Entrevista: Mione Le Fay



Karina Burini, ou Mione Le Fay como é conhecida no meio literário, desenvolveu seu amor pelos livros desde pequena por influência da sua mãe, uma verdadeira rata de biblioteca.

Aos 9 anos Mione começou à escrever poemas e daí foi desenvolvendo para contos, roteiros até chegar nos estimados livros, onde não parou mais. Mesmo com a grande dificuldade de conseguir publicar suas histórias, Mione não desistiu.

Em 2015 venho a realização do seu sonho, escrevendo seu terceiro livro, Mione resolveu experimentar uma plataforma online para publicação, o Wattpad e graça à ele conseguiu sua primeira publicação.

O Equinócio foi de encontro ao público pela primeira vez no dia 03 de Setembro de 2015 na Bienal do Livro Rio, onde foi um grande sucesso, tendo esgotado uma das remessas, ainda na Bienal do Livro Rio Mione Le Fay teve sua primeira sessão de autógrafo no dia 13 de Setembro.

Os planos de Mione Le Fay vão além, com várias ideias para livros, ela vai continuar alimentando o seu sonho e correndo atrás, pois para Mione Le Fay, nem o céu é o limite.

Vamos à entrevista:





Conchego: Quando você percebeu que os mundos criados por você não cabiam mais dentro da sua imaginação e precisavam ter “vida própria”?

Mione: Acho que de certa forma, sempre soube disso, desde pequena tenho uma imaginação muito grande, sempre gostei de contar histórias e quando mais nova eu tive muitos professores que me influenciaram a isso me fazendo escrever diversas redações que eram bem elogiadas, minha mãe ajudou muito também porque mesmo as coisas idiotas que eu escrevia ela achava lindo rsss.


Aos 9 anos comecei a fazer teatro e isso me fez ficar menos tímida, todas as aulas no final tínhamos que improvisar uma esquete, então era sempre criando algo novo e mostrando lá para todos. Que eu me lembre, não teve um momento exato na minha vida que eu cheguei e falei "É isso, tenho que mostrar o que escrevo ao mundo", sempre foi algo natural.



Conchego: Dentro da cultura, algumas manifestações são mais bem vistas que outras, assim como alguns gêneros. Você já sofreu algum tipo de preconceito por conta do gênero que escreve?

Mione: Não exatamente, eu escrevo de tudo um pouco, só não escrevi hot (não ainda) e de certa forma eu nunca fui de me preocupar com a opinião dos outros sobre isso. Fui criada em um ambiente sem nenhum tipo de preconceito e aprendi desde cedo à não dar tanta importância ao que os outros acham, me importo na opinião dos outros sobre eu escrever bem ou não, agora sobre preconceito, nunca me liguei nisso, se sofri não percebi. 

Conchego: Quando nasce o título? E mais importante, como ele surge? Pesquisa, de dentro do livro, sugestão de alguém que está lendo? 

Mione: Normalmente o título para mim é a coisa mais difícil do mundo, eu tenho o livro montado e as vezes nada do título nascer, já mudei o titulo de um livro depois que terminei de escrever. O título assim como o livro nasce de forma natural, do nada na maioria das vezes, mas já tive que contar com a ajuda de amigos  dando palpites e dicas.

Conchego: De todas as personagens que já escreveu, qual seu favorito e qual gostaria de matar? 

Mione: Não se pergunta isso à um escritor, é a mesma coisa que perguntar à uma mãe qual o filho favorito, isso pode gerar uma guerra (tem uma acontecendo agora dentro da minha cabeça entre meus personagens discutindo quais são os meus preferidos). Mas okay, tenho dois personagens favoritos, que eu tenho uma facilidade maior de escrever com eles que são de livros diferentes, a Lauren do livro "O Equinócio" e a Beatriz do livro "Sob as Estrelas". 

Agora o personagem que eu gostaria de matar... Por enquanto são dois também a Ariel e o Macsen de "O Solsticio" que é a continuação do livro"O Equinócio". (Creio eu que alguns dos meus leitores irão concordar comigo)

Conchego: Todo mundo tem uma rotina, mesmo que seja não ter uma, nos conte um pouco sobre a sua. Que horas é melhor para você escrever? Gosta de música ou prefere o silêncio?


Mione: Meus dias são corridos então eu escrevo sempre que tenho um tempo na frente do computador, geralmente eu escrevo por volta de umas 20h que é o horário que eu chego em casa, tento escrever todos os dias, nem que seja apenas uma hora por dia, mas para não perder o ritmo, mas nem sempre isso é possível (sou meio turista em casa, quase não paro lá). 

Para escrever gosto de que esteja silêncio total, sem música, ou acabo me distraindo e escutando música e me perco no que estou escrevendo, uso música só para quando necessito escrever uma parte mais emotiva, daí utilizo a música daquela "cena" para pegar a emoção e escrevo. 

Conchego: Na hora da criação é “papel e caneta”, software de criação ou que tiver mais acessível?


Mione: Tenho um problema sério no pulso chamado onde o mesmo não se encaixa direito e por isso escrever muito no papel me dá uma dor muito forte, onde geralmente me leva a imobilizar o braço (sim, algo péssimo para uma escritora), por isso papel e caneta é complicado. Utilizo editor de texto comum como Writer ou Word mesmo. 

Conchego: Seus livros nascem únicos ou séries? O que prefere, um livro único, mesmo que grande, mas que conte toda a história de uma vez ou série?


Mione: Eu goste de ler série, porque me apego muito rápido aos personagens e ter apenas um livro para ler sobre ele é muito pouco. Para escrever, livro único é bem melhor, meu primeiro livro escrito era único, apesar de já ter começado uma trilogia "A Profecia dos Anjos", estou dando continuação a trilogia do Equinócio porque foi o que foi publicado. 

Agora sobre como nascem os livros, dependente muito do livro, o "Sob as Estrelas" que foi o primeiro eu sempre soube que seria volume único, a "Profecia dos Anjos" eu sempre soube que seria uma trilogia (na verdade quando comecei a escrever essa era a primeira coisa que eu sabia, que ele seria uma trilogia e o final de cada livro, não sabia o começo, mas o final eu sempre soube rsss), no caso do "O Equinócio" ele seria volume único, era um livro de teste para o Wattpad, eu estava testando a ferramenta quando ele ganhou vida (ele foi o único livro que escrevi sem pretensão de publicar), foi quando eu assinei o contrato e ainda não o tinha terminado (desde o começo do livro eu tinha a historia toda formada na minha cabeça, esse é o primeiro passo para eu começar a escrever um livro), o prazo para enviar estava acabando e foi quando veio uma iluminação divina me dizendo para fazer ele ter uma continuação, um livro dois, nesse mesmo dia eu descobri como seria o final perfeito dele e terminei o primeiro, o que foi maravilhoso eu ter dividido em dois, pois apenas após ele ficar pronto é que eu fui ver que ele estava "grandezinho" (O Equinócio tem 353 páginas) e se eu fosse até o final do que planejei ficaria muito grande (só para você ter uma noção eu estou no que considero ainda ser o começo do livro 2 e já tem cerca de 150 páginas) e livro muito grande as vezes tem sérios problemas para vender (tanto pelo preço quanto pelo tamanho, onde as pessoas se espantam). Por fim, depois que terminei de escrever "O Equinócio" e fui ajustar o roteiro do "O Solstício" (que é o livro dois), que eu percebi que tinha como ter um terceiro. Após um amigo meu ler e me fazer uma pergunta sobre uma parte do livro eu acabei tendo a ideia de fazer um spin-off, então "O Equinócio" que era para ser um livro se tornou uma trilogia com um spin-off.

Conchego: Qual foi, até hoje, o momento de maior emoção, tanto positiva quanto negativa, que a literatura já te trouxe?


Mione: Emoção positiva é fácil, a minha sessão de autógrafos na Bienal do Rio 2015, minha primeira sessão de autógrafos, foi um sonho se tornando realidade para mim, pois meus sonhos eram 1)Públicar meu livro 2)Sessão de autógrafo na Bienal do Livro Rio, os dois se tornaram reais ao mesmo tempo. Foi engraçado que em 2013 eu trabalhei como livreira na Bienal do Livro e disse para um dos meus amigos "A próxima vez que eu pisar na Bienal do Livro será como autora" dois livros depois e esquecendo dessa "promessa" lá estava eu entrando na Bienal no dia 06/09 com meu crachá de autora. A minha sessão foi um enorme sucesso, ver amigos meus por lá, amigos de adolescência, galera que nem curte ler comprando meu livro apenas para me ajudar, fila na sessão de autógrafo, meu livro acabando... Olha, foi algo que ainda me deixa sem palavras, ainda parece um sonho, algo fruto da minha imaginação, foi tanta correria no dia que apenas depois, quando fui ver as fotos que vi todo o trabalho maravilhoso que meu amigo fez no estande da editora para enfeita-lo para chamar atenção, só a lembrança disso me deixa emocionada, de verdade.

Agora emoção negativa... Bem teve uma coisa chata que aconteceu mas não tão voltada para a literatura, mesmo assim foi a única que me lembro que teve um pé literário no meio. Eu cresci lendo Harry Potter, a maior parte dos meus amigos da adolescência foi graças à Harry Potter, pessoas maravilhosas que conheci através de fóruns e listas de discussão. Uma dessas pessoas foi a Beth, eu tinha 17 anos, acabado de realizado um mega evento de Harry Potter (O Baile do Torneiro Tribruxo), faltavam 20 dias para meu aniversário de 18 anos quando recebi a noticia da morte dessa minha amiga, ela tinha se suicidado, não deixou uma carta, não deu motivos, um dia chegou triste em casa e simplesmente pulou da janela e fim. Fazem mais de 10 anos isso e até hoje eu ainda me pergunto o que a fez tomar aquela decisão, o que aconteceu. Não tem como, toda vez que eu vejo a cena do torneio tribruxo nos filmes ou leio algo, eu me lembro disso, então acho que essa é a unica emoção negatica que tenho recordação da leitura. 


Ler e escrever sempre foram minhas válvulas de escape, então não tem como ter coisas ruins.


Conchego: Com a proximidade proporcionada pelas redes sociais e plataformas de compartilhamento, como é a convivência com os fãs? Eles influenciam a confecção de uma obra?


Mione: É simplesmente maravilhosa, tem um grupo no WhatsApp que criei sobre o livro que foi lançado e lá a galera comenta sobre o livro, conto as ideias, peço opinião. Além de é claro no facebook onde fica a maior parte dos meus leitores e que vem me falar o que acharam, me xingar (sou um pouco malvada com os personagens), me ameaçar de morte. Mas é bem legal, eu ainda não sou famosa ao ponto de ter invejosos que me procuram apenas com críticas negativas, todos que falaram comigo só vieram me elogiar (mesmo os que me xingam e me ameaçam), então essa convivência com os leitores só tem dado bons frutos, tenho personagens que receberam os nomes de meus leitores como agradecimento, assim como eles me ajudam a decidir nome de outros personagens.



Conchego: Todo escritor gosta de ler, quais seus gêneros e autores prediletos?


Mione: Acho que leio de tudo um pouco, no momento estou em uma fase mais de leitura Jovem Adulto, até para me inspirar já que meus livros são desse gênero, meus autores favoritos são: Pedro Bandeira, J.K. Rowling, Marcos Rey, John Green, Marion Zimmer Bradley, Suzanne Collins, Marie Lu, Melissa Marr, Matthew Quick, Veronica Roth, Richelle Mead, Mauricio Souza, Thalita Rebouças... Vou parar aqui por enquanto... Porque se deixar fico aqui o resto do dia escrevendo.



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9 comentários:

  1. Ai que lindo!!!!! Olha sou eu lá!!! É minha foto!!!! Mãe, olha!!!! Estou no Conchego das Letras!!!!!

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  2. Que chique!
    Não a conheço pessoalmente e agora conheço graças a entrevista, adorei.
    Quero conhecer o livro dela.

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    1. Hey Bianca!!!!!! Espero que venha a gostar do livro :D

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  3. Parabéns ao Conchego por esta linda entrevista com a Karina.
    E desejo muito sucesso a esta jovem e talentosa autora que é Mione Le Fay.

    Abração
    JM Alvarez

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  4. Mihh ficou show a entrevista!!! Seu livro é perfeito, conheci através do wattpad, me apaixonei!!! É um enorme prazer fazer parte do grupo no WhatsApp, ter meu nome num personagem e melhor ainda, ter te conhecido pessoalmente com direito a livro físico e autógrafo!!! Mt feliz messsmo por vc! Te desejo todo $uce$$o do mundo e mts idéias para mts histórias! !! Bjubjubjuuu

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    1. Sua linda!!!! O prazer é todo meu, é otimo ter pessoas como você ao meu lado, me apoiando e me motivando. Obrigada de verdade. ;)

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  5. Parabéns pela entrevista e parabéns para a entrevistada que se saiu muito bem, viu? Adorei! Sucesso!!!

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