Desafio Conchego de Leitura 02: Mariana vs "O Retrato de Dorian Gray"


Título no Brasil: O retrato de Dorian Gray
Título Original: The Picture of Dorian Gray
Autor: Oscar Wilde
Editora: Landmark
Ano: 2012
Páginas: 296



E lá vamos nós para o desafio Conchego de leitura... Marco Antonio, claro, passou um clássico para que eu lesse, já que este é um de seus estilos favoritos. Ainda bem que não foi uma biografia ou eu teria tido um treco.

Bem, como ele aceitou o meu desafio de coração aberto, resolvi fazer o mesmo com o que ele lançou para mim e posso dizer que só de olhar a capa conclui de cara que provavelmente eu gostaria bastante da obra. Vamos ver então qual foi minha opinião?

Preciso dizer que o livro me surpreendeu em vários aspectos. Não é o estilo de leitura que estou acostumada e, vou confessar para vocês, foi muitíssimo mais denso do que eu poderia imaginar. 

Dorian é, sem dúvida, o principal. Ele começa a obra sendo um rapaz belo e bom, que se preocupa com as pessoas e o que pensam dele. Basil Hallward é um pintor famoso e que preza toda essa pureza do rapaz, usando-o como inspiração para várias obras. Uma em especial, da qual falarei mais tarde, e durante a qual Dorian conhece Lorde Henry.

Henry é um homem manipulador, que encara nosso personagem principal como um brinquedinho de testes interessante. Ele é cínico, falso, hipócrita. Não chega a realmente forçar ninguém a fazer nada, mas funciona como aquela vozinha da falta de consciência, sugerindo as coisas mais inconvenientes. Basil tentou agir como a voz da razão, trazer nosso "pobre Dorian" de volta à beleza que o cativou e estampou na pintura.

Dorian ouviu mais a Henry, como muitas pessoas nesse mundo. Um ser que prezava muito mais beleza estética do que o desenvolvimento moral e psicológico. Ele começou a fazer coisas horríveis em nome da aprovação daqueles que os rodeavam, quanto mais sua alma escurecia, mais seu quadro apodrecia... Contudo, ele permanecia imaculado. Era como se o quadro envelhecesse por ele.

Teve momentos em que eu odiei Dorian com todas as minhas forças, em outros... também. Sério, as ações e reações dele... Arg. Eu queria estapear a criatura, torcia para alguém rasgar aquele quadro e tudo ir parar nele. 

Sinceramente, precisei ler mais de uma vez, pois simplesmente não conseguia ter certeza de ter compreendido tudo direitinho. Ainda não tenho, mas uma "terceira vez" não ia rolar, eu precisava completar o desafio.

O livro tem três personagens principais que, se entendi corretamente, representam muito mais do que somente três pessoas diferentes. Entendi o quadro o véu da mentira, escondendo a realidade. Para mim, a destruição do mesmo é trazer a público, nem que ao menos para a própria pessoa, as verdades que se recusou enxergar ou aceitar. Basil e Henry me pareceram a dualidade do ser humano, bom x mau, e Dorian nossas escolhas e consequências.

O Retrato de Dorian Gray fala de como as pessoas podem influenciar umas as outras, tanto positiva quanto negativamente, e de como as aparências podem ser enganosas, de como somos capazes de jogar o mais importante fora pela valorização do supérfluo. É um livro difícil de se ler e profundo, ensina muitíssimo.

Obrigada, Marco Antonio, por ter me desafiado com essa obra. Valeu cada minuto de leitura.

Com essa resenha, finalizamos o Desafio Conchego de Leitura realizado ao longo do mês de julho. Obrigado por terem nos acompanhando nessa inspiradora jornada!

CURIOSIDADE:

1 - A história se passa no mundo real, no tempo em que o autor vivia. Por trazer um quê de homossexualismo, considerado crime naquele período, o autor teve muitos problemas, chegando até a ser processado.


2 - A obra foi a versão de Oscar Wilde para o mito faustiano da perda da alma em troca dos prazeres mundanos, sendo um relato de decadência moral e punição.




Sinopse do Skoob: Dorian Gray é um belo e ingênuo rapaz retratado pelo artista Basil Hallward em uma pintura. Mais do que um mero modelo, Dorian Gray torna-se inspiração a Basil em diversas outras obras. Devido ao fato de todo seu íntimo estar exposto em sua obra prima, Basil não divulga a pintura e decide presentear Dorian Gray com o quadro. Com a convivência junto a Lorde Henry Wotton, um cínico e hedonista aristocrata muito amigo de Basil, Dorian Gray é seduzido ao mundo da beleza e dos prazeres imediatos e irresponsáveis, espírito que foi intensificado após, finalmente, conferir seu retrato pronto e apaixonar-se por si mesmo. A partir de então, o aprendiz Dorian Gray supera seu mestre e cada vez mais se entrega à superficialidade e ao egoísmo. O belo rapaz, ao contrário da natureza humana, misteriosamente preserva seus sinais físicos de juventude enquanto os demais envelhecem e sofrem com as marcas da idade.

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2 comentários:

  1. Estou adorando esse desafio, dois leitores e comentadores tão eficientes resenhando livros ótimos ó poderia sair coisa boa. Me lembra os debates do Clube dos dois caras. Sobre a obra, tem um teor filosófico muito bom sobre escolhas e consequências, não é apenas uma história interessante e um debate que o próprio Doryan (ou o Oscar Wilde) trava consigo mesmo.

    Minha resenha:
    http://www.rascunhocomcafe.com/2016/03/o-retrato-de-dorian-grey-juventude-e-os.html

    Abraços

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  2. Esse é um do livros que eu mais gosto. Ainda bem que você também pôde apreciá-lo Mari, adoro, na verdade, a escrita de Oscar Wild e ele inclusive tem contos infantis! Mostrando o quanto o autor era versátil.

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