Momento Cultura: Precisamos Falar Sobre o Kevin

That’s no point. That’s the point
(Kevin)
O FILME...

Título da obra: Precisamos Falar sobre o Kevin

Título Original: We need to talk about Kevin

Nome do autor: Lionel Shriver

Ano de produção: 2011




A curiosidade acerca de Precisamos Falar sobre o Kevin veio quando eu assisti um debate com um psicólogo que derrubou um dos meus melhores mitos: crianças não são más, elas apenas não têm filtro. Muito antes desse debate, alguns psicólogos já haviam modificado o termo sociopata para psicopata. De acordo com eles, a sociedade não tem o poder de transformar anjos em demônios.


Precisamos falar sobre o Kevin é um filme (livro) sobre psicopatia e serial killer. Mais do que isso, é um livro sobre quem sobrevive a essas tragédias. Sobre as famílias que ficam, sobre os pais dos assassinos.

Muito se fala sobre as vítimas, sobre a dor e a perda das famílias das vítimas. Mas... a família do assassino é também uma vítima. Pelo menos em alguns casos. Aqui somos apresentados a Eva (Tilda Swinton – confesso, tenho problemas com ela, mas toda atuação dela é digna de Oscar, ela não faz participação de luxo ou cumpre horário no set), mulher de Franklin (John C. Reilly – também fantástico). Ela é uma das maiores vítimas de toda a história.

O filme começa inquietante e a princípio as idas e vindas na linha temporal causam alguma dificuldade de compreensão para um espectador menos atento e acostumado apenas com blockbusters. Continue firme, o filme vale (muito) a pena.

Kevin, o filho mais velho de Eva e Franklin, em muitos momentos me lembra Damien – o menino de A Profecia. Para os espectadores fica claro que ele é do “mal”, não uma criança comum que faz arte ou apronta algumas traquinagens. Kevin é mau. A primeira grande luta de Eva é aceitar o filho. A segunda é conseguir amá-lo.

Lynne Ramsay, a diretora, mostra uma sensibilidade ímpar ao construir cenas duras e impactantes. A maneira como ela costura essas cenas também é fundamental para o desenvolvimento do filme. Não é linear, a narrativa vai e volta o tempo todo. Sim, isso causa alguma estranheza para quem não está acostumado com esse tipo de narrativa, mas essa é uma das belezas do filme.


Sinopse Adoro CinemaEva (Tilda Swinton) mora sozinha e teve sua casa e carro pintados de vermelho. Maltratada nas ruas, ela tenta recomeçar a vida com um novo emprego e vive temorosa, evitando as pessoas. O motivo desta situação vem de seu passado, da época em que era casada com Franklin (John C. Reilly), com quem teve dois filhos: Kevin (Jasper Newell/Ezra Miller) e Lucy (Ursula Parker). Seu relacionamento com o primogênito, Kevin, sempre foi complicado, desde quando ele era bebê. Com o tempo a situação foi se agravando mas, mesmo conhecendo o filho muito bem, Eva jamais imaginaria do que ele seria capaz de fazer. 

Já o livro...



Título da obra: Precisamos Falar sobre o Kevin

Título Original: We need to talk about Kevin

Nome do autor: Lionel Shriver

Nome da editora: Intrínseca

Ano da publicação: 2007

Número de páginas: 463





O livro de Lionel Shriver é basicamente escrito através das cartas que Eva escreve para Franklin. Ali, ela relembra como se conheceram, como foram os primeiros anos juntos, o casamento e a chegada da maternidade.

O livro deixa muito mais claro a sensação de culpa de Eva, sua falta de habilidade em conseguir amar o filho, que ela apenas pensava ser problemático. A narração de Shriver, sem o apoio visual bastante poderoso que o filme oferece, é ao mesmo tempo mais cruel e dolorosa que o filme. Porém, também é mais profunda, levando o leitor a meditar sobre qual é a relação entre aquela mãe e seu filho. O que a leva a, mesmo sentindo-se vítima e carrasca, continuar a se torturar com uma relação sem futuro.

Algumas das revelações feitas no livro não aparecem no filme. A melhor delas é ATENÇÃO! ALERTA DE SPOILER que Kevin não é doente e nem fez tudo por impulso. O menino de 16 anos que assassinou colegas e conhecidos premeditou meticulosamente todos seus passos. FIM DO SPOILER.

Inquietante e necessário. Um conselho: Assista antes de comer, porque algumas das cenas são bem fortes.


***
Sinopse do Skoob: Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassínio ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, o personagem Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos. (Skoob) 

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31 comentários:

  1. Apesar de abordar um tema complexo e bem interessante, este é um filme que eu não veria e um livro que eu não leria no momento, por conta de sua carga emocional forte demais!
    E essa capa do livro? Gente, isso é assustador, kkkkkkkkkkk
    Acho que eu não leria de forma nenhuma.A proposta do autor é interessante, mostrar o lado da familia dos psicopatas, já que sempre só se mostra a dor das vitimas deles.
    Parabéns pela resenha.

    www.detudopouco.com.br

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    1. Olá Silvânia, acredita que vi o filme sem saber sobre o que era?

      Surpreendeu-me. Tem sim cenas muitos fortes, mas é tão bom e analítico que acabamos por nem notar algumas das cenas mais "cruéis"

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  2. Nossa! Fiquei hiper curiosa! Cheguei arrepiar de vontade de ler esse livro e entender um pouco a mente de um psicopata. Entrou pra minha lista.
    Beijos..
    http://curaleitura.blogspot.com.br

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    1. Olá Nathalie,

      o livro é bom mesmo. Aconselho a assistir o filme depois.

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  3. assim que comecei a ler sua resenha já sabia que no final teria que decidir entre ler agora ou deixar um pouco mais pra frente o contato com a filme ou com o livro. Me interesso demais, porém estou em um momento onde preciso de um espaço emocional mais leve. já anotei sua dica aqui e em breve estarei dando minha opinião sobre o tema. Adorei sua resenha fala sobre questões essenciais da obra! *-*

    Valeu!

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    1. Vanessa, assisti esse filme em um momento péssimo da minha vida. Li o livro anos depois em outro momento conturbado. Reli para a resenha, felizmente em um momento tranquilo!

      Mas eu entendo, estou em uma época de não ler dramas rsrsrs

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  4. Eu sou doida pra ler esse livro, principalmente com essa capa que está ai rs. Mas é difícil achar ela pra comprar por um preço acessível haha. Acho a temática muito interessante, uma amiga minha leu e gostou bastante. Espero ter a oportunidade de ler ainda esse ano. Beijos da Sa!

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    1. Oi Sabrina, livro físico você pode tentar em sebos, alguns ótimos e confiáveis na internet. Ou se tiver leitor kindle, vivem fazendo promoção do e-book.

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  5. Adoro filmes assim e não o conhecia. Não sei se leria o livro, até porque ando lendo coisas mais leves e correndo de coisas inquietantes no momento, mas com certeza verei o filme, é menos tempo e com a mesma carga de inquietação e meditação sobre o assunto... rsrs... vlw pela dica!

    Raíssa Nantes

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    1. Olá Raíssa, acredita que é justamente o contrário?? O livro é bem menos inquietante que o filme.

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  6. Oi, eu ainda não li nem vi o filme, mas sei que ambos tratam de assuntos importantes dentro da psicologia e tenho certa curiosidade de ver. Em relação ao livro confesso que essa capa me dá medo e não suspeitava que Kevin fazia tudo premeditado, achei que era um problema psicológico, e isso me pegou de surpresa. Assistirei em breve o filme para saber melhor a historia.
    bjus

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    1. Olá Thatyane, não sou psicóloga, mas tem um estudo que prova que psicopatas são mais inteligentes que a média da população.

      O livro deixa a sensação que ele planejou, premeditou e pesquisou antes dos ataques.

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  7. Olá linda,
    Meu contato inicial foi com o filme que foi muito bem construído e elaborado pela equipe, porque demonstrou um ponto de vista sobre a obra. No filme vemos nitidamente uma mãe que se sente culpada pelas ações do filho. No livro tem um aprofundamento dessa culpa. Uma vítima e colaboradora dos problemas de Kevin.

    Beijos,
    poesiaqueencantavida.blogspot.com.br

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    1. Olá Joanice, bem por aí mesmo. Ela é a maior vítima dele.

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  8. Comprei esse livro há muito tempo, emprestei e não devolveram. O tema é muito inquietante, como pais não imaginamos que nossos filhos serão capazes de cometer atos tão cruéis, mas todo mundo é filho de alguém, não concorda? Para cada um na prisão, há uma mãe, assim como há sempre a mãe de uma vítima. Mas e para esses pais cujos os filhos podem ser tão monstruosos, como saber se erraram ou se foi fruto do acaso ou do destino? Ainda quero ler o livro... preciso obtê-lo novamente.
    Um abç,

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    1. Nossa mente é tão complexa que é difícil desvendar o que acontece por lá. Não é como o fígado que já entendemos como funciona e para que serve. Sem o fígado há mente, mais frágil, mas há. Sem a mente não há o fígado!

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  9. Olá!
    Muita gente já me falou desse filme e eu fiquei bem curioso para ver! Estou decepcionado comigo mesmo, desde o carnaval que eu não consigo ler/ver nenhum filme ou livro direito! A ressaca está brava, mas enfim... Esse está na lista tem um tempinho já! Tomar vergonha na cara e ver logo haha' Apesar de ter um clima bem tenso e não ser um filme qualquer, eu estou bem curioso.
    Abraço!

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    1. Amo "um filme qualquer", aquela coisa que depois do The End você não lembra nada sobre o filme.. rsrrs

      Definitivamente esse não é o caso do Kevin.

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  10. Oi Bel!
    Tenho muito vontade de ler o livro e depois ver o filme, mas ainda não tive a oportunidade. Me intriga justamente o que você falou no início da resenha, a gente ter que entender que nem todas as pessoas são boas, que existem pessoas más por natureza e que precisamos falar sobre elas. Enfiar embaixo do tapete não vaia resolver a questão.
    Bjs!

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    1. Pois é Nina, a maldade existe. Nem sempre são os psicopatas, mas ela está ali e é palpável, real, visível.

      Confesso que depois desse livro comecei a olhar para as pessoas procurando possíveis psicopatas rsrsrsrs

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  11. Oi Bel, que post arrasador ;)

    Pelo que li nos comentários acima eu devo ser a única aqui que já leu a obra e assistiu a adaptação, e é com grande satisfação que eu RECOMENDO ambos.
    'Precisamos falar sobre o Kevin' foi uma das minhas melhores leituras do ano passado, não vou dizer que foi fácil, pois a narrativa é um pouco trancada e demora para ganhar ritmo. Eu li antes de conferir a adaptação e agradeço muito por isso, pois caso contrário não conseguiria entender o início confuso do filme. A obra causou muita polêmica quando foi lançada ainda mais por se tratar de um assunto que na época vinha sendo muito frequente nos EUA, os massacres de adolescentes nas escolas.
    No decorrer da obra eu ia ficando cada vez mais com raiva do pai, um idiota que não queria enxergar a verdadeira essência de Kevin. E aquele final...meu Deus, fiquei com a maior ressaca literária da minha vida, pois o livro não queria sair da minha cabeça.

    Adorei a postagem, parabéns!

    Abraços

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    1. Olá Raquel, a princípio também odiei a imbecilidade do pai, mas depois comecei a perceber algumas coisas. A mãe era a vítima, o pai era a primeira plateia. Kevin só atormentava a mãe quando não tinha ninguém para comprovar. Não é que o pai não quis ver, ele não tinha o que ver. Quando teve era tarde...

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  12. Olá!

    Eu já li e assisti a adaptação e mais que recomendo!
    "Precisamos falar sobre o Kevin", foi uma das leituras mais fortes e melhores que li. Depois que terminei o livro, mais profundo que o filme, fiquei semanas sob o impacto dessa leitura. E acho que para entender mesmo o filme, recomendo a leitura do livro antes.
    Mexeu muito comigo.
    Adorei a postagem sobre essa obra.

    bjs
    Fernanda
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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    1. Olá Fernanda, o livro dá um sacode, né? Uma amiga grávida leu o livro e ficava assim: Não quero ter um Kevin!
      Muito louco, filme e livro.

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  13. Já sei que não vou conseguir ler por causa das cenas fortes. Simplesmente não tenho estômago. Uma vez li um livro com crianças psicopatas, chama-se Viva para contar, e ele derrubou mesmo para mim esse mito de que crianças não são más, apenas não têm filtro. Descobri que existem crianças más sim. Não sabia que existia o filme, vou tentar assistir.

    Beijo!

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    1. Ju, esqueça o filme, leia o livro, é menos visual! srsrs Menos impactante.

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  14. Oi, tudo bem?
    Não conhecia o livro nem o filme, mas confesso que me chamou muito a atenção, sempre quis ler algo do tipo, acho que já tenho uma boa indicação.

    http://mysecretworldbells.blogspot.com.br/

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    1. Olá Brenna, cuidado porque a ressaca depois do livro é grande. Ele começa difícil, mas o final gruda e precisamos de algo bem leve para "limpar" a história.

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  15. Bel, eu estou louca para ler essa obra. Realmente é um ponto de vista que costumamos negligenciar. Muitos culpam os pais, não entendem como eles puderam não saber... Mas, que pais sabem de tudo? Eles não são videntes e alguns filhos sabem esconder muito bem o que realmente são na frente de seus progenitores.

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    1. Mari,

      Kevin era de classe média alta, amado, cuidado. Não foi abusado. A "esquisitice" era dele, o isolamento vinha de dentro para fora. Somente a psicopatia pode explicar os Kevins do mundo.

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  16. Oioi! Tudo bem?
    Nossa, nao conhecia nada do Precisamos Falar sobre o Kevin e fiquei bem intrigada com a historia.
    O que o psicólogo disse tem razão, a criança nao tem aquele filtro q nos ja maduros temos.
    Fiquei bem curiosa com tudo, nossa. Acho que vou ficar tensa do inicio ao fim.
    Adorei a sugestao.
    Beijos.

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