do sistema judiciário e os seus próprios dramas íntimos.No início dos anos 70, quando Benjamín Chaparro trabalhava em um juizado de Buenos Aires, um inquérito de homicídio - o brutal estupro e assassinato de uma jovem dona de casa - deixou marcas profundas no cotidiano da repartição.Trinta anos depois, aposentado, Chaparro dedica seu tempo a escrever um romance. Em busca de inspiração, ele retorna ao juizado e o contato com as salas e corredores de seu passado o faz relembrar um dos momentos mais significativos de sua vida: o crime, com todos os seus detalhes chocantes; os desdobramentos inesperados do caso, no contexto de uma Argentina às vésperas da entrada na ditadura militar; e a história de amor secreto que viveu em meio a toda essa turbulência e que permeou todo o seu profundo envolvimento no caso.

O livro de Eduardo Sacheri é uma obra de ficção – ou não – e deu origem ao filme vencedor do Oscar® de Melhor Filme Estrangeiro de 2009. O filme é incômodo, já o livro... bom, o livro é indigesto. Calma, continue lendo a resenha e vai entender.

O livro gira em torno das memórias e da vida de Benjamín Chaparro, um funcionário aposentado de um dos inúmeros Juizados de Buenos Aires. Depois de 30 anos de serviços prestados, Chaparro se aposenta e o como não é afeito ao ócio decide escrever um livro narrando fatos e lembranças de um crime brutal, que abalou a vida de todos os que trabalhavam na repartição, assim como de boa parte dos cidadãos do país. O estupro e assassinato de uma dona de casa.

Misturando ficção e “realidade” na narrativa vamos conhecendo todos os envolvidos, incluindo o assassino, isso só é possível porque o livro de Sacheri não tem muitos personagens e eles não são lá muito bem desenvolvidos, psicologicamente falando.


A narrativa pode ser um tanto cansativa, principalmente porque o autor alternar primeira e terceira pessoa. Em alguns momentos Chaparro deixa de ser o narrador da trama para que outro narrador possa descrever ações, fatos e pensamentos que Chaparro não quer ou pode nos contar. Para quem não é “leitor antigo” pode parecer confuso e cansativo.

Se já assistiu ao filme, esqueça, o livro é infinitamente mais lento e esclarecedor, além de o final ser muito diferente. [Aliás, tive uma discussão sobre o filme com uma grande amiga: O que é pior condenar um assassino à morte ou permitir que ele viva, mas completamente isolado de tudo no mundo?].

Chaparro se pergunta se as vidas dos seres humanos, uma vez extintas, não se prolongam na vida dos outros,

Apesar de começar bem devagar e quase fazer com que tenhamos vontade de desistir da leitura, depois do primeiro quarto do livro a narrativa se torna mais interessante e acaba prendendo o leitor de forma definitiva.

Senti falta de um aprofundamento no período histórico retratado. Anos 1970, América do Sul, Argentina em plena ditadura militar, um dos períodos mais sombrios da história americana. Teria sido importante um detalhamento maior do período porque os acontecimentos da época são quase mais um personagem.

Apesar de dar apenas 3 para o livro – não por conta do português ou da diagramação, recomendo sua leitura. Ao contrário de outros leitores, não desculpo o autor por esse ter sido seu primeiro livro, insegurança profissional não escolhe tempo de exercício da mesma. Um bom editor teria sido capaz de apontar os equívocos e faltas que o livro apresenta. Só que esses erros e equívocos não diminuem o livro, a nota 3 é porque ele é lento, não pela falta de informações.

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Um comentário:

  1. Oi Bel,
    Ainda bem que você avisou que começa lento e depois engrena, mas acho isso ruim, porque nem todo leitor tem paciência de esperar o livro chegar ao ápice, e as vezes perde uma boa leitura justamente por isso.
    Não conhecia o livro nem o filme, vou procurar mais informações sobre o filme e anotar a dica do livro.

    Bjs

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