Resenha: As Relações Perigosas - Choderlos de Laclos



Título: As Relações Perigosas
Autor: Choderlos de Laclos
Editora: Abril
Ano: 1971
Páginas: 319

Pode um livro ser atual mesmo falando de condes, viscondes e muito mais da corte francesa numa época pré revolução? Pode ele ser atual, em um mundo de emails e mensagens instantâneas, mesmo sendo todo escrito através de cartas? Pode sim, se na verdade ele tratar da perversidade humana e a busca incessante por prazer e diversão, quanto melhor se vierem às custas da felicidade de alguns inocentes.


“As Relações Perigosas”, livro único de Choderlos de Laclos, ficou muito conhecido por expor a nobreza francesa de forma nada romântica. É inegável a habilidade do autor em mostrar os desejos e medos mais íntimos do ser humano, em uma trama bem costurada de romances e traições, intrigas e surpresas. Prova da qualidade dessas “associações temerárias” são as inúmeras e bem sucedidas adaptações para o cinema, teatro e TV.

Os personagens muito bem aprofundados ficam bem definidos por seu modo de escrita e também suas ações. Você nota os diferentes narradores. Neste livro a regra é: quanto pior melhor. Que me perdoem os puritanos mas as cartas das carolas presidenta de Tourvel, madame de Rosemonde, madame de Volanges e da inocente Cécile de Volanges são chatíssimas. Mas quando os pérfidos visconde de Valmont e condessa de Merteuil nos presenteiam com suas prosas melindrosas somos novamente fisgados para dentro da trama. Leia com muito cuidado, pois o veneno escorre das páginas.

"Quando tenho queixa de alguém, não zombo; faço melhor: vingo-me." Condessa de Merteuil 

Outro motivo para o sucesso contemporâneo do livro é que ele narra um "bafão" nuclear que aconteceu com personas muito poderosas da época. E quem não gosta de um "babado", ainda mais envolvendo famosos? Seja pela fofoca, pela escrita primorosa, pelo tom erótico ou pela exposição complexa dos medos e desejos humanas, “Relações Perigosas” é uma obra que deve ser apreciada por todos os amantes dos livros.



SinopseRetrata uma sociedade de classes extremamente preocupada com as aparências, orgulhosa e fútil em um período anterior à Revolução Francesa. É uma história de sedução e tramas maquiavélicas elaboradas por duas figuras de um alto círculo social: Marquesa de Merteuil e Visconde de Valmont.
Os amigos e amantes conduzem como que em um teatro de fantoches seus parentes e colegas para caminhos que os entretenham. Ambos descrentes na possibilidade de amar

vivem apenas no presente, e no prazer instantâneo.

O livro é todo contado em forma de cartas, que são trocadas pelos diferentes personagens, formando-se assim múltiplos focos narrativos. A marquesa de Merteuil tenta a todo custo acabar com a reputação da jovem Cécile, que está prestes a casar com seu antigo amante; Valmont, por sua vez, luta pelo amor da pura Presidente de Tourvel, como se fosse um simples esporte. Fazem uma aposta baseada nos seus respectivos objetivos de conquista, mas não percebem o quanto se envolvem neles.

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