Revisor, Beta ou Leitor Crítico



Com a popularização de plataformas de auto publicação de livros, algumas profissões estão em alta no mercado: designer de capas, leitor beta, leitor crítico, revisor. 

Opa, mais não é tudo a mesma coisa? 

Pois é, essa é uma confusão comum entre as pessoas, mas a verdade é que NÃO, não é tudo mesma a coisa.

"Mas então qual é a diferença tia Bel?"

Bem, a "tia Bel" explica... Vamos lá?



  • Leitor Beta


Já ouviu falar em versão beta de programas e jogos? Vamos partir do mesmo princípio.

Leitor Beta é a pessoa que lê o livro em primeira mão e colabora com o autor, tanto na criação de cenas (pois opina sobre o que gostou em uma cena ou o que gostaria de ver no futuro), quanto na construção de personagens.

Ele lê o livro junto com o autor e ajuda com coisas relacionadas ao enredo, como correção de rumo e de personagens de acordo com o gosto dele (e que isso fique muito bem frisado), o autor. A obrigação do beta, que geralmente é gratuito, acaba aí.

Um bom Beta fala a verdade para o autor, o mau beta só elogia o tempo todo e professa seu amor.

  • Leitor Crítico


Parece óbvio, mas ele critica. Isso mesmo.

Leitor crítico é a pessoa que lê a obra depois que o autor e o beta (caso o autor tenha usado algum) terminaram o livro. Ele não tem obrigação de corrigir nada no livro, o “dever” dele é mostrar ao autor onde o livro não funciona, onde tem que melhorar, o que está errado na lógica e no desenvolvimento. As vezes o livro é sobre culinária e o leitor beta não entendia a esse respeito e deixou passar incoerências (tipo colocar estragão em uma receita doce)... O leitor crítico irá avisar a incoerência daquela situação com a realidade, mesmo que a cena pareça linda e romântica.

Um bom leitor crítico consegue ler a entrelinhas, chegar onde o autor pensou ou tentou chegar. Principalmente, ele consegue mostrar tudo isso ao autor.


  • Revisor

Aqui o bicho pega. 

Revisor é a pessoa que todo autor tem vontade de matar e que os mais inseguros chamam de recalcado, infeliz e frustrado.

Um revisor é a última etapa da confecção adequada de qualquer tipo de texto: folder, flyer, livro, jornal, revista, bula de remédio... É o responsável por verificar a clareza das ideias, a coerência do texto, o português (inglês, grego, russo, armênio) bem usado e tudo isso respeitando o estilo de quem escreveu.

Bom, aqui preciso fazer uma pequena pausa, porque “respeitar o estilo de cada autor” e “dar coerência e fluidez ao texto” podem brigar. Se o autor escreve de uma maneira que prejudica o ritmo do texto é função do revisor alertar isso. Mesmo que para arrumar tal situação o autor precise mudar seu estilo de escrita.

Voltando... Um revisor não é sempre alguém formado em Letras, mas é uma pessoa que estuda a língua sempre, sem descanso. Ele pode até não saber explicar as regras, normas e exceções gramaticais, mas sabe usar para transformar um texto. Além disso, conhecer um pouco melhor a língua pátria e a gramática, o revisor é alguém que é viciado em ler. Boa parte dos revisores são autores. Por que? Simples, se ele sabe escrever, saberá mostrar para um autor onde a história não está funcionando ou onde está indo muito bem e como manter aquele ritmo, aquela cadência.

Uma diferença básica entre o leitor crítico e o revisor é que o primeiro lê e faz um relatório e seu trabalho acabou ali, enquanto o revisor debate, conversa, interage com o autor. É aí que é feita uma boa revisão, no saber ouvir e trocar ideias. O leitor crítico não precisa fazer isso.

Mas é bom deixar claro que o revisor não faz milagres e o autor pode simplesmente resolver ignorar todas as sugestões e correções sugeridas por ele, aceitando apenas a correção ortográfica e lançar o livro com todas as incongruências que foram apontadas pelo revisor como "devem ser alteradas/arrumadas/excluídas da história".

Minha opinião? Eu atuo nas quatro pontas desse quadrado: sou autora, sou beta de algumas amigas, sou leitora crítica e sou revisora. Cada vertente tem sua dificuldade.

Bem, por hoje foi isso. Espero que tenham gostado. Ah! Tia Bel, cadê a receita de terça-feira? É Natal gente, estou assando um peru!



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24 comentários:

  1. Bel,
    Muito obrigada pela explicação, ficou perfeita!!!
    Tadinha, exerce as quatro funções rsrs
    beijos e parabéns pelo post.

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    1. Daya, que bom que gostou. Fiz com carinho... Estou pensando em outra aulinha para a próxima postagem (segredo ainda!)

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  2. Adorei a postagem! Eu nem sabia sobre ser beta, e que existiam diferenças. rs Gostei de saber! Já li livros que me paracem sem nada, sem beta , sem leitor crítico e sem revisor.aff

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    1. Olá Bianca, eu também não imaginava que existiam tantas diferenças. Descobri quando essa coisa de "leitor beta" entrou na moda, fui pesquisar o que era e descobri que tem três funções diferentes, mas que se complementam.

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  3. Muito interessante esse post, nem sabia sobre as diferenças!
    Flor, vim convidar você para conhecer meu blog novo acho que você irá gostar!
    Seguindo aquii ~ Abraços!

    www.dreams-of-viih.blogspot.com

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  4. Amei, foi esclarecedor! Eu apenas escrevo e se não tivesse esse apoio, não sei o que seria dos meus livros rsrsrsrs... Parabéns a todos que fazem esse trabalho, melhorando ainda mais nossos textos! 😄

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    1. Escrever já uma arte. Ajudar os escritores é uma delícia, mesmo quando brigam, reclamam, dizem que não sabemos de nada, que somos invejosos, que queremos roubar sua luz! Já ouvi de tudo menina, mas continuo amando ser beta, crítica e revisora. É quase tão bom quanto escrever.

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  5. Você falou tudo guria, amei mesmo esse post, vou compartilhar hahaha

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    1. Compartilhe, compartilhe, compartilhe! rsrsrsrs
      Obrigada pelo carinho querida e seja bem-vinda.

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  6. Gostei da explicação, eu realmente não sabia das diferenças entre os termos. Que bom que você disse que pra ser um revisor não precisa necessariamente ser formado em Letras, porque tenho interesse mas acho que fazer Letras seria bem chato, haha.

    Achei lindo seu blog e já to seguindo!
    Virando Amor

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    1. Oi Carol, não tem que ser formado em Letras, apesar do que todo mundo grita por aí. Eu sou jornalista, para você ter ideia. O que precisa é estudar a língua, porque vamos combinar que português é complicado.
      Bem-vinda ao nosso cantinho, espero que curta nossas postagens.

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  7. Nossa, estava esperando este post, mas perdi o aviso no face. Bel, simplesmente adorei! Agora quem ler, independente de ser autor ou revisor/beta/, saberá o que esperar do outro!

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    1. Oi Deborah, eu acho importante usarmos nosso espaço para esclarecer essas dúvidas, ensinar algumas coisas que as pessoas confundem. Eu amo aprender e compartilhar esse conhecimento me ajuda a aprender ainda mais.

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  8. Muito legal a sua ideia de fazer esse post, Bel! São realmente coisas que muitos confundem e é ótimo ter isso tão bem esclarecido.

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    1. Mari, blog feio, google mal rsrsrs. Não recebi aviso que você tinha comentário seu aqui!
      Achei que como falamos muito de livros e escritores, precisávamos dar uma esclarecida no que cerca esse universo.
      Obrigada pelo elogio.

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  9. Adorei o post, parabéns pela clareza! ♥

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    1. Olá Giovana,

      Obrigada pela presença e pelo carinho, adorei saber que ajudei a esclarecer alguns pontos que nem todo mundo conhece.

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    2. Merece!
      Eu não conhecia mesmo, achei útil.

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  10. Muito legal, Bel. Bom pra entender as diferenças e o trabalhão que dá.
    Beijo
    www.viciadosemleitura.blog.br

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    1. E como dá trabalho Bianca. Principalmente com o acúmulo de funções.

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  11. Essas definições são um problema. Para mim, "beta" é o coitado que se propôs a ler o livro pra dar uma opinião, meramente. Seu diagnóstico se resume a "gostei", "não gostei", "adorei", coisas desse tipo. Ele é uma "amostra" do público, apenas isso.

    Quando o leitor passa a opinar - e com base, claro - sobre aspectos, digamos, técnicos, como os citados (coerência, ritmo, pontas soltas, etc), aí ele é um "leitor crítico". É como quando o editor lê um livro para saber se está bom para ser publicado, fica procurando todas as peninhas na história em si. A diferença é que o editor joga no lixo o que não estiver bom, e o leitor crítico faz um relatório e entrega para o autor.

    Quanto ao "revisor", não existe apenas um tipo, embora possam ser a mesma pessoa, dependendo da capacidade. Eu gosto de entender "revisor" apenas como o sujeito que verifica se o texto está corretamente escrito. É um "corretor ortográfico". Essa é a última etapa antes da diagramação. Mas, antes dela, e que o post classificou como "revisor", tem ainda outro profissional: o copydesk ou "preparador", como alguns chamam. Esse é o sujeito que corta palavras, advérbios, adjetivos. Ele, às vezes, reescreve trechos inteiros que estavam, de alguma forma,confusos. Esse sujeito se preocupa com a forma do texto e não se "exceção" está como "excessão". Por que? Pela natureza humana. Claro que se ele vê um erro crasso, ele o assinala, mas sua tarefa é fazer o TEXTO (independente do conteúdo) ficar BOM, se está fácil de ser entendido, se está fácil de ser lido.

    Então, a coisa ficaria assim:
    Autor escreve, de qualquer jeito.
    Beta lê, e vê se gosta da história.
    Crítico vê se a história não tem furos. O autor é que conserta o texto a partir das observações do crítico. Aí, o texto ainda fica "de qualquer jeito".
    Copydesk corrige o "qualquer jeito", produzindo um "texto bom".
    E o revisor vê se está corretamente escrito, de acordo com a gramática, etc.


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    1. Interessante sua explicação e quando eu era estudante de jornalismo, lá nos anos 1990 o capy já tinha caído em desuso, hoje nem mesmo as grandes editoras usam o copy, a função foi incorporada pelo revisor.

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  12. Ótima explicação, Bel. Ficou bem claro a função de cada um.

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