Resenha: Lolita - Vladmir Nabokov

Título: Lolita
Autor: Vladmir Nabokov
Editora: Biblioteca Folha
Ano: 2003
Páginas: 320



Olá, leitores! Quem estava com saudade dos clássicos? Eu!!! Para voltar ao motivo que me trouxe ao blog, hoje trago um clássico para vocês e o nome da vez é Lolita, de Vladimir Nabokov.

Para quem conhece Lolita apenas através da boca de terceiros, devo avisar que não é um livro pornográfico, cheio de cenas picantes a todo momento, como muitos dizem. Na verdade, achei interessante que o próprio Nabokov fala a respeito disso em uma nota ao final da obra. Basicamente, ele diz que uma obra não precisa ser a todo momento picante para ser boa, não precisa usar palavras chulas para se dizer erótica e mais umas coisinhas... Mas, vamos à história propriamente dita!

Confesso que demorei mais do que esperava para lê-lo, pois tem um ritmo um tanto peculiar, rápido em algumas partes, excitantes em outras e muito, muito lento em outras tantas. Deixo claro que, para os "leitores de verdade", isso não será problema!

A história gira em torno de um homem (sob o pseudônimo de Humbert) que é pedófilo assumido por conta de um trauma de infância, quando sua amada Annabel, uma menina dourada de mente bastante evoluída para a idade, morre de uma febre terrível. O pequeno Humbert cresceu sem mãe, apenas com a educação do pai, e enfrentou vários problemas psicológicos que o levaram a passar um tempo em um sanatório. 

Já adulto, começa a perceber que os seus interesses sexuais se voltam para meninas jovens, chamadas por ele de "Ninfetas". Compara os seus desejos aos de grandes nomes como Boticelli, que amava sua Laura desde os 12 anos; com homens de aldeias que tem seus próprios conceitos e podem copular a vontade com menininhas de oito anos sem serem considerados criminosos. Então, sua primeira esposa, Valéria, é uma mulher com trejeitos de menininha, pois ele queria se sentir próximo ao universo das meninas jovens. 

Várias coisas acontecem e Humbert, agora sozinho, decide se mudar para a América para cuidar de um negócio que herdara de um tio. Fica perambulando de um lado para o outro do país até ser convidado a passar um tempo em Ramsdale com a família McCoo. De início não pensa em ir, mas ao saber que o casal tinha uma filha de 12 anos, pega suas coisas e vai para a pequena cidadezinha.

Charlotte é uma bela viúva que se mostra muito prestativa ao "nobre" europeu e aluga um quartinho para ele por tempo indeterminado, porém Charlotte é mãe de Dolores Haze... A perdição de Humbert, o conquistador.

Dolly, ou somente Lô, é uma garota de 12 anos muito precoce, despojada e rebelde, que atenta os dias de Humbert, fazendo-o enlouquecer de amor. A fim de ficar mais próximo da garota, o homem acaba se casando com Charlotte, que pensa em se livrar da filha muito em breve e começa tal empreitada mandando-a para um acampamento de férias. 

Angustiado perante a ideia de viver sem sua Lolita, começa a cogitar maneiras de matar Charlotte para poder ficar somente com a pequena Lô. Decidido a não perder aquela que realmente ama, ele a busca no acampamento e juntos começam uma viagem alucinada por todo o país. Neste ínterim, a perversa Lolita seduz Humbert, o fraco, e o leva ao delírio ao possuir, pela primeira vez, o corpo de uma ninfeta.
Esta é a minha versão, capa dura que
comprei por 10 reais em um sebo em
Curitiba!

Depois de ceder a inúmeros caprichos de sua Lolita e estar cego diante das atitudes da garota, Humbert parte para mais uma viagem, onde acaba levando a maior surpresa de sua vida, desde que começou tal insanidade.

O pedófilo e destruído Humbert terá de enfrentar seus próprios medos, superar a loucura e mergulhar em uma intensa reflexão sobre sua vida desregrada, deixando a nós, leitores, divididos. Gostar ou não gostar de Humbert? Eis a questão.

Não darei mais spoilers (risos), pois somente lendo é que o leitor vai me entender! Bem, de positivo, vejo que o livro foi muito bem estruturado e Nabokov foi bastante ousado ao criar o personagem Humbert. Dolly também é intrigante... 

De negativo eu diria que há passagens no livro muito massantes (coisas que o próprio autor diz compreender) e isso pode atrapalhar um pouco a fruição da leitura. No meu caso, demorei quatro meses para finalizar a leitura de Lolita, sendo que minha média para ler um livro é de duas semanas a um mês.

Não diria que isto é um empecilho de leitura, na verdade, encaro como um desafio, pois ao descobrirmos o desfecho, ficamos extasiados. Não sabemos mais se amamos ou odiamos Nabokov! 

Para os mais curiosos, saibam que tem o filme, mas eu mesma não consegui encontrá-lo, pois é antigo. Teve também um seriado na televisão.

Até a próxima, pessoal!



Sinopse: Famosa e difamada, Lolita é uma novela escrita por Nabokov em 1955. Humbert, obcecado sexualmente pela menina pubescente, move-se pelos Estados Unidos de um quarto alugado a outro, de um motel a outro, na companhia de Lolita, a menina enteada com quem tem relacionamento sexual. Numa parada, um jovem rival convence Lolita a deixar Humbert.
Nos anos que seguem, Humbert terá seu primeiro caso de amor adulto, Rita.
Por ironia, Lolita retorna. Já tem 17 anos e refaz contato com Humbert. Necessitada, quer dinheiro. Humbert se apercebe ainda apaixonado por Lolita, não mais menina, mas ninfeta que, entretanto, não lhe retorna amor.
Humbert a descobre casada e grávida.
Matar o marido? Dar dinheiro a Lolita?
Livrar-se dela para não revelar o próprio passado?
A pedofilia é o tema subjacente. A paixão ensandecida do adulto pela menina, a trama.
O desfecho remete a caso real que simboliza, sem dúvida, um sem número de outros tão ou mais angustiantes e verdadeiros. 

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