Momento Cultura: Sir Arthur Conan Doyle. Muito mais que o pai de Sherlock!!!

Sir Arthur Conan Doyle é com certeza um dos maiores incentivadores de meus hábitos literários. Na minha juventude tive uma amiga com uma grande biblioteca em casa que possuía vários livrinhos de uma coleção antiga do Sherlock.



Desde o primeiro livro lido não consegui me manter na realidade e entrei fundo no mundo de mistérios incríveis resolvidos por um personagem ainda mais incrível! Suas histórias eram rápidas, cheias de crimes dos mais variados tipos, e como a resposta de tudo vinha sempre no final, eu perdia um bom tempo tentando descobrir o culpado - confesso que quase nunca conseguia. Por fim Holmes explicava os crimes, e o modo como elucidava fazia tudo parecer simples, elementar!



Depois de alguns anos sem ler nenhuma das histórias do Dr. Watson, comprei alguns livros de uma coleção mais atual e da mesma forma fui engolido pelos mistérios sherlockianos. Tão fascinado estava que ganhei de presente, de uma pessoa muito especial, todos os 56 contos e os 4 romances em volume único. Claro que o hiper-calhamaço era difícil de ler ou carregar por aí. Mas as histórias estavam em ordem de publicação e eu li todas de uma vez. Depois desse livro, meu conceito sobre o personagem Sherlock Holmes, e seu criador, subiram à níveis altíssimos.

(Existe um post no blog sobre Sherlock Holmes, veja aqui)

Pra quem lê essas histórias, é fácil se encantar com esse herói um tanto estranho. Difícil é entender como Doyle, um legítimo cavaleiro da rainha, foi capaz de matar (ou seria assassinar?) o tão querido Sherlock Holmes. Aquele que tirou Dr. Arthur do anonimato de uma carreira médica mediana e o gravou na história da humanidade. Eu tentava inutilmente compreender isso, pra mim Sir Arthur deveria ter gasto todos os minutos possíveis de sua vida para escrever as histórias do detetive. Como eu poderia viver com todos os futuros anos de minha existência sem nenhum crime inédito desvendado magistralmente? 

Foi com esse pesar que um tempo depois acabei encontrando num sebo, dois pequenos livros, de sua autoria, de contos de "mistério e terror" . Comprei na hora com o pensamento, "contos de mistérios ele com certeza sabe fazer, mas com terror junto?" Iniciei a leitura no mesmo dia e foi com grande felicidade que conheci o tremendo escritor que Doyle era.  O conto "O Gato Brasileiro" é o melhor conto de terror que já li!!! Aliás já o li umas 3 vezes. Não existe nada de sobrenatural, o medo se dá através da situação criada, e o final é surpreendente. Uma obra prima que deixou minha adrenalina aumentada, um estímulo gigantesco para meu cérebro; todas aquelas sensações novas e inesperadas que buscamos ao ler um livro você encontra neste pequeno conto. 

Depois dessa surpresa fui procurar saber mais sobre o Sir Arthur e descobri que ele foi muito mais do que médico e escritor. Ele também foi um esplêndido esportista (boxe, futebol, esqui, críquete, bilhar, corrida de carros foram esportes em que ele se destacou), famoso inventor (salva-vidas, capacete de aço e o método de impressão digital por gipsita foram suas invenções mais conhecidas), trabalhando até de detetive (auxiliando  a Scotland Yard) nas horas vagas. Depois de tudo isso, Sir Arthur Conan Doyle começou a frequentar a mesa de meus autores preferidos.

Por estar nesse patamar, não pensei duas vezes ao comprar, mais uma vez num sebo, um outro livro seu de contos, este "Do Ringue e de Guerra".  Por ser pugilista e ter trabalhado um ano na marinha inglesa Doyle demonstra um pouco de suas vivências em contos muito bons e "O Pote de Caviar" tem um final terrível, no bom sentido é claro. Com este livrinho descobri que o tema desse texto também havia escrito livros de ficção histórica, fantasia, aventura e até piratas! Foi devido um texto seu, defendendo o lado inglês em uma guerra na África do Sul, que ele recebeu o título de cavaleiro da rainha. Devido a uma série de mortes consecutivas em sua família, começou a conhecer e posteriormente escrever sobre o espiritismo. Seus últimos livros foram sobre o assunto e buscavam expor e defender a doutrina adotada por Doyle.

Se você realmente leu o texto até aqui e não ficou só vendo as figuras, já deve saber que fiquei encantado, mas não espantado, ao encontrar, umas semanas atrás (dessa vez num site de e-books) "O Mundo Perdido", um livro em que Doyle narra as aventuras num local onde os dinossauros não foram extintos. A obra se parece com as façanhas narradas por Júlio Verne. Um grupo de homens viaja ao Brasil (sim, Doyle demonstra conhecer bem nosso país, citando até a lenda do curupira) para comprovar a existência das criaturas jurássicas ainda vivas. Mais uma vez o escritor surpreende e cria uma obra fantástica com aventura, ciência, medo, comédia e uma pitada de romance.


Foi depois desta obra, e foi por isso que vim correndo escrever este texto, que consegui descobrir o motivo do assassinato de Sherlock por seu criador. Elementar meu caro leitor, Doyle sabia que poderia escrever ótimas obras sobre os mais variados assuntos. Conhecia seu potencial e queria explorá-lo ao máximo sem ter a sombra de sua maior criação. Hoje, depois de conhecer melhor sua vida e obra, consigo inocentá-lo pelo assassinato mais cruel da literatura de mistérios, pois entendi que Sir Arthur Conan Doyle é muito mais que o pai de Sherlock Holmes.

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6 comentários:

  1. Eu nunca li livros dele. Eu confesso que gosto muito de livros assim... que eu sempre me surpreenda no fim... livros que engolem agente. Porem, sempre gosto de pelo menos uma pitada de romance. Nada de terror, nem espiritismo. Mas adorei saber as novidades! Beijos

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    1. Olá Andreza!
      Todos os livros dele me produziram esta sensação de ser engolido, onde abandonamos a realidade. O finais dele são sempre bons também. A parte dos romances é que ele fica devendo um pouco hehehehe
      Obrigado pelo comentários. Abraços!

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  2. Preciso assumir que nunca li os livros dele. Vi filmes com o persinagem, conheço algumas histórias, mas ler... Ainda não. Seu post me fez ver que preciso remediar essa "falha".rs

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    1. Estou me acostumando a ler "nunca li" em comentários de textos meus aqui do blog. kkkkk É bom saber que se um dia for ler histórias de mistério lembre do Sherlock. De preferência para "O Estudo em Vermelho" que conta o início da amizade de Holmes e Watson e da uma descrição bem legal do detetive!

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  3. Nunca li nenhum dele. Por varias vezes disse que ia ler e sempre coloco outro na frente. mas com um post tão bom assim,não tem como não ler. adorei o post

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    1. Uma pessoa tão incrível com Doyle merecia muito mais que esse meu amontoado de palavras, mas obrigado pelo elogio ao texto. Os livros deles são tão fininhos e rápidos de ler que vc nem vê o tempo passando. Aposto que irá gostar. Abraços

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