Momento Cultural: O Exorcista


Direção: William Friedkin
Ano: 1973
Gênero: Horror (classificação do site IMdB)
Elenco: Linda Blair (Regan MacNeil), Ellen Burstyn (Chris MacNeil), Max von Sydow (Padre Merrin), Jason Miller (Padre Karras), Lee J. Cobb (Tenente Kinderman), Kitty Winn (Sharon), Jack MacGowran (Burke Dennings), Peter Masterson (Diretor do Hospital

Antes de entrar na resenha propriamente, preciso contar minha experiência com esse filme. Vamos lá:

  • Não lembro bem o ano, mas a primeira vez que passou O Exorcista na televisão eu queria assistir. Queimou um transformador no bairro, com isso meu bairro foi o único a ficar sem luz. A falta de energia durou exatamente o tempo do filme.
  • Anos depois, meu então namorado me convenceu a tentar ver o filme. Fomos até a locadora – nem imagina o que é isso? É um lugar onde alugávamos fitas VHS (avó do DVD) – e pegamos uns quatro filmes, O Exorcista entre eles. Pipoca, pizza, refrigerante, cama quentinha e namorado fofinho. Dois filmes sem problemas. Saímos, fomos dar uma volta, ver o por do sol. Quando fomos assistir ao filme, lá pelas oito da noite, a fita enrolou no cabeçote do videocassete (nem sabe o que é isso também? É o aparelho que reproduzia as fitas VHS) de tal maneira, que tivemos que levar a um técnico para que ele desse um jeito.
  • Quase uma década depois resolvi que iria tentar assistir ao filme novamente. “Superstição é o cacete. Vou ver isso de qualquer jeito”, pensei. Aluguei o DVD – isso foi antes da internet e sites para download de filmes se tornarem populares, voltei para casa alegre e saltitante. Fiz pipoca, peguei uma garrafa de guaraná, um balde de gelo e fui para o quarto. Finalmente, finalmente vou conseguir assistir O Exorcista. Liguei a televisão, o aparelho de dvd, fechei as cortinas e caminhei – de costas para a tevê – até a cama para me aconchegar. Quando viro de frente para a tevê, ela estava pegando fogo.
Bom, vamos falar do livro e do filme e de quebra saber algumas lendas que cercam os dois antes que meu computador exploda?

Em 1971 William Peter Blatty lançou o livro onde ele contava a história de Regan McNeil, uma adorável garota, filha de uma atriz, e que é possuída pelo demônio. Dois anos depois William Friedkin dirigiu o filme que é um dos mais citados e imitados da história do cinema. E que é cercado de lendas e mitos. 

Desenvolvendo um pouco mais a história do livro – que eu li umas cinco vezes, já que assistir ao filme se tornou mais uma lenda que o cerca.

Durante o lançamento do filme The French Conection (Operação França), o diretor William Friedkin foi presenteado por Blatty com uma copia de seu livro, que por conta do conteúdo polêmico estava gerando um grande alvoroço. Tudo porque falava sobre uma garotinha encantadora que do nada começa a apresentar um comportamento para lá de perturbador.

Friedkin gostou da sinopse e quando chegou em casa pensou “Um capítulo, vou ler um capítulo”. Horas depois ele já havia lido as 340 páginas e se sentiu tão aterrorizado e fascinado pelo livro que não pensou duas vezes, procurou Blatty e pediu que ele escrevesse um roteiro. Friedkin via um grande filme pulando das páginas do livro para as telas de cinema de todo mundo.

O problema é que o autor do livro não entendeu a proposta do amigo e não fez uma adaptação de sua obra. Blatty então voltou à máquina de escrever e produziu o roteiro que o amigo queria. Mais um problema? Claro, estamos falando de O Exorcista. Depois do roteiro pronto e de Blatty “vender” o projeto para um grande estúdio, os executivos não queriam Friedkin como diretor. Depois que os três primeiros cotados pele estúdio se recusaram a assumir o projeto, os executivos não tiveram escolha e deram de presente para Friedkin.
E assim a história de Regan MacNeil, uma adorável menina de 11 anos que se transforma em um demônio, literalmente ganhou vida.

O livro começa durante uma escavação arqueológica no norte do Iraque, onde o padre Merrin encontra uma estátua do demônio Pazuzu (mitologia suméria, tem uma representação dessa estátua no Museu do Louvre), um presságio de perigos a serem enfrentados. No mesmo momento em que a estátua é encontrada,  a doce Regan fica doente e inexplicáveis distúrbios de poltergeist começam a acontecer na residência de Chris e Regan. Depois de levar a filha a vários médicos, Chris apela para um padre jesuíta, Damien Karas, que além de padre é psiquiatra. Onde a ciência falha, Karas finalmente vê que o que Regan tem é uma possessão demoníaca.

E chega porque já foram muitos spoilers. Então vamos para a parte divertida da resenha, os mitos e lendas.

O primeiro mito é que a história do livro de Blatty teria sido baseada em fatos reais, de um exorcismo registrado em 1949. Bom, não que seja 100% mito, mas não é uma afirmação completamente real. Realmente houve um caso, em 1949, no Estado de Maryland, EUA, em que um menino foi exorcizado. Pois bem, em 1999 um repórter esmiuçou a história e concluiu que sim, houve um menino chamado Ronald, que foi exorcizado, mas que o caso dele não deu origem ao livro de Blatty.

Lendas? Claro, temos algumas. A primeira é com relação às mortes que cercam os sets de filmagem, atores e equipe técnica. No filme (que eu não vi), a personagem do ator Jack MacGowran é a primeira vítima a morrer, ele é arremessado de uma escada pela Regan possuída. Uma semana após gravar sua última cena MacGowran efetivamente faleceu. Vítima oficial de pneumonia. Max von Sydow, entrou no set para começar a gravar e recebeu a notícia que seu irmão havia morrido. A esposa de um dos assistentes de câmera sofreu um aborto espontâneo. O técnico responsável pela refrigeração do cenário do quarto de Regan, morreu de maneira inexplicável. O vigia noturno do set foi baleado e morreu. Um carpinteiro cortou fora seu polegar e outro o dedão do pé. Ao todo foram oito mortes envolvendo pessoas diretamente ligadas ao filme.

Uma das minhas lendas prediletas é a do incêndio no set de filmagem. A história oficial diz que o set inteiro pegou fogo e teve que ser reconstruído. O único cenário que não queimou foi o do quarto de Regan. Cinéfilos garantem que uma torradeira entrou em curto na sala de descanso dos atores e que a Warner, estúdio que produziu o filme, aumentou a história para conseguir mais mídia.

O Exorcista foi o primeiro filme de terror a concorrer ao Oscar de melhor filme. Não levou, perdeu para The Sting.


Mais uma curiosidade, e nessa eu sempre me confundo. A música original do filme é Tubular Bells, do argentino Lalo Schifrin, certo? Sim e não. Lalo realmente escreveu um tema de piano chamado Tubular Bells para o filme, mas Friedkin achou que era fraca. Lalo então vendeu a trilha para a produção do filme de “A casa do Terror”, de 1979 e foi indicado tanto ao Oscar de trilha sonora, quanto ao Globo de Ouro. E a música do filme é... Tubular Bells de Mike Oldfield. Podem procurar no youtube, as duas músicas são iguais, mas completamente diferentes.

E vou encerrar a resenha por aqui, porque meu computador já travou seis vezes e tive que reiniciar o word umas quatro vezes. Ah! Enquanto revisava essa resenha eu quebrei um dente...



Sinopse Adoro Cinema: Em Georgetown, Washington, uma atriz vai gradativamente tomando consciência que a sua filha de doze anos está tendo um comportamento completamente assustador. Deste modo, ela pede ajuda a um padre, que também um psiquiatra, e este chega a conclusão de que a garota está possuída pelo demônio. Ele solicita então a ajuda de um segundo sacerdote, especialista em exorcismo, para tentar livrar a menina desta terrível possessão.

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4 comentários:

  1. Bebel vim prestar minha solidariedade a vc. afinal queimar o transformador do bairro bem na noite de assistir o tão esperado filme,a fita enrolar no cabeçote do videocassete, a TV pegar fogo já e azar de mais rsrsrsrs
    eu assisti o filme era adolescente e juro vc não perdeu nada. A parte que mais me lembro e da menina deitada em cima da cama e ela passa muito tempo lá na minha opinião. A que mais me chocou quando ela vira a cabeça, ela deveria ter levado o Oscar viu. kkkk desculpa spoiler rsrsrs
    Muitos filmes de terror tem essas lendas,já viu o corvo? o filho do Bruce Lee foi baleado numa das cenas do filme, e no lugar de balas de festim pra surpresa de todos e infelicidade dele que morreu,era bala de verdade.
    Não entendo porque vc ainda arriscou a fazer fazer esse post. Foi testar o Poltergeist,quebrou o dente snifff

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    1. Bruce e Brandon Lee devem ter a própria franquia de mitos, lendas e infortúnios, a história da morte do Brandon é mais bizarra do que se conta. Mas ele não foi o único ator a morrer com um tiro durante as filmagens. Tem outro caso, que foi muito famoso nos anos 1980 e eu chorei uma semana por conta disso e na semana seguinte me apaixonei por outro ator (mistério, senão perco um post rsrsrsrs).
      São tantas lendas em torno dos filmes e atores que dá para montar um blog só sobre isso...
      Obrigada por apoiar meu mito particular Fernanda!

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  2. Muito legal seu texto Bel. Ainda mais legal foi vc contar essa sua experiência. Daria um ótimo filme baseado em fatos reais. Quanto ao filme acho que vc não deve arriscar mais sua vida tentando vêr, até pq ele não tem nada demais.

    Abraços

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    1. Mas não é verdade Marco? Sou quase uma lenda ligada ao filme.
      Nunca fui muito fã de terror, não vejo graça, mesmo amando Stephen King. Mas depois da segunda tentativa frustrada de assistir O Exorcista, os amigos começaram a me tentar fazer ver o filme e sempre acontece alguma coisa! A verdade? Não tenho vontade nenhuma de ver.

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