Resenha: Shirley — Charlotte Brontë


Título no Brasil: Shirley: A história da órfã Caroline Helstone e da herdeira miss Keeldar
Título Original: Shirley
Autor: Charlotte Brontë
Idioma: Português
Editora: Pedrazul
Ano: 2014
Páginas: 400



Olá pessoal, hoje trago para vocês a resenha de um clássico da literatura inglesa que tive o prazer de ler em parceria com a Editora Pedrazul, parceira do blog. Trata-se de Shirley, romance da incrível Charlotte Brontë. Primeiramente, devo elogiar a estética desse livro. Não sou de falar disso em minhas resenhas, mas quando abri a caixinha em que Shirley estava, não parei de admirar o capricho da edição que está divina. A diagramação é muito elegante, tem ilustrações bastante bonitas e a capa condiz muito com a história. Sem dúvidas esta é uma das melhores edições deste livro em termos estéticos. E bem, agora falaremos da história propriamente dita.
Gostei muito de uma coisa que a editora Pedrazul fez: ela deu um subtítulo muito ousado ao livro "A história da órfã Caroline Helstone e da herdeira miss Keeldar" e melhor, apresentou uma defesa para tal subtítulo que me convenceu totalmente, uma vez que eu realmente prefiro a personagem Caroline Helstone.

A história de Charlotte, na época de sua publicação, não foi considerada tão boa quanto Jane Eyre, sua obra de maior sucesso. Porém, eu gostei muito de Shirley por conta desse caráter crítico apresentado pela autora, ela critica a sociedade Inglesa Vitoriana, fazendo uma homenagem a irmã, Emily, e representando muitas mulheres que viviam em condições parecidas com Caroline.
capa de Shirley pela Editora Pedrazul
O cenário da história é o condado de Yorkshire, mas a maior parte da história se passa no presbitério onde vive Mr. Helstone e a sobrinha, a propriedade do moinho de Hollow, onde vive miss Hortense e Robert Moore e o solar de Fieldhead, lar de Shirley Keeldar.
Caroline é órfã e vive com o tio no presbitério, é uma moça considerada bonita e viva, tanto que desperta a afeição de seus primos distantes da Antuérpia, Robert e Hortense Moore. A prima, por sentir-se um tanto solitária naquele país onde o irmão tinha a ambição de fazer fortuna, dedica-se a educar Caroline,  ensinando-lhe rigorosamente lições de francês. Robert, muito mais fechado e empenhado apenas no trabalho no Moinho de Hollow, vê em Caroline um ser frágil e encantador com quem pode ler Coriolano de Shakespeare em uma noite qualquer. Deste quadro aparentemente normal, poderíamos esperar harmonia, mas não é exatamente assim. Caroline é apaixonada pelo primo que, ao perceber tal sentimento, começa a repeli-la, fazendo-a sofrer imensamente. O ambicioso Robert não quer se envolver emocionalmente com ninguém por achar que isso é uma fraqueza e que ele deve focar apenas em restaurar o nome da família. Assim, torna-se um dos donos de fábrica de tecido mais odiado de todos os tempos, uma vez que o contexto histórico do livro remete as guerras Napoleônicas e a miséria que se alastrou por toda a Inglaterra.
Em meio a muitas discussões políticas e disputas por poder, retorna a Yorkshire a famosa herdeira Miss Shirley Keeldar, que é dona do moinho Hollow que mr. Moore arrenda. A fim de alegrar a sobrinha, o reverendo Helstone apresenta Caroline a Shirley, uma garota enérgica e imponente. Fascinada pelas maneiras de Caroline, miss Keeldar logo se afeiçoa a ela e com o tempo, tornam-se amigas inseparáveis. Shirley mostra novos horizontes a oprimida Caroline, levando-a a fazer descobertas sobre o seu misterioso passado que as torna ainda mais unidas, como irmãs. No meio desse afeto verdadeiro, apenas um assunto pode fazê-las irritar-se uma com a outra: Mr. Moore.
Um livro repleto de paixões, críticas sociais e mistérios ideal para quem gosta de uma literatura mais reflexiva e ao mesmo tempo deliciosa de ler. Eu devorei cada página do livro e só posso dizer que entrou para o hall dos meus favoritos, pois como já falei muitas vezes, o meu livro favorito é da outra irmã Brontë, o que demonstra que estas mulheres eram excepcionais.
Só achei que o começo é realmente um pouco mais lento e por isso demora um pouquinho para entrar na história, mas isso é uma característica da época, então digamos que é algo "clássico". As descrições são deliciosas de ler e sou suspeita, pois adoro romances de época, o que me fez derreter durante o percurso de Caroline em relação a Mr. Moore. O final é muito, muito digno e eu confesso que tive vontade de esganar certos personagens muitas vezes, mas isso é bom, pois prova que estive totalmente envolvida na trama.
Apenas gostaria de apontar que há algumas inconsistências na revisão, mas nada que vá afetar o seu prazer de ler, e tirando isso, o livro é perfeito. Indico muito e gostaria de agradecer a editora Pedrazul por dar-me a honra de desfrutar deste livro maravilhoso.
Fica o convite para você, leitor, também aventurar-se pelas páginas de Shirley e permitir-se se apaixonar como eu me apaixonei.
Fico por aqui, na companhia dos poemas de Chénier, e até a próxima!



Sinopse: Shirley é a história da órfã Caroline Helstone e da herdeira Miss Keeldar.Caroline Helstone é uma tímida e doce órfã que vive com seu tio, o reverendo Mr. Helstone, em Briarfield, Yorkshire, interior da Inglaterra. Sua mãe há muito havia desaparecido e seu pai morrido. Os dias na lúgubre casa sacerdotal passam lentamente, mas Miss Helstone é feliz, pois certa encantadora casa de campo, próxima ao Moinho de Hollow, é seu paraíso terrestre. Num morador dessa cottage ela deposita toda sua expectativa de vida. Apaixonada platonicamente por seu primo, Miss Helstone sonha em se casar com ele, mas uma desilusão acontece e ela vê seu mundo ruir. Por outro lado, a vivaz Shirley Keeldar, herdeira de uma grande quantidade de terra e fortuna, mal entra em cena e se torna a mais atraente das mulheres de toda a região. Proprietária de muita terra, todos os homens elegíveis do município, assim que souberam de sua chegada e de sua fortuna, lhe propuseram casamento, mas a herdeira guarda um segredo. Charlotte Brontë, cujo talento reside em explorar o drama psicológico do amor proibido, da perda e da busca pela identidade, nos presenteia com este comovente romance de duas órfãs e a trajetória da família Gerard Moore que, justamente quando o leitor pensa que já descobriu toda a trama, a autora se torna imprevisível. Em Shirley, Charlotte desafia as convenções, explorando os limites da justiça social, ao mesmo tempo contando não uma, mas duas histórias de amor.

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3 comentários:

  1. oi, vi que esse livro deu um burburinho na internet, já que muitas pessoas queriam uma nova edição desse livro que estava fora de circulação. Ainda não li nada das Irmãs Bronte e me sinto mal por isso, já que todos elogiam a escrita delas. Esse livro só conheci depois do tal burburinho, mas já fiquei ansiosa para lê-lo, já que retrata de duas personagens femininas que parecem ser fortes e um pouco diferentes das mulheres da sua epoca. Quero muito ler e já entrou na minha lista de desejados.
    bjus

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  2. Letícia, que resenha incrível! Eu ainda não li nada de Charlotte Brontë, mas tenho muita vontade de ler. Ontem mesmo eu estava procurando um pouco mais a autora e suas obras. Fiquei encantada com a forma que você descreveu esse livro, e já o adicionei na minha lista de próximas leituras.

    Beijos!

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  3. Oi Lê, tudo bem??
    Bom eu não leio mais tantos clássicos, mas eu gosto de ler resenha sobre alguns... porque posso anotar a dica, para algo futuro, afinal vai que me dê a louca haha... gostei do enredo... parece-me interessante avaliar o contexto das escrituras de certa época com as de hoje, mostrando a mesma época também... sempre percebo que tem pesquisas... e conhecimento, para que possa deixar o mais real possível ao leitor... eu gostei muito da capa... e fiquei bem interessada sobre a parte estética... sou dessas haha... xero!

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