Leituras da Mari: Criança 44



Título no Brasil: Criança 44
Título Original: Child 44
Autor(a): Tom Rob Smith
Editora: Record
Páginas: 434
Ano: 2008



Sabe aquela capa que prende teu olhos e aquela sinopse que diz "você tem que comprar esse livro"!? Pois é... esse não foi o caso. Li Criança 44 única e exclusivamente porque era o livro do mês em um dos grupos de debates de livro que participo e eu não participava dos debates daquele grupo já havia uns dois meses e eu estava me sentindo mal. rs.

Minha sorte, pois até que é bom! O livro nos apresenta uma história policial e de suspense, mas também fala muito de crescimento pessoal (principalmente pela parte de Liev).



Tive uma relação de gostar e sofrer de tédio com esse livro que ficaram quase que em patamar de igualdade.


Liev é o personagem principal, um agente da MGB que, juntamente com Raíssa, irá tentar desvendar uma série de assassinatos de crianças ao longo de uma parte da Rússia, na época de Stálin. Em sua tentativa de impedir que esse assassino fique a solta, lutará contra tudo e contra todos - inclusive seu governo e suas próprias certeza.

Mas estou me adiantando muito aqui... espera. Voltemos. Logo nas primeiras páginas somos apresentados à opressora União Soviética de 1953. Liev era um dos agentes do Departamento de Segurança e cumpria todas as ordens que lhe eram dadas sem nunca questionar. A falta de questionamento dele não era por medo do sistema voltar-se contra ele, nem nada do gênero, era por realmente ter uma fé cega naquele sistema e acreditar nas "verdades" que lhe eram apresentadas e não ver nenhum mal no leva "os fins justificam os meios, independente de quais meios sejam esses".


Ele é casado com Raíssa, uma espécie de "mulher modelo" pura e simplesmente porque um bom soviético precisava constituir família e nada mais. Quer dizer, claro que a beleza dela ajudava muito, mas fora isso...


Com um início forte, tratando de questões emocionais, psicológicas e até mesmo filosóficas e ideológicas, esse livro tem um imenso poder de mostrar a que ponto o ser humano é capaz de chegar em situações de desespero, por convicções incutidas na mente da pessoa ou por pura ganância. 




Apesar de inicialmente ser difícil compreender como esse livro gerou uma sinopse tão instigante na contracapa ou aqui no Skoob, com o tempo as coisas vão se encaixando e fazendo mais sentido. É sério gente, não desiste, eu garanto que o título vai fazer sentido! Principalmente do meio para o final você finalmente percebe que estava, sim, lendo o livro certo e que a sinopse era pra ser aquela mesmo.


Nessa "bela sociedade" não existe assassinatos porque "isso é coisa das sociedades ocidentais moralmente decadentes". Quando um dos agentes da MGB alega que seu filho foi assassinado, o sistema ordena a Liev que vá levar "senso" à ele e à família dele, com a justificativa de que a dor do luto deve estar afetando a razão do "pobre homem que agora fica a falar sandices". E Liev vai, porque acredita no sistema e acredita que não existem mais assassinatos.



Quando outros assassinatos começam a surgir, entretanto, fica bem mais difícil para ele fechar os olhos e aceitar as "desculpas" do sistema de que todas aquelas mortes com o mesmo modo operando seriam apenas meras coincidências, acidentes desconectados ou culpas de pessoas isoladas influenciadas por culturas moralmente decadentes; se recusavam a aceitar que as mortes poderiam estar conectadas porque "não já assassinatos na União Soviética" e a hipótese de serem causadas por um assassino em série então estava totalmente fora de cogitação.


Com o tempo o autor irá nos apresentar uma brilhante associação entre as mortes e o motivo que as originou. Muito interessante!



A essa altura você deve estar se perguntando "Mas e o tédio de que você falou?" . Bem, meu tédio é algo bem pessoal e foi gerado apenas pelo fato do cara ser estilo Highlander. Algumas escapadas até são críveis, mas várias delas são simplesmente muito inverossímeis pros meus neurônios. Não estou dizendo aqui que o cara fica ileso a tudo e nem se sai ou não vivo da história, estou dizendo apenas quem em várias das partes que ele efetivamente escapa há um exagero imenso no grau de dificuldade apresentado sendo a cena do uso do dente e do corpo a pior delas, na minha humilde opinião.

Em resumo, acabo dando 4 estrelas para ele por ser diferente do que eu esperava e ousado em virtude da ambientação e tema escolhidos.



Ah, antes que eu esqueça! Esse livro faz parte de uma trilogia chamada Trilogia Liev Demidov, sendo O Discurso Secreto o livro 02 e Agente 6 o livro 03.

Criança 44 virou filme agora em 2015, tem 137 min e é dirigido por Daniel Espinosa. Os únicos traillers que achei não possuem legenda em português, mas pra quem quiser... tem legenda em inglês.





***


Sinopse do Skoob: O romance é baseado na história real do assassino em série russo Andrei Chikatilo, também conhecido como o Estripador de Rostov, que foi o responsável por 52 assassinatos na União Soviética. Além de destacar o problema da criminalidade da era soviética, em um estado onde "não há crime", o romance também explora a paranoia da época, o sistema de educação, o aparato da polícia secreta, orfanatos, a homossexualidade na URSS e o descaso com os hospitais psiquiátricos. O livro é a primeira parte de uma trilogia. A segunda parte é chamada de O Discurso Secreto e também apresenta o personagem de Liev Demidov e sua esposa, Raíssa Demidova.


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2 comentários:

  1. Mari,
    amei a resenha, você como sempre arrasando!! Vou procurar pelo filme e adorooo esse estilo!!
    beijoss

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    1. Obrigada Daya! É um livro até bem interessante. Quase um
      CSI em livro.rs

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