Resenha: O Gato Preto


Título no Brasil: O Gato Preto
Título Original: The Black Cat
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: Blue Books
Ano: 2014
Número de Páginas: 34




O Gato Preto é um clássico de terror de autoria do célebre autor norte-americano Edgar Allan Poe, publicado pela primeira vez no jornal Saturday Evening Post, em 1843. Na edição em e-book da Blue Books o leitor terá acesso também à biografia do autor que, não posso deixar de acrescentar, é interessantíssima.

O protagonista do conto é um dos personagens que mais repulsa me causou. Bom, este é um conto de terror...

O protagonista é um homem que tem em sua casa diversos animais de estimação, entre eles um grande gato negro chamado Pluto. Segundo suas próprias palavras levado pelo alcoolismo , ele maltrata esses animais, levando alguns deles à morte. É sádico, perverso. Alguns diriam que é um psicopata, já que ele próprio ressalta que não se deve dar tanta importância ao seu relato, pois é apenas uma história do cotidiano; isto, antes de descrever um comportamento extremamente cruel. Eu, no entanto, tenho minhas dúvidas. Trata-se de um homem doente, sim, é um alcoólatra, e sua mente foi deturpada pelo vício, mas fica bastante evidente sua própria repulsa aos atos descritos e o remorso que sente após praticá-los; tão patente que chega a, literalmente, ganhar vida. Ganha vida na forma de um gato que, apesar de ser um animal, eu diria que é a personificação da culpa, um fantasma, um demônio que, com toda a “manha” própria desses felinos, espelha toda a perversidade de seu dono, acusando-o ao lembrá-lo de seus atos.

E um bruto animal cujo semelhante eu destruíra com desprezo, um bruto animal a comandar-me, a mim, um homem feito à imagem do Altíssimo — Oh!, desventura insuportável.

O Gato Preto ganhou diversas adaptações para o cinema e inspirou até mesmo o episódio de um seriado. Há quem diga também que ele inspirou O Cemitério, obra de Stephen King.

Fica claro, até mesmo para os leigos, que o autor, ao realçar que pode existir uma linha tão tênue entre a maldade e a culpa, faz uma reflexão psicológica desta última.

Em tais momentos, embora a minha vontade fosse matá-lo com uma pancada, era impedido de fazê-lo, em parte pela lembrança do meu crime anterior...

Eu, uma mera leitora que nada entende do assunto, encontrei muitas outras possibilidades e isto é justamente o que mais me encanta na obra de Poe. Não só em O Gato Preto, mas de um modo geral, sua escrita, não tanto pela forma, pela estética, que nesta tradução também me agrada muito, mas pela pluralidade de significados que se pode extrair de seus escritos, é simplesmente fascinante.

É verdade que existe uma intenção por trás das palavras de cada escritor, mas também é inegável que o leitor, com suas experiências e subjetividade, ao ler, atribui muitos outros, talvez até muito distintos da ideia pretendida pelo autor. No entanto ainda não conheci uma obra (levando em conta tudo que já li do autor) tão enigmática e rica nesse sentido, uma obra que abra tantas possibilidades, o que torna o legado de Poe realmente ímpar.

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