Entrevista: JM Alvarez



Hoje vamos trazer para vocês a entrevista de um autor muito querido e que saiu do wattpad direto para as livrarias... Venham conosco conhecer um pouquinho mais de JM Alvarez.




Conchego: Conte-nos quem é JM Alvarez



JM Alvarez: Sou o José Manoel Alvarez, ou simplesmente JM Alvarez, nasci na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, em 14 de janeiro de 1957. Capricorniano, botafoguense e torcedor da Beija Flor, com muito orgulho. Casado e pai de três filhos já adultos. Formado em Administração de Empresas, trabalhei por 38 anos na área de vendas de uma multinacional fabricante de produtos de higiene. Em 2013, ao me aposentar, decidi não voltar mais a trabalhar formalmente, e passei a me dedicar a minhas grandes paixões, pela ordem, ler, escrever, desenhar e colecionar histórias em quadrinhos antigas.

Dos quatro aos oito anos vivi na Espanha com meus avós maternos, numa pequena aldeia rural próxima a cidade de Santiago de Compostela, que ficou famosa pelo Caminho de Santiago, divulgado por Paulo Coelho em seu livro Diário de Um Mago. Meus pais eram espanhóis e vieram para o Brasil na segunda metade da década de 1950 tentar a vida aqui, já que lá na Espanha as coisas estavam difíceis, pois vinham de uma sangrenta guerra civil. Em 1961 minha avó quebrou uma perna e escreveu para minha mãe pedindo que ela voltasse, pois queria a filha a seu lado enquanto se recuperava. Minha mãe me levou com ela e esta foi a primeira vez que andei de navio, treze dias de viagem até chegar lá. Ela ficou lá por dois anos e retornou ao Brasil, mas eu ainda fiquei na Espanha por mais dois anos, retornando depois ao Brasil já com nove anos.

Voltei ao Brasil falando apenas espanhol, o que dificultou um pouco minha adaptação à escola brasileira. De minha professora, Luzinete, neste primeiro ano falando “portunhol”, ganhei meu primeiro livro de histórias, O Esquilo Voador, que devorei em poucos minutos. Este foi o livro que despertou meu interesse pela leitura, o que me transmitiu o vírus do qual nunca mais me curei.

Conchego: Quando você percebeu que os mundos criados por você não cabiam mais dentro da sua imaginação e precisavam ter “vida própria”?

JM Alvarez: Desde a adolescência eu tinha um sonho de escrever um livro, e que, por inúmeros motivos nunca havia conseguido. Porém, há dois anos eu me aposentei e resolvi não mais trabalhar e dedicar-me aos meus hobbies favoritos: ler, escrever e desenhar. Amor Infinito surgiu com o titulo inicial de Almas Gêmeas. Sempre achei muito interessante este tema de almas gêmeas, que se reencontram em ininterruptas encarnações para viverem, ou não, um grande amor. Mas não é um livro doutrinário sobre reencarnações ou espiritismo. Falo muito rapidamente sobre essa questão. É um romance com muito amor e amizade. Quando resolvi escrever eu já sabia que o tema teria que ser almas gêmeas e estava fazendo o primeiro rascunho do roteiro quando li uma carta na coluna do consultório sentimental da revista dominical do jornal O Globo, que tinha uma questão que casava exatamente com o que eu pretendia escrever. Então resolvi usar aquele tema como o ponto de partida; um sentimento muito forte entre dois amigos, sendo que ambos eram comprometidos e amavam seus parceiros. Em seguida pesquisei na Internet e em livros espíritas sobre o tema almas gêmeas. E a partir daí eu fui criando as tramas paralelas e desenvolvendo os personagens e seu universo. Alguns deles são adorados pelas fãs, que em certa altura do livro ficam torcendo com quem o Gegê, personagem central, deva ficar.

Conchego: Dentro da cultura, algumas manifestações são mais bem vistas que outras, assim como alguns gêneros. Você já sofreu algum tipo de preconceito por conta do gênero que escreve?

JM Alvarez: Não sofri diretamente nenhum preconceito, a não ser o de que sou um homem escrevendo romances. Sempre tem comentários, até nas resenhas, do tipo “Embora seja homem ele escreve muito bem sobre o amor...”, coisas do tipo.

Mas, outra espécie de preconceito eu senti durante a divulgação do livro no Wattpad. Aconteceu algo que eu jamais achei que seria possível naquela plataforma, tamanha é a diversidade de temas lá publicados. 

Aconteceu quando eu cheguei no capítulo 13 do livro, quando uma das protagonistas, a Bárbara, passaria a compor um casal homossexual com a Luana, uma personagem que entraria na trama exatamente para isso, como aconteceu depois com o Renato Montenegro. Mas a repercussão entre as minhas amigas e as leitoras foi péssima. As leituras a partir daquele capítulo caíram muito e não chagavam a 30% da média de leituras que eu vinha tendo. E amigas disseram que estavam acompanhando, mas que não gostaram do fato dela ser gay. Eu estranhei muito, pois o povo vê isso diariamente nas novelas da TV e não sei que a Audiência deles tenha caído por causa disso. Realmente eu não esperava aquela reação. Então resolvi refazer esta questão, até porque eu não estava muito à vontade para escrever sobre o assunto, mas estava encarando como um desafio de autor. Reescrevi os capítulos 13, 14 e 15 que já estavam no Wattpad, introduzindo um personagem masculino para compor o casal. Depois disso as leituras começaram a subir novamente. Foi a única concessão que fiz ao escrever o livro. Mas se acontecer de novo certamente não vou mais fazer outra concessão, vou seguir o que estava planejado. 

Conchego: Quando nasce o título? E mais importante, como ele surge? Pesquisa, de dentro do livro, sugestão de alguém que está lendo? 

JM Alvarez: Comigo o título surge na fase inicial do livro a medida que vou montando o enredo na minha cabeça (eu raramente faço roteiros). Mas o título pode mudar, como já citei o caso de Amor Infinito. Porque também a trama do livro vai mudando à medida que eu escrevo. Ideias novas surgem ou personagens vão ganhando destaque e eu pego gosto por eles e os desenvolvo mais.

Conchego: De todas as personagens que já escreveu, qual seu favorito e qual gostaria de matar? 

JM Alvarez: Meu personagem favorito acabou sendo a Isaura, que deveria ter uma participação muito pequena no inicio do livro e depois ela me empolgou e acabou se apoderando do controle de meus dedos, fazendo com que eu escrevesse muito mais cenas para ela do que eu havia imaginado. Além do mais eu me diverti muito escrevendo as participações dela, muitas vezes ficava rindo enquanto escrevia. Quem eu gostaria de matar? Bem eu matei um deles na segunda fase do livro, ou pelo menos seu corpo foi usado por uma versão mais humana do que ele era. Mas não posso dar detalhes, pois seria um baita spoiler.

Conchego: Todo mundo tem uma rotina, mesmo que seja não ter uma, nos conte um pouco sobre a sua. Que horas é melhor para você escrever? Gosta de música ou prefere o silêncio? 

JM Alvarez: Eu não tenho uma rotina fixa, mas gosto de escrever à noite, quando não tem tantas distrações para nos tirar a concentração. Também não escrevo todos os dias, a não ser que o livro esteja um pouco atrasado, quando me esforço para escrever mais vezes. Eu sempre escrevo ouvindo música. No meu escritório quando escrevo sempre está tocando Marisa Monte, Elis Regina, Nara leão, Norah Jones, Diana Krall, Pink Floyd, Zé Ramalho, Paula Fernandes, entre outras. 

Conchego: Na hora da criação é “papel e caneta”, software de criação ou que tiver mais acessível?

JM Alvarez: Por incrível que pareça raramente faço anotações. Para o segundo livro precisarei fazer algumas anotações para não me perder nos entrelaçamentos do tempo e dos personagens, já que eu vou contar a história começando pelo final. Mas para o primeiro livro não fiz anotação nenhuma, o que me deixava confuso algumas vezes e tinha que voltar e partes já escritas para tirar dúvidas de alguns detalhes sobre os personagens. Mas para o segundo preciso manter um banco de dados com algumas informações importantes da linha do tempo, senão estou perdido. Rsrsrsrs.

Conchego: Seus livros nascem únicos ou séries? O que prefere, um livro único, mesmo que grande, mas que conte toda a história de uma vez ou série?

JM Alvarez: Eu prefiro livro único. No caso de Amor Infinito eu havia planejado inicialmente fazer três livros. O segundo seria com a fase de 1870 e o terceiro com Yara e Felipe no futuro. Depois resolvi fazer primeiro Amor Infinito e, dependendo da aceitação do livro, resolver se teria ou não continuação. Porém, a reação favorável das leitoras me incentivou a fazer um segundo volume. Depois vamos ver se terá o terceiro e último, ou se vou partir para uma história totalmente nova.

Conchego: Qual foi, até hoje, o momento de maior emoção, tanto positiva quanto negativa, que a literatura já te trouxe?

JM Alvarez: Sem dúvida nenhuma foi o dia da minha sessão de autógrafos durante a Bienal do Livro do Rio 2015. Eu ainda nem tinha visto o livro ainda, pois a transportadora atrasou a entrega, então só o vi na hora da sessão. Foi uma emoção muito grande, quase a de o nascimento de um filho. E aumentou ainda mais quando vi tantos amigos aguardando na fila para que eu lhe autografasse os exemplares. E culminou quando me dei conta que entre aquelas pessoas amigas, havia outras que eu nem conhecia pessoalmente. Até agora não tive nenhuma emoção negativa que mereça ser citada.

Conchego: Com a proximidade proporcionada pelas redes sociais e plataformas de compartilhamento, como é a convivência com os fãs? Eles influenciam a confecção de uma obra? 

JM Alvarez: Tem sido muito boa e prazerosa. Desde que comecei a publicar no Wattpad adotei a política de responder a todos os comentários deixados a cada capitulo. Dava algum trabalho, mas trazia muito prazer interagir com as leitoras. A mesma coisa acontece nas redes sociais. Procuro sempre atender e tratar a todos com carinho.

Influenciar, no meu caso eu já citei o que aconteceu no capítulo 13. Porém, foi motivado pela minha inexperiência de autor iniciante. Hoje eu não mudaria os personagens e continuaria seguindo o que eu tinha imaginado desde o início.

Conchego: Todo escritor gosta de ler, quais seus gêneros e autores prediletos?

JM Alvarez: Tive o meu primeiro contato com um livro de histórias, como se chamavam na época, aos nove anos, quando voltei da Espanha, onde tinha ficado desde os quatro anos. O Esquilo Voador foi o primeiro, o inicio de tudo. Depois conheci o maravilhoso escritor José Mauro de Vasconcelos, com seus livros Meu Pé de Laranja Lima, Rosinha, Minha Canoa, O Palácio Japonês e o Veleiro de Cristal. Mas o meu favorito sempre foi Erico Veríssimo, com O Tempo e O Vento, Um Certo Capitão Rodrigo, Ana Terra, Clarissa, Saga, Incidente em Antares, entre outros. Ele era um escritor genial.

Depois descobri os autores de ficção científica como Arthur C. Clark e Isaac Asimov, e os fantásticos romances de Edgar Rice Burroughs, contando mais de vinte e seis aventuras de seu genial personagem Tarzan, que integravam a antiga coleção Terramarear, da Companhia Editora Nacional. Também na adolescência descobri os romances mais “picantes”, como se dizia na época, de Cassandra Rios, Adelaide Carrasco, Harold Robbins e Henry Miller, lidos sempre às escondidas e trocados entre os amigos. Dos autores românticos e grandes contadores de histórias os meus preferidos são Sidney Sheldon e Nicholas Spark. Todos estes livros foram importantes para mim em determinado momento de minha vida.


Sinopse no skoob: Um romance que durará por três épocas distintas. Um homem dividido entre dois grandes amores. Um grande segredo escondido pelo tempo e que só será revelado no passado.
Num pen drive, encontrado escondido dentro de uma joia, é descoberto um diário, que nos revelará uma misteriosa história de amor.
Em 2060, Germano é um jornalista que vive no Rio de Janeiro. Ele acreditava ter encontrado a mulher de sua vida, Elisabeth, mas uma forte ligação, muito além de sua compreensão, o aproximou de maneira inexplicável de outra mulher, Bárbara, também sua grande amiga. O coração de Germano balançará, entre duas mulheres, pelas quais ele tem sentimentos tão intensos e conflitantes. A força misteriosa que tanto atrai Germano e Bárbara poderá fazer com que ele esqueça Elisabeth, seu grande amor. O sentimento desconcertante que esta mulher desperta em Germano é um perigo contra o qual Elisabeth terá que lutar se quiser que ele cumpra a promessa de ser o homem de sua vida.
Por isso, precisamos voltar ao passado para descobrir o que aconteceu antes, e que agora influencia tanto as vidas destes três personagens. Lá encontraremos as respostas para o que acontece com eles em 2060. E desvendaremos o mistério que é capaz de influenciar suas vidas tantos anos depois.
Revelado o segredo, você saberá por que este é um AMOR INFINITO.

Leia a resenha feita pelo blog clicando aqui (wattpad) e aqui (livro)



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9 comentários:

  1. Obrigado, Daya!
    Ficou ótima. O Conchego sempre divulgando a literatura nacional.
    Obrigado e um grande abraço.
    JM

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  2. Obrigado, Daya!
    Ficou ótima. O Conchego sempre divulgando a literatura nacional.
    Obrigado e um grande abraço.
    JM

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  3. Parabéns Alvarez!!!! Trabalhamos juntos na mesma empresa e fiquei muito orgulhoso da publicação de seu livro " Amor Infinito" e que venham muitos outros, muito Sucesso.
    Abraco
    Carlos Rossetto

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    1. Olá, Carlos!
      Sim, fomos dinossauros na mesma empresa. Rsrsrs.
      Muito obrigado por suas palavras.
      Grande abraço.
      Alvarez

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Ótima entrevista, parabéns!
    Interessante essa curiosidade em relação a Barbara, nunca pensei que havia mudado o comportamento da personagem por preconceito na plataforma do wattpad.
    Infelizmente o pessoal tem disso, preconceito idiota!
    Mas o bom, é que o livro ficou lindo, um amor!!!
    Eu li, recomendei a amigos, dei a amigos de presente, sorteei, kkkkkkkkkkkkkkk

    www.detudopouco.com.br

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    1. Olá, Silvânia!
      Obrigado por suas palavras.
      Realmente surpreendeu também a mim, esta rejeição que houve àquele casal que seria formado por Bárbara e Luana. Ainda mais porque as novelas do Globo estão todas cheias de casais homo afetivos.
      Grande abraço.
      JM Alvarez

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  6. Adorei a entrevista! Amo ver nossa literatura tão bem representada por essa maravilhosa equipe do Conchego. Parabéns pela parceria de vcs! ha um bom tempo que quero ler esse livro Amor infinito e a entrevista me fez querer ler o mais rápido possível! bjus

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    1. Olá, Fernanda!
      Obrigado por seu comentário.
      Então aproveita que ele está em promoção no Mercado Livre por R$ 29,99 já com frete inclusso. São as ultimas unidades da primeira edição com a capa cinza. Você recebe o livro autografado + um chaveiro metálico + cinco mercadores.
      http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-704670485-amor-infinito-_JM

      Grande Abraço
      JM Alvarez

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