Resenha: Há sempre um amanhã – Anita Notaro



Título do Livro: Há sempre um Amanhã
Autor(a): Anita Notaro
Idioma: Português de Portugal
Editora: Quinta Essência
Páginas: 468
Ano: 2012



Sabe aqueles livros que você não dá absolutamente nada por eles? Há sempre um amanhã, da Anita Notaro, entrou assim na minha vida. Uma amiga leu, disse que achou “chato, lento e arrastado, sem emoção e com romance chinfrim”. Fui lá conferir e surpresa... Não vai receber o Nobel de Literatura, mas é bom.

É a história de duas irmãs gêmeas – Alison e Lily -, órfãs de mãe, com uma tia super fofa e um pai que ninguém merece – ATENÇÃO MOMENTO SPOILER: não sei porque já que a autora não explica!

Ali e Lily são gêmeas idênticas. Fisicamente falando, já que Lily é tímida, enrolada, desastrada e acomodada. Alison é o oposto da irmã, uma pessoa para cima, alegre, que encara os desafios de frente e não tem medo da luta.

OK Bel, tudo muito bonitinho, cadê a história?


A história começa com uma tragédia. Alison morre. Eu não entendi bem a cena – sério, sem zoação. Mas ela estava caminhando na praia com o filho, a maré subiu, ela entrou em pânico e morreu. Na minha opinião, a autora poderia ter desenvolvido melhor a morte da Alison. Ela é importante para caramba na história.

Beeel, por que a Alison é importante na história?

Lembra que falei que as meninas são órfãs de mãe e que o pai é maluco? Alison é a mais velha e depois que a mãe morreu, ela assumiu o papel de cuidadora da irmã mais nova – por minutos apenas, porém mais nova. Ali se tornou o amortecedor entre a vida real e a pequena, encrenqueira e sonhadora da Lily. E ao longo da história, mentira no início do livro, fica claro que esse comportamento da irmã mais velha deixou Lily acomodada. Afinal de contas, para que me esforçar se minha irmã vai dar um jeito em tudo?

A morte de Alison é o catalisador das mudanças na vida de Lily, é aqui que digo que o livro me pegou. Ele não é autoajuda, ele não é fofo, ele não é romance com homens lindos e conquistadores. É a história do cotidiano, de perdas, dor e sofrimento. De momentos em que nossa vida dá uma sacudida tão grande que ficamos perdidos. E é a história de nos reinventarmos.

Anita escreveu uma história linda, sem vilões, sem mocinhos, sem monstros. Usou o lado lúdico da vida para criar uma fábula. Mostrou que melhores amigos, irmãos, escondem segredos também, mesmo que você tenha dificuldade em acreditar nisso. 

Posso falar dos problemas? Claro, sem reclamação não é uma resenha da Bel. O livro é grande e longo – calma que é rápido de ler. A Anita poderia ter feito um livro menor, com menos idas e vindas, mas ter explicado melhor algumas coisas, como o relacionamento das meninas com o pai, ou o motivo do pai não gostar de uma das meninas. O livro é ótimo e essas informações não fazem (muita) falta, mas EU queria saber, EU queria mais explicações, mais detalhamento.

Ah! E para quem não lê livros sem romance... Esse também tem. Alguns pedaços são românticos, alguns engraçados. E um especial.

***

Sinopse do Skoob: A maior parte das pessoas consegue lembrar-se de um momento decisivo na sua vida. Uma fração de segundo quando o tempo parou e a vida mudou para sempre. Para Lily Ormond, esse momento chegou ao fim de um dia, quando foi abrir a porta e descobriu que, enquanto estava a esmagar alho e alecrim e assistir a telenovelas, a sua irmã gémea Alison se tinha afogado. Foi difícil conciliar-se com a perda da única irmã e melhor amiga, e mais ainda tornar-se mãe de Charlie, o filho de Ali com três anos de idade, mas descobrir que a sua irmã gémea levava uma vida secreta havia anos quase destruiu Lily... E assim começa uma viagem relacionada com quatro homens que tinham feito parte de uma vida que ela nem sabia existir. Uma viagem que obriga Lily a reconciliar-se com a memória do pai que nunca se importou realmente com ela, com uma criança que precisa muito de si e com uma irmã que não era o que parecia.


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10 comentários:

  1. Oiii...
    Eu nunca li um livro desse jeito, eu acho que essas perguntas que ficaram sem respostas iriam acaba me incomodando. O fato da autora escrever um livro com problemas do condidiano e não fantasiar e muito interessante.
    Ótima resenha, parabéns.

    Beijinhos.
    kah Fernandes.

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    1. Oi Kah, eu pensei em escrever a autora e pedir as explicações que me incomodaram. Queria entender melhor o motivo do pai não gostar da Lily. Ser filha de outro homem é impossível porque ela e a irmã são gêmeas idênticas. Então eu entendo bem essa coisa de falta de informações ser um ponto muito negativo. Mas experimente o livro, é bem interessante,
      Obrigada pelo elogio, escrevi com carinho.

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  2. Gosto de histórias assim, que são mais reais, e que tem todo aquele drama familiar.
    Esse seria um livro que eu leria sem problemas, até porquê adoro um drama.
    Gostei da forma que você escreveu a resenha, como se fosse um diálogo, um questionamento, sei lá, rsrsr
    Beijokas!

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    1. Leninha, amei seu nick. Atualmente, boa parte das mulheres anda pensando que ser romântica é um tipo de crime!
      O livro é ótimo, de verdade, e a autora acaba nos envolvendo na história da Lily, mimada, preguiçosa e super protegida pela irmã, mas que tem que crescer na marra.

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  3. Bel,
    Não conhecia, mas parece ser uma história bem comum.
    Tenho uma irmã que é tipo Lily e sempre fico preocupada.
    Você como sempre arrasando, parabéns!
    beijosss

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    1. A Lily é linda, forte e guerreira, só que nunca precisou colocar as garras de fora, a irmã sempre fez isso por ela.
      O livro é apaixonante...

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  4. Olá! Tudo bem? Realmente, eu não daria nada pela capa. Ela não me chamou atenção. Num primeiro momento até poderia pensar que era um livro de auto-ajuda rsrs
    Eu gosto de mais... ação. Então acho que iria dizer o mesmo que sua amiga disse “chato, lento e arrastado, sem emoção e com romance affz” kkkkkkk
    Mas que bom que você gostou. Falei que iria visitar seu blog e aqui estou. Gostei bastante. To seguindo e vou ficar acompanhando sempre que possível.
    Beijos

    Academia Literária DF

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    1. Obrigada Luciano. Você acertou em cheio, o livro é auto-ajuda. Mas não é estilo O Segredo e essas baboseiras que encontrarmos por aí. Se bem que acho Shakespeare auto-ajuda, tudo depende da ajuda que você precisa no momento...
      Ele realmente é lento e arrastado, principalmente no começo, quando a autora apresenta TODAS as personagens. Porém depois disso o livro vai te conquistando, vai ganhando força e mostrando a evolução da Lily. Experimente, talvez você se surpreenda!

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  5. Ui, chega arrepiei. Parabéns pela resenha, Bel.
    Já coloquei na lista para ler... Já me deparei com livros desse estilo (irmãs gêmeas e uma delas acaba morrendo)... Alguns me decepcionaram, outros não, mas darei uma chance a esse!! Admito que fiquei curiosa, ainda mais que o romance não é um foco na história!
    Beijinho.
    Cacá.

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    1. Torcendo aqui para você gostar. Depois me conta, tá?!
      E obrigada pelo elogio!

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