Resenha: A Visita Cruel do Tempo - Jennifer Egan


Título no Brasil: A Visita Cruel do Tempo
Autora: Jennifer Egan
Editora: Intrínseca
Ano: 2012
Páginas: 333



A comida e o carinho da avó já falecida, os amigos de verão da adolescência, o campinho improvisado na casa do vizinho, aquele fogão de brinquedo que virava uma cozinha completa. Todos temos lembranças de tempos anteriores onde tudo era mais fácil e as preocupações eram a hora de ir embora ou o boletim. De vez em quando, ao escutar uma música antiga, sentir um cheiro ou um gosto, voltamos para esse passado, agora pintado com o verniz do tempo, que é capaz de deixar tudo mais bonito, enchendo-nos com sentimentos e sensações que pertencem a uma pessoa diferente da que somos agora. Em alguns desses passeios, começamos a nos questionar e procurar o que nos fez sair daquele ponto e nos fez chegar onde estamos. Será que conseguimos tudo aquilo que imaginávamos ser? (Ou ter, dependendo de cada um). Por que não aproveitei aquela chance? Ou por que não me esforcei mais para enfrentar determinado desafio? 

Esse monte de reflexões e muitas mais, você encontrará no ganhador do Pulitzer “A Visita Cruel do Tempo”, de Jennifer Egan. Quando eu vi esse título, estranhei. Mas, com a leitura terminada, não pude achar menos que perfeito! Com a história de vários personagens que se relacionam das mais variadas formas, num período que vai de 1970 até 2030, podemos perceber que o tempo, Senhor da razão, é capaz de derreter ou solidificar sonhos, aniquilar ou criar belezas, inspirar ou enganar pessoas. É impossível não se identificar em alguns momentos e questionar o que você anda fazendo do seu tempo ou pensar em como seu futuro pode ser sombrio, pois nesse livro encontramos exemplos de pessoas que surfaram na crista da onda, mas acabaram morrendo sozinhas na praia.


"Em que momento exato você se desviou só um pouquinho da vida relativamente normal que vinha levando até então, em que momento ela se desalinhou de maneira infinitesimal para a esquerda ou para a direita, embarcando assim na trajetória que acabaria por levá-lo para onde se encontra agora?"



Existe um capítulo todo feito em Power Point; no Kindle a leitura se tornou difícil, mas apreciei a tentativa de inovar da autora. Leia com calma, pois são tantos personagens e narradores mudando a cada capítulo que o começo pode ser difícil. Depois de um tempo, você estará louco para saber onde aquele novo capítulo se encaixa na história como um todo. Num capítulo desses o leitor é o personagem, adorei essa ideia da autora. Uma obra diferente de tudo que você já leu, uma experiência inspiradora que deve ser lida pelo maior número possível de pessoas. Afinal, foi por isso que escrevi este texto.




Sinopse do Skoob: Bennie Salazar é um executivo da indústria musical. Ex-integrante de uma banda de punk, ele foi o responsável pela descoberta e pelo sucesso dos Conduits, cujo guitarrista, Bosco, fazia com que Iggy Pop parecesse tranquilo no palco. Jules Jones é um repórter de celebridades preso por atacar uma atriz durante uma entrevista e vê na última — e suicida — turnê de Bosco a oportunidade de reerguer a própria carreira. Jules é irmão de Stephanie, casada com Bennie, que teve como mentor Lou, um produtor musical viciado em cocaína e em garotinhas. Sasha é a assistente cleptomaníaca de Bennie, e seu passado desregrado e seu futuro estruturado parecem tão desconexos quanto as tramas dos muitos personagens que compõem esta história sobre música, sobrevivência e a suscetibilidade humana sob as garras do tempo.

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