Leituras da Mari: Fahrenheit 451



Título no Brasil: Fahrenheit 451
Título Original: Fahrenheit 451
Autor(a): Ray Bradbury
Editora: Editora Globo
Ano: 2010
Páginas: 216


 
Mais um livro de distopia que está nas prateleiras mostrando ao mundo que a ignorância não leva ninguém a lugar algum, que o ser humano precisa interagir mais um com o outro e realmente fazer uso de sua “humanidade”.

A premissa do livro é nos mostrar o que aconteceria em uma sociedade sem livros. Ou melhor, onde os livros eram considerados perigosos, quase como uma praga, ou uma doença, e por este motivo deveriam ser incendiados como forma de "prevenção para a humanidade". Quem fazia esse papel eram os "bombeiros" locais, responsável não por apagar o fogo, mas por causa-lo ao incendiar livros e mais livros.


Tudo se inicia com o avanço tecnológico e com as pessoas se voltando cada vez mais para seus televisores e aplicativos de comunicação instantânea do que se comunicando de verdade no dia a dia. Também nos é mostrado que a preguiça foi fazendo com que as pessoas abandonassem mais e tudo que lhes exigia um pouquinho mais de esforço, seja ele físico ou mental, e com o tempo tudo virou informação mastigada - e relativamente inútil -, em uma sociedade de pessoas culturalmente ignorantes e desapegadas do mundo e de si mesmas.

Resultado de imagem para fahrenheit 451 editora globoÉ possível identificar isso claramente em Millie, a esposa do personagem principal, Guy Montag, que é tão vidrada na tecnologia que mal tem ideia do que está acontecendo ao seu redor. Ela dá mais importância para o que suas paredes televisivas falam do que ao que o seu esposo fala. E olha que ela nem entende direito o que as paredes falam, pois falam todas ao mesmo tempo.

A história é contada do ponto de vista de Guy, um bombeiro extremamente dedicado ao seu trabalho e que nunca questionou o que fazia, ao menos até conhecer  Clarisse. E antes que você se anime... Não, Clarisse não é a futura amante dele e nem seu par romântico. Ela é sua vizinha e uma criança.

Porque Clarisse é tão importante na vida dele então? Porque ela é questionadora e faz a ele perguntas sobre o sentido da vida e da profissão que ele exerce, levando-o refletir a respeito. Ela também ressalta as belezas da natureza, como é boa a sensação da chuva e do vento, a mudança do cheiro do ar nas diferentes estações; coisas que Guy nunca havia parado para prestar atenção.

De repente Clarisse desaparece e Guy acaba se rebelando contra a política que dizia que aquela menina maravilhosa que ele conheceu e que o ensinou a pensar era, na verdade, má e perigosa ao bem da humanidade. Ele começa a "salvar livros" e a lê-los, aprendendo mais sobre o mundo do que jamais havia imaginado ser possível... Mas isso é crime e se ele for denunciado coisas muito ruins podem vir a acontecer com ele.

Resultado de imagem para fahrenheit 451 editora globoO que o livro tem de ruim: é bastante linear, sem momentos surpreendentes e de fortes emoções. É quase como ler um artigo científico, fatos lhe são apresentados de uma forma mais leve ou mais pesada e você vai digerindo o conteúdo; a grande diferença dele para um artigo científico é que esse é um livro de ficção, logo os fatos apresentados são fatos ficcionais.

O que o livro tem de bom: O tema é maravilhoso! Uma sociedade que deseja a felicidade com tanto afinco que perde o foco do que ela possa realmente ser, no meio do isolamento e da ignorância acaba confundindo apatia com felicidade.


Fahrenheit 451 é um livro que trata de conceitos profundos como o que é realmente a felicidade, até que ponto podemos confundir ignorância e isolamento com alegria, qual a real importância dos livros para o desenvolvimento da mente e alma do ser humano, entre outros... Se formos olhar apenas pelos temas que trata, exclusivamente - ignorando a velocidade e emoção ou falta dela da narrativa -, merece fácil no mínimo 4 estrelas e é por isso que dei essa pontuação para ele. 


***

Sinopse do Skoob: A obra de Bradbury descreve um governo totalitário, num futuro incerto mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instaladas em suas casas ou em praças ao ar livre. O livro conta a história de Guy Montag, que no início tem prazer com sua profissão de bombeiro, cuja função nessa sociedade imune a incêndios é queimar livros e tudo que diga respeito à leitura. Quando Montag conhece Clarisse McClellan, uma menina de dezesseis anos que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo, ele percebe o quanto tem sido infeliz no seu relacionamento com a esposa, Mildred. Ele passa a se sentir incomodado com sua profissão e descontente com a autoridade e com os cidadãos. A partir daí, o protagonista tenta mudar a sociedade e encontrar sua felicidade.

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2 comentários:

  1. "com o avanço tecnológico e com as pessoas se voltando cada vez mais para seus televisores e aplicativos de comunicação instantânea do que se comunicando de verdade no dia a dia. Também nos é mostrado que a preguiça foi fazendo com que as pessoas abandonassem mais e tudo que lhes exigia um pouquinho mais de esforço, seja ele físico ou mental, e com o tempo tudo virou informação mastigada - e relativamente inútil -, em uma sociedade de pessoas culturalmente ignorantes e desapegadas do mundo e de si mesmas."

    Parece uma descrição de nossa sociedade hoje - medo desse livro ser profético!

    Como sempre, uma ótima resenha, parabéns Mari!

    Abraços,

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    Respostas
    1. Obrigada Alessandro! Sinceramente, acho que se não tomarmos cuidado podemos sim acabar daquela forma. E o ato de queimar livros como forma de "bitolar o povo" não é uma "novidade" do livro, já ocorreu em vários lugares, embora nunca nessas mesmas proporções (ainda).

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