Entrevista: Daniel de Carvalho


Daniel José de Carvalho é paulistano, nascido no bairro de Santana, em 1937 e surgiu como escritor durante as madrugadas de 2006, quando as lembranças da infância, o gosto por histórias de aventuras e o fascínio por personagens fortes, que conseguem superar grandes dificuldades, invadiram sua mente. Assim, foram ganhando vida a trama e os personagens de sua primeira obra, “Aconteceu no Século Vinte”. 

Escrever ficção surgiu como um caminho natural para quem fora, na infância e na juventude, um leitor voraz de Monteiro Lobato, Edgar Rice Burroughs, Julio Verne e Charles Dickens.

Suas andanças mundo a fora, motivadas pela vida profissional, o levou a conhecer diversas culturas, que estão presentes em suas obras.

Resenhas feitas pelo blog:

  • Duas Vidas (clique Aqui); e
  • O Francês (clique Aqui)


Vamos à entrevista:



Conchego: Quando você percebeu que os mundos criados por você não cabiam mais dentro da sua imaginação e precisavam ter “vida própria”?

Daniel: O desejo de escrever ficção foi surgindo aos poucos em minha vida, desde a infância.

Muitas vezes eu sentia vontade de escrever, entretanto, a vida sempre corrida não me permitia dar vazão a esse desejo. Durante uma madrugada de 2006, próximo dos meus setenta anos e com a vida já menos agitada, senti um forte impulso vindo de meu interior. Pus-me, então, a imaginar uma história. Pela manhã, tratei de desenvolver a sinopse do meu primeiro romance, o “ACONTECEU NO SÉCULO VINTE”. Ao fazê-lo, descobri um mundo novo de prazer e satisfação. Até hoje, continuo a escrever e atualmente estou terminando meu décimo romance, A MONTANHA DAS HARPIAS.


Conchego: Dentro da cultura, algumas manifestações são mais bem vistas que outras, assim como alguns gêneros. Você já sofreu algum tipo de preconceito por conta do gênero que escreve?

Daniel: Sempre gostei de todas as formas de manifestação da arte e da cultura, só fazendo distinção entre as obras que considero benfeitas e malfeitas.

Não, nunca sofri críticas preconceituosas quanto aos temas e conteúdos de meus romances, pois, embora eu aborde temas polêmicos em minhas histórias, procuro não deixar transparecer minhas opiniões pessoais. Diga-se de passagem que o meu quarto romance publicado foi “OS PRECONCEITUOSOS”.


Conchego: Quando nasce o título? E mais importante, como ele surge? Pesquisa, de dentro do livro, sugestão de alguém que está lendo?

Daniel: O título surge em minha mente, no mesmo momento em que surgem as primeiras ideias de um novo livro. Normalmente, mantenho esse título até o fim. Às vezes, sofre pequenas alterações para estar mais de acordo com a história ou para ser mais sugestivo. 


Conchego: Na hora de ler uma história, qual estilo de narrador te atrai mais, em primeira pessoa ou terceira pessoa?

Daniel: Como leitor, e como escritor, tenho ligeira preferência pelo narrador em terceira pessoa. Em algumas cenas do meu romance “ACONTECEU NO SÉCULO VINTE”, um personagem conta passagens de sua vida a outro personagem, então usei a primeira pessoa.


Conchego: Depois que começou a escrever, o que acha mais complicado dentro do meio literário?

Daniel: Creio que para a maioria dos escritores, as maiores dificuldades surgem depois que terminam de escrever, pois primordialmente somos sonhadores e imaginativos, e, nem sempre, temos conhecimentos e habilidades para negócios, ou seja, encontrar uma editora e comercializar nossos trabalhos. 


Conchego: De todos os personagens que já escreveu, qual seu favorito e qual gostaria de matar?

Daniel: Matar, matar... nenhum, pois gosto muito de todos eles. Agora, o favorito foi o “Lucius”, que aparece a partir do capítulo vinte e dois do romance “VILA CITRUS”. Ele é um “demônio”. Eu mesmo fiquei surpreso com ele!!!


Conchego: O enredo está pensado, as anotações no papel e livro sendo escrito, aí uma personagem se rebela e decide que não está gostando do rumo da história. Como controlar as personagens e subtramas?

Daniel: Essa situação sempre acontece comigo! O caso mais marcante está no meu romance “OS PRECONCEITUOSOS”, pois quase todos os personagens se rebelaram contra o escritor. Tive muito trabalho com eles. Vocês não vão acreditar, mas eles vinham visitar-me à noite para discutirmos os rumos da história...


Conchego: Todo mundo tem uma rotina, mesmo que seja não ter uma, nos conte um pouco sobre a sua. Que horas é melhor para você escrever? Gosta de música ou prefere o silêncio?

Daniel: As ideias vêm normalmente à noite ou quando estou sozinho. Depois do café da manhã, costumo colocar tais ideias em alguma ordem para depois usá-las quando estiver escrevendo o texto. O texto, eu gosto de escrever à tarde ou à noite.


Conchego: Na hora da criação é “papel e caneta”, software de criação ou que tiver mais acessível?

Daniel: Para criação, gosto de riscar e rabiscar listas e esquemas com lápis e papel. Muitas vezes, faço “sketches” dos cenários internos ou externos, objetos, mobílias e até do vestuário dos personagens. Acho que exagero um pouco nesse detalhamento, mas, fazer isso me dá muito prazer!


Conchego: Seus livros nascem únicos ou séries? O que prefere, um livro único, mesmo que grande, mas que conte toda a história de uma vez ou série?

Daniel: Vou, aqui, diferenciar entre uma mesma história apresentada em dois ou mais tomos, de uma série de histórias independentes, porém com os mesmos personagens.

Como leitor, prefiro livros em um único tomo. Porém, gosto de séries com os mesmos personagens principais. Por exemplo, a coleção de TARZAN, de Edgar Rice Burroughs. Li todos e alguns, mais de uma vez.

Até o meu oitavo romance, “O FRANCÊS”, cada livro foi único; sem continuação. Já, o livro de aventuras “A MONTANHA DAS HARPIAS”, que estou terminando de escrever, tem características que podem torná-lo uma série com os mesmos personagens principais. Será que faço isso???


Conchego: Qual foi, até hoje, o momento de maior emoção, tanto positiva quanto negativa, que a literatura já te trouxe?

Daniel: A maior emoção foi quando tive em mãos um exemplar do meu primeiro romance, o “ACONTECEU NO SÉCULO VINTE”.

A emoção mais contundente foi quando minha esposa faleceu enquanto eu escrevia o “JAMBALAYA”. Ela sempre gostou muito de ler romances em geral, mas, depois de um AVC, ela não conseguia mais ler. Então ela pedia que eu lesse meus romances em voz alta para ela. Ela estava muito curiosa sobre a história do Jambalaya, mas, infelizmente não houve tempo.


Conchego: Qual é o papel das redes sociais na sua vida de escritor?

Daniel: É um papel muito importante. Pois é através delas que divulgo meus trabalhos. Tenho um website, administrado pela Thais Turesso, que divulga meus romances e fornece os links para aquisição deles diretamente com as editoras e livrarias: www.danieldecarvalho.net/


Conchego: Todo escritor gosta de ler, quais seus gêneros e autores prediletos?

Daniel: De alguns dos autores abaixo, li diversas obras, mas estou indicando a obra de cada um que mais me impressionou.

  • Edgard Rice Burroughs                     Tarzan - Obra completa
  • Alexandre Dumas (pai)                     O Conde de Monte Cristo
  • Charles Dickens                               As Aventuras do Senhor Pickwick,
  • Franz Kafka                                     A Metamorfose
  • Sidney Sheldom                               O Outro Lado de Mim (auto biografia)
  • Machado de Assis                             Contos Fluminenses
  • Mark Twain                                      As aventuras de Tom Sawyer
  • Monteiro Lobato                               Caçadas de Pedrinho
  • Júlio Verne                                       Viagem ao Redor da Lua


Conchego: Com a proximidade proporcionada pelas redes sociais e plataformas de compartilhamento, como é a convivência com os fãs? Eles influenciam a confecção de uma obra?


Daniel: Aos poucos, vai crescendo o número de pessoas que me contatam por terem lido meus livros, ou lido suas resenhas. As observações e críticas dos leitores ajudam muito para que eu melhore meu trabalho.

Aproveitando, agradeço ao blog “CONCHEGO DAS LETRAS” e, em particular, à Daya Maciel por esta oportunidade. Abraços a vocês e a todos os seus seguidores.






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13 comentários:

  1. Oie. Daniel é bem culto. Parabéns pela entrevista.
    Nunca li nada do autor, me senti envergonhada até. Sério.
    Deve ser legal ter uma obra publicada. Já que ele disse que foi emocionante ter o primeiro exemplar da obra dele em mãos. Acredito que para qualquer escrito seja um momento único.

    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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  2. Olá Daya,

    O autor respondeu tão bem a sua entrevista que me senti concordando com seus pontos de vista, adoraria que ele escrevesse uma série, apesar de ser fã de livros únicos =D

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  3. Os livros dele devem ser excelentes, pois só a forma culta como respondeu as perguntas da entrevista, já me deixou curiosa para ler.
    Ele mostra um amor por suas obras. Cheguei a me emocionar com o que ele disse sobre a esposa, e por conta disso fiquei ainda mais a vontade de ler " Jambalaya"
    Ainda não li nenhum dos livros dele, mas vou mudar isso em breve.


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  4. Parabéns pela entrevista, bem interessante conhecer o autor um pouco mais, os livros dele eu só conhecia alguns, infelizmente não me interessa tanto, mas conhecer um pouco da visão dele sim.

    Abraço
    Books And Carpe Diem

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  5. Ah, que entrevista tão fluída. Muito boa mesmo, gostei de poder conhecer este escritor, no qual eu não tinha ouvido falar antes. Muito bacana as perguntas e as respostas bem pensadas.
    Parabéns! E sucesso ao escritor :)
    Beijos.

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  6. Oi Daya. Tudo bem?

    As entrevistas são boa para conhecermos um pouco mais sobre os autores e suas obras.Eu gostei muito porque não conhecia Daniel de Carvalho e fiquei interessada em ler três livros dele. Parabéns pela entrevista e muito sucesso para o autor.

    Bjos

    http://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com.br/

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  7. Gostei muito de conhecer um autor sobre o qual eu nunca tinha ouvido falar. Achei muito interessante quando pessoas que possuem uma boa bagagem cultural resolvem escrever, pois essas pessoas sempre têm muito a contar. Penso que, por isso, seus livros devem ser muito interessantes. Observei que os livros indicados pelo autor são de excelente qualidade, o que só depõe a seu favor.

    Tatiana

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  8. Oiiie
    É sempre legal saber mais sobre os autores nacionais e suas publicações, muito legal a entrevista

    beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  9. Oii, muito boa a entrevista. Ainda não conhecia o autor e nem seus livros, foi muito bom conhecer mais dele pela sua entrevista.

    Beijos

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  10. As referências de autores dele são muito boas, clássicos. Sua escrita parece meticulosa, e isso é ótimo. Vejo poucos autores assim. Adorei a entrevista.

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  11. Olá! Nossa, me deu vontade de conversar com ele, deu a impressão que conversar com ele deve ser super agradável! Gostei muito da entrevista, e mais ainda por ele escrever ficção :) Fiquei bem interessada nos títulos e vou pesquisar sobre eles! Beijos!

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  12. Ei, girls!
    Não conhecia o autor, mas já tinha lido alguma coisa sobre a obra. Adoro entrevistas, pois é uma chance extra de conhecer a pessoa que pôs as ideias em palavras. Concordo com ele, quando diz que a parte mais difícil de ser escritor é depois que terminamos o livro: negociar editora, montar imagens, ser vendedor, nem todos sabem, ou tem pique pra isso.
    Desejo sucesso ao autor! um beijo p vcs!
    Até + ver! Nu.
    As 1001 Nuccias | Curtiu?

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  13. Oi!
    Já tinha lido uma resenha do livor O Francês do Daniel José e gostei da historia e li a resenha de Duas Vidas que também achei a historia muito interessante e adoro o livro O Conde de Monte Cristo !!

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