Resenha: A Revolta de Atlas Vol.I



Título no Brasil: A Revolta de Atlas - Volume 01
Título Original: Atlas Shrugged: Part I
Autor(a): Ayn Rand
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
Sinopse do Skoob: Na mitologia grega, o titã Atlas recebe de Zeus o castigo eterno de carregar nos ombros o peso dos céus. Neste romance de Ayn Rand, os pensadores, os inovadores e os indivíduos criativos suportam o peso de um mundo decadente enquanto são explorados por parasitas que não reconhecem o valor do trabalho e da produtividade e que se valem da corrupção, da mediocridade e da burocracia para impedir o progresso individual e da sociedade. Mas até quando eles vão aguentar? 'A revolta de Atlas' está dividido em 3 volumes de 352, 384 e 496 páginas.
  
De início não estava muito animada para a leitura deste livro. Ele não é nem tão antigo assim em termos de última edição (2010) e já me foi considerado uma leitura completamente atual, inovadora, envolvente, surpreendente. Imagina se levássemos em consideração o fato de ter tido sua primeira publicação em 1957!?

Este livro chegou ao Brasil pela primeira vez apenas 30 anos depois, com o nome de 'Quem é John Galt?', uma pergunta que será muito encontrada ao longo deste volume e que me agoniou desde sua primeira aparição. Com seu "novo nome", retorno às origens do nome em inglês Atlas Shrugged, não havia como compreender a importância dessa pergunta para o contexto que nos estava sendo apresentado, mas mesmo assim ela gritou aos meus olhos e imediatamente quis saber a resposta.
Consegui o milagre de esperar 114 páginas. Até que meu personagem favorito, Francisco D'Arconnia, a pronunciou. Nesse momento eu tive certeza que havia algo mais, não resisti e fui procurar nos sistemas de busca da internet. Se fiz certo ou errado tomando essa iniciativa, não sei. Só posso garantir que a descoberta para a resposta mudou um pouco a minha visão da história, tirou um pouco do segredo, mas também a tornou ainda mais densa e maravilhosa.


D'Arconnia não começou sendo meu personagem favorito, ele se tornou a partir no momento do "fracasso" das minas. Até ali eu tinha como favorita Dagny e, como ela, não entendia a mudança gigante que havia acontecido com esse personagem. Mas o fracasso da Mina a levou a pensar e eu pensei junto. Infelizmente ela não chegou à mesma conclusão que eu... ou chegou, mas não se permitiu acreditar. Francisco é um gênio, em todos os sentidos e vibro cada vez que seu personagem aparece e solta alguma peça para o quebra cabeças que é esse livro.

A Revolta de Atlas é contado todo com narrador em terceira pessoa. É uma mistura entre narrador onisciente, nos transmitindo, inclusive, os pensamentos dos personagens e seus sentimentos mesmo que não expressos, com narrador testemunha, não nos contando mais do que o que está acontecendo em determinadas cenas e o que os personagens "principais" que delas participam tem como saber; dessa forma o maior segredo do livro não é revelado.

Que segredo é esse? Também não sei ainda. Acho que precisaremos ler os três volumes pra descobrir, mas começo a suspeitar.

O livro nos apresenta uma sociedade distópica, onde quem trabalha duro e faz fortuna em cima única e exclusivamente de competência é visto como explorador ganancioso. Os políticos e a elite mais bem vista da época é fã da doutrina de que "todos devem ter igualdade de oportunidades e se você se destaca como 'melhor' deve pedir desculpas por estar, até certo ponto, ressaltando a falta de capacidade de um ser humano igual a você".

Com esse pensamento, o governo persegue os grandes empresários, limitando suas possibilidades de evolução e os pintando como "maus" e "gananciosos, que não querem dividir suas riquezas com pessoas não produtivas por pura falta de humanidade no coração".

A frase que mais me deu asco, amplamente utilizada por essa "elite" boazinha é "amar o outro por que merece não quer dizer nada, você deve amá-lo  justamente porque ele não merece ser amado. Pagar um bom salário a quem faz por merecer não quer dizer nada, mas pagar um bom salário ao improdutivo é ter amor no coração e consciência cívica, porque ele não merece e mesmo assim você deu". Com base nessa premissa o governo vai afundando cada vez mais os bons empresários e levando toda a nação à miséria porque a maior parte dela resolve ser improdutiva. Afinal, pra que produzir?


Um livro que te tira do chão, sacode toda a poeira que havia acumulado no seu ser com a preguiça e te obriga a enxergar a lógica da vida e se mexer. Um livro 10 estrelas para mim (sim, eu sei que a pontuação máxima é 5 estrelas, mas porque me limitar se posso dar mais!? 10 estrelas será! E se você não entendeu meu questionamento, leia o livro que entenderá!)
Curiosidades:
01 - É considerado o livro mais influente nos Estados Unidos depois da Bíblia, segundo a Biblioteca do Congresso americano.

02 - Atlas Shrugged ganhou uma versão em filme dividida em três partes:
Atlas Shrugged: Part I lançado em 15 de abril de 2011, Atlas Shrugged: Part II foi lançado em 12 de outubro de 2012 e a parte final foi lançada em 2014.
03 - Atlas era filho de titãs e, ao se participar da revolta contra Zeus e perder, recebeu deste o castigo de sustentar pra sempre no ombro os céus. Seu nome passou a significar "portador" ou "sofredor".
Hércules, em seus 12 trabalhos, fora incumbido de trazer as maçãs de ouro, porém soube que somente Atlas conseguiria colhê-las. Hércules se propôs a segurar o céu enquanto Atlas colhia as maçãs que ele esperava poder entregar pessoalmente a Eristeu. Porém, Hércules o enganou, pedindo-lhe para voltar a segurar o céu enquanto ele guardava as maçãs, e fugiu. Por esse motivo, foram construídos os pilares de Hércules e Atlas foi libertado do seu fardo.
Atlas passou a ser o guardião dos Pilares de Hércules, sobre os quais os céus foramcolocados, e que também eram a passagem para o lar oceânico de Atlântida.
04 - O mito de Atlas representa o peso das dificuldades cotidianas, o excesso de incumbências, obrigações, tarefas que aceitamos sem obedecermos a um limite e nem resguardarmos um espaço para atividades relaxantes, que nos deem prazer. Cremos que podemos carregar o mundo nas costas, o que pode causar danos físicos e psicológicos. O complexo de Atlas é uma das doenças relacionadas ao stress da vida moderna.

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7 comentários:

  1. Magnífico. Um livro publicado primeira vez em 1957 e ainda ser inovadora precisa ter algo mais, algo que prenda os leitores e com essa maravilhosa resenha já estou prendida totalmente. Minha lista de leitura está enorme mas vou dar um mechidinha nela rsrs. Bjus

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    1. Que bom que gostou Fernanda! Estou amando essa leitura! Assim que der publico a do segundo volume!

      Vale muito a pena.

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    2. Já estou a procura pra comprar Mari. esperando a próxima resenha rsrsrssrs

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    3. Este comentário foi removido pelo autor.

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    4. Fernanda, a versão mais recente é a da Arqueiro. Estou na metade do segundo volumo. A resenha sai pra sem ser a semana que vem a outra.

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  2. Realmente deve ser um livro super interessante... ser um dos livros mais lidos nos Estados Unidos e ter sido publicado a primeira vez a tanto tempo... realmente é genial. Eu tenho um pouco de receio de não ser meu estilo de leitura. Mas achei interessante

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    1. Andreza, essa coisa de estilo de leitura realmente pega um pouco. Mas se "forçar" a ler estilos diferentes e sair da "zona de corforto" também faz muitíssimo bem. Nos abre mais a mente, nos conduz a novos pensamentos, alternativas, conhecimentos.

      Dá uma chance pro livro.rs

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