Resenha: Dissoluto


Título Original: Dissoluto
Série: The Underwood´s
Autor(a) Nacional: Ana Sóh e Elissande Tenebrarh
Editora: independente
Ano: 2016
Páginas: 276



A cada obra nacional que leio desse segmento, fico mais contente e orgulhosa dos autores(as) brasileiros(as), que têm mostrado seu valor produzindo narrativas com cada vez mais qualidade. Prova disso é o trabalho dessa “dupla dinâmica” Ana Soh e Elissande Tenebrarh, que se uniu pela 
primeira vez na escrita para produzir a série The Underwood’s.

Dissoluto está muito bem escrito, com narrativa em primeira pessoa, contada por três personagens alternadamente. O que me agradou muito em relação à escrita é que, apesar de ter sido produzido por duas autoras, em momento algum se nota aquelas características, marcas mesmo, no texto cuja obra de cada autor costuma carregar. Elas conseguiram uma harmonia impressionante.

Por falar em personagens, em Dissoluto estes enganam à primeira vista. Parecem mais do mesmo, mocinhos planos e previsíveis, mas não demora muito para que o leitor perceba que eles são muito mais do que aparentam.


Os protagonistas formam um casal que, em uma análise apressada, pode parecer o menos provável possível. No entanto, ao longo da trama, descobrimos que eles têm mais em comum do que se pode imaginar, e descobrimos isso no momento em que elas abordam um assunto de suma importância na contemporaneidade, o qual eu não vou revelar (rssrrs).

SOBRE OS PERSONAGENS

Savi Underwood é um dos irmãos e sócios do bar de motoqueiros The Underwood’s localizado em Seattle. Apesar de personagens motoqueiros e tatuados serem bem comuns nos romances contemporâneos, ele pode ser considerado um mocinho fora dos padrões, não pelo que aparenta por fora, mas pelo que sua aparência um tanto exótica esconde. Ele se pune por um erro do passado e parece querer manter as pessoas à distância com todas aquelas tatuagens e barba enorme, mas, quando conhece Millicent, toda essa determinação vai por água abaixo.

Millicent também engana a todos com seu jeito doce e delicado. Não que ela não seja assim, mas logo em suas primeiras atitudes percebemos que, apesar de tudo que viveu e talvez por tudo isso, a mocinha tem personalidade; com o fardo pesado de seu passado, só podemos supor que é uma mulher de muita fibra. Assim como Savi, ela guarda um grande trauma. A fim de superá-lo, parte para Seattle e acaba como funcionária do bar dele. Depois de se conhecerem, eles dão início a uma linda história de amor e superação, além de protagonizarem cenas muito “quentes”.

Há muitos outros detalhes interessantes sobre os mocinhos, mas esses vou deixar para que o leitor descubra sozinho, senão será spoiler.

SOBRE A TRAMA

Os personagens coadjuvantes também são bem trabalhados e tornam a trama ainda mais estimulante, já que abrem algumas interrogações que, provavelmente, só serão respondidas nos próximos volumes. Por falar em interrogações, percebo uma dura crítica por parte de muitos leitores em relação a elas. A geração de leitores que consome literatura desse segmento parece preferir as tramas “redondinhas” “lacradinhas”, o que, em se tratando de uma série torna a obra enfadonha em minha opinião (uma história acabada não precisa de continuação). Bom, eu sou uma exceção, adoro os finais inacabados (claro, sem discrepâncias), principalmente em se tratando do primeiros volumes de uma série, pois torna a leitura dos outros muito mais estimulante. É um sofrimento esperar que os outros sejam publicados, reconheço, mas é um sofrimento gostoso que nos tira da mesmice.

Dissoluto é um desses livros que nos deixam roendo as unhas de curiosidade e ansiedade. Tenho várias perguntas pairando em minha mente depois da leitura do primeiro volume. Perguntas em relação ao irmão de Savi, Ethan, que é enigmático, misterioso, apesar de uma aparência bastante comum; perguntas sobre o passado de Millicent e sobre o causador de sua desgraça; perguntas sobre outros personagens que aparecem na trama. Gostaria também de ver as autoras explorarem um pouco mais o assunto relacionado ao passado de Millicent, que acho que pode e merece ser mais aprofundado.

Enfim, não vejo a hora de ler o segundo volume para ver como as autoras desatarão o verdadeiro “nó” que deram para “arrematar” (se é que se pode dizer assim) essa obra, assim como para descobrir o que há por trás do misterioso Ethan Underwood’s.


SINOPSE SKOOB:"Sócio do mais famoso bar de motoqueiros de Seattle, Savi Underwood leva a vida seguindo as próprias regras. A principal delas é sempre manter o controle, jamais voltar a cometer seu grande erro do passado. Ele jurou nunca mais corromper alguém. Millicent é uma boa garota. Apesar de carregar um trauma desde a infância, conquista o coração de todos com sua bondade. Após viver anos sofrendo em silêncio, não lhe resta alternativa senão sair pelo mundo, tentar reconstruir sua vida longe do lar. O destino a conduziu a um bar muito peculiar na cidade grande, onde ela conseguiu um emprego como garçonete. Além do ambiente estranho, um dos sócios do bar, um homem coberto de tatuagens e de maneiras rudes, chama sua atenção. Mesmo que sejam completamente diferentes, é evidente a forte atração entre os dois; a inocente Millicent é a maior tentação que um dissoluto como Savi pode enfrentar."

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