Resenha: A Intrusa - Júlia Lopes de Almeida


Título: A Intrusa
Autor (a) Nacional: Júlia Lopes de Almeida
Editora: Pedrazul 
Ano: 2016
Páginas: 232



Olá, pessoal!



Minha resenha de hoje é sobre uma história que se passa no final do século XIX, no Rio de Janeiro. Não se trata de um romance de época, mas de um que realmente foi escrito e editado, pela primeira vez, nesse período e que recentemente foi publicado pela editora PEDRAZUL.

Argemiro é um advogado bem-sucedido, pai de uma menina e que ficou viúvo ainda jovem. Quando sua esposa estava no leito de morte, ele prometeu (a pedido dela) que jamais se casaria novamente. Durante um longo período, permaneceu feliz em sua condição de viúvo solitário, até que, certo dia, percebendo a necessidade de uma presença feminina em sua casa, sobretudo para que pudesse receber a filha que vivia com seus sogros, resolveu contratar uma governanta.


Com o intuito de evitar a tentação e os falatórios (naquela época uma jovem, mesmo que empregada, vivendo na casa de um homem sozinho podia ser escandaloso), ele impõe uma estranha condição antes de contratar a primeira e única jovem que aparece à sua porta almejando o emprego: eles jamais deveriam se encontrar. 

Sendo assim, se o patrão entrava por uma porta, ela saía por outra, evitando a todo custo que se encontrassem. Quando li sobre isso na sinopse, confesso, achei meio absurdo, mesmo para a época, mas, ao longo da leitura, eu me vi completamente envolvida e crente de que era uma situação perfeitamente plausível. Ponto para a autora.

Conforme afirma a todos, Argemiro jamais viu Alice, sua governanta. Porém, sem que perceba, ele se apaixona por ela. Outro absurdo. Onde já se viu apaixonar-se por alguém que não conhece? Acontece que, mais uma vez e de maneira bastante hábil, a autora nos faz crer que isso é possível, ao retratar os vestígios da presença da jovem governanta na casa. Isso é tudo que ele vê e sabe sobre ela, mas o suficiente para conhecer a sua alma, de tal maneira que passa a achar que é inconcebível viver sem aquela presença ao seu lado.



Diante dos olhos do leitor, a dinâmica não é diferente. Tudo que a autora nos apresenta de Alice é aquilo que narra através das percepções dos outros personagens. Isso realmente me impressionou, porque terminei sentindo que a conhecia, sendo que, até mesmo perante os olhos do leitor, ela não passou de uma sombra.

Há vários outros personagens na história, todos muito bem aproveitados e alguns bastantes hilários. Eu pessoalmente me encantei com a personalidade de dois deles, a sogra de Argemiro e um de seus funcionários, Feliciano.

Feliciano era um jovem negro alfabetizado; um rapaz metido e bastante abusado, que, antes da chegada de Alice, era responsável pela administração da casa de Argemiro e realizava verdadeiros desfalques nas contas da casa (tudo escondido do patrão, claro).

Despeitado e afeito a intrigas, Feliciano acabou sendo um excelente aliado da baronesa, sogra de seu patrão. Preocupada com a presença feminina na casa do advogado, ela tenta a todo custo eliminá-la da vida dele.

A obra apesar de ser um clássico teve a linguagem muito bem adaptada nesta edição da PEDRAZUL, o que a tornou bastante acessível. Eu adorei e recomendo!

Onde comprar: Site da editora


SINOPSE ORELHA: O século XIX caminhava para o fim, o Rio de Janeiro vivia o auge da cultura cosmopolita, a Belle Époque, marcada por profundas transformações culturais que se traduziam em novos modos de pensar e de viver o cotidiano. Em meio à aristocracia carioca, um rico advogado – viúvo, mas ainda jovem e atraente – era perseguido por mães casamenteiras que desejavam ter um genro abastado e influente. Porém, ele se esquivava resoluto, pois prometera à esposa, no leito de morte, manter sua viuvez. O casamento com a filha de um barão resultou em um fruto: uma garotinha mimada e sem modos, criada pelos avós maternos, cuja avó baronesa fazia-lhe todas as vontades. Infeliz pela má educação da menina, ludibriado por um escravo que usava as suas roupas, fumava os seus charutos, bebia fartamente da adega e ainda inflacionava as contas da casa, ele decide contratar uma governanta. Desconsiderando todas as críticas feitas pelos amigos e pela sogra ciumenta, ele pede ajuda ao padre Assunção, seu amigo de infância, e publica um anúncio num jornal à procura de uma governanta. Atendendo ao anúncio, aparece Alice Galba, que aceita a estranha condição: que o patrão jamais a visse. Quando ele entrava pelo portão, ela se escondia. Dela ele apenas sentia o perfume e sua boa influência no lar e na educação da filha. Suas roupas agora estavam impecáveis, a mesa sempre bem posta e arranjada com esmero, a comida saborosa, os móveis reformados, de forma que começou a desejar ardentemente voltar para sua (agora agradável) moradia. Vez ou outra encontrava um livro aberto, esquecido sobre uma poltrona e, com o passar dos meses, passou a notar a doce presença da alma da moça pelos cômodos do casarão. Alma cujo rosto ele já ansiava ver!






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Um comentário:

  1. Que interessante esse história! Bem diferente do que eu ja li. Adorei

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