O Marco Leu: Sapiens - Uma breve história da humanidade



Título do Livro no Brasil: Sapiens - Uma breve história da humanidade
Título Original: Sapiens a brief history of humankind
Autor: Yuval Noah Harari
Editora: L&PM
Páginas: 464
Ano: 2014
 



O texto de hoje é sobre um livro diferente da maioria daqueles que leio e de todos os que aqui são resenhados. Diferente porque conta a história de um personagem, mas não é um romance. Esse personagem, como em todo bom romance, muda muito das primeiras páginas até as últimas linhas. Porém, este protagonista tão especial, não é uma pessoa e sim toda uma espécie: Homo Sapiens, a espécie que engloba este escriba e você que está lendo esta mensagem.

Conhecer os primórdios de nossa espécie e como ela deixou de ser um animal qualquer com impacto ínfimo no planeta para tornar-se dona do mundo, capaz de destruí-lo com o apertar de alguns botões, sempre foi algo que me interessou fazer, e foi por isso que fiquei muito feliz ao ganhar este livro, que nunca tinha ouvido falar, de presente de aniversário. Depois de investigar mais sobre a obra e o autor, soube o sucesso que ele anda fazendo, estando nas mais famosas listas de mais vendidos, sendo indicado por Mark Zuckerberg para ser debatido no clube do livro do Facebook.


Mas o que existe de tão especial neste título? O primeiro e mais importante é que o autor tem um conhecimento incrível de tudo o que fala, mas não tem medo de assumir sua falta de certeza em alguns pontos e seu total desconhecimento em outros. O segundo é que a mensagem é passada de forma bem simples e em nenhum momento é empurrada contra nossa vontade. Yuval Noah Harari é judeu, mas nem por isso tenta dar maior importância aos seus antepassados.

O texto é divido basicamente em três partes: 


  1. Revolução Cognitiva - aconteceu a 70 mil anos e fez com que nossos ancestrais sobressaíssem frente as outras espécies humanas (sim!!! Como hoje existem várias espécies de baleias, ursos, raposas, cavalos, também existiam outras espécies  humanos).
  2. Revolução Agrícola - aconteceu por volta de 12 mil anos foi quando começamos a criar raízes abandonando a vida de cacador/coletor;
  3. Revolução Científica - iniciou pouco antes de 1500 e transformou o homem num animal que busca o conhecimento como forma de se sobrepor frente seus iguais e não tem medo de admitir que é ignorante. Ele vai abandonando crenças antigas que não são cientificamente comprovadas. A partir daí suas invenções e descobertas são cada dia mais incríveis. 
Porém nem toda essa evolução se transforma em benefício ao humanos. Claro que no quesito "multiplicação" a nossa espécie  se saiu muito bem obrigado. Mas será que que este monte de pessoas vive melhor hoje que a 30.000 anos? O livro compara muito bem nossas várias épocas e nos faz refletir sobre  como ocupamos nosso tempo e  esforços. 

No início temos muitos dados biológicos e antropológicos, com o passar das páginas e a evolução da espécie humana conhecemos os primórdios da história e sua evolução até os dias atuais; o que facilita entender o animal que somos hoje. No geral, pode-se dizer que o livro é sobre filosofia pois assuntos bem controversos como religião, capitalismo, imperialismo, homossexualismo e outros são expostos de forma simples e realista a ponto de mudar muito dos meus conceitos. Afinal isso é uma coisa que todo bom livro deve fazer, certo?!

O fim meio profético e assustador aponta algumas mudanças necessárias para a manutenção de nossa espécie, coroando um livro que consegue, como um todo,
fazer você entender, e ser, um homo sapiens melhor.


***
SINOPSE DO SKOOB: "Harari é brilhante [...] Sapiens é realmente impressionante, de se ler num fôlego só. De fato, questiona nossas ideias preconcebidas a respeito do universo." (The Guardian)
Um relato eletrizante sobre a aventura de nossa extraordinária espécie – de primatas insignificantes a senhores do mundo.
O que possibilitou ao Homo sapiens subjugar as demais espécies? O que nos torna capazes das mais belas obras de arte, dos avanços científicos mais impensáveis e das mais horripilantes guerras? Yuval Noah Harari aborda de forma brilhante estas e muitas outras questões da nossa evolução.
Ele repassa a história da humanidade, relacionando com questões do presente. E consegue isso de maneira surpreendente. Doutor em história pela Universidade de Oxford e professor do departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém, seu livro não entrou por acaso nas listas dos mais vendidos de 40 países para os quais foi traduzido.
Sapiens impressiona pela quantidade de informação, oferecida em linguagem acessível, atraente e espirituosa. Tanto que, na primeira semana de lançamento nos Estados Unidos, já figurava entre os mais vendidos na lista do The New York Times.
Em Sapiens, Harari nos oferece não apenas conhecimento evolutivo, mas também sociológico, antropológico e até mesmo econômico. Ele se baseia nas mais recentes descobertas de diferentes campos como paleontologia, biologia e antropologia. E, especialmente para a edição brasileira, realizou algumas atualizações no final de 2014.
Esta edição traz dezenas de imagens, mapas e tabelas que o deixam ainda mais dinâmico.

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4 comentários:

  1. Marco, que ótima resenha. Taí um livro que não havia cogitado ler antes. Gostei da divisão em três etapas, da ressalva de que haveriam outras espécies de seres humanos que, por estarem menos desenvolvidos não conseguiram sobreviver (nunca havia pensado nisso e faz todo o sentido).

    Achei ainda mais interessante a questão do autor não "puxar a sardinha" para o lado da religião dele. É raro vermos as pessoas conseguindo separar crença particular da história em si.

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    1. Valeu pelos elogios! ele narra muito bem a saga de nossa evolução. Ja Era oq eu queria ler, e me apresentou muito mais. Vc já tá tinha ouvido falar dele Mari?

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  2. Os Seres Humanos gostam de pensar que a História deles é a História do mundo, só que estamos aqui há pouquíssimo tempo (isso levando em conta "apenas" a Idade da Terra que tem cerca de 4,5 bilhões de anos, se for pensar na idade do Universo é a nossa História é um período desprezível) e quando deixarmos de existir, por alguma catástrofe qualquer, mais seres existirão e se adaptaram ao novo planeta, tal qual os dinossauros seremos apenas restos de uma outra época.

    Por isso livros como esses são interessantes, mostram como somos apenas animais que evoluíram para pensar, diferente das outras espécies mas ainda apenas animais.

    Concordo com você, apesar de não defender nenhuma escola de pensamento, é um livro de filosofia, a antropologia é uma ciência muito filosófica porque busca a responder uma das questões centrais de todo pensamento filosófico "quem somos".

    Então, parafraseando a Mari, que ótima resenha, e que maravilhosa indicação de leitura. Parabéns.

    Abraços,

    Alessandro Bruno
    www.rascunhocomcafe.com

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  3. Grande Ale

    Quanto a insignificância da humanidade. O autor fala muito bem sobre isso inclusive diz duvidar q o Sapiens, q já viveu 200 mil anos, consiga alcançar os 1,5 milhões do homo erectus. pensei em escrever um parágrafo sobre isso mas o texto ficaria muito grande.

    A parte da antropologia e da filosofia nos diz bem "quem éramos " e da uma preocupante do que seremos.

    Abraços e se for ler me avisa tô louco pra discutir o livro.

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