Resenha: O Apanhador no Campo de Centeio



Título no Brasil: O Apanhador no Campo de Centeio
Título Original: The Catcher in the Rye
Autor(a): J. D. Salinger
Editora: Editora do Autor
Ano: 1999
Página: 208




SINOPSE DO SKOOB: À espera no centeio (O Apanhador no Campo de Centeio na edição brasileira) narra um fim-de-semana na vida de Holden Caulfield, jovem de 16 anos vindo de uma família abastada de Nova York. Holden, estudante de um reputado internato para rapazes, volta para casa mais cedo no inverno depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso. No regresso a casa, decide fazer um périplo adiando assim o confronto com a família. Holden vai refletindo sobre a sua curta vida, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta definir alguma diretriz para seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si (um professor, uma antiga namorada, a sua irmãzinha) e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça. Foi este livro que criou a cultura-jovem, pois na época em que foi escrito, a adolescência era apenas considerada uma passagem entre a juventudade e a fase adulta, que não tinha importância. Mas esse livro mostrou o valor da adolescência, mostrando como os adolescentes pensam.


A maioria de nós já ouviu falar nesse clássico da literatura. Ele é bastante famoso e muito comentado. Foi traduzido para quase todas as línguas do mundo, tendo mais de 65 milhões de exemplares vendidos. Também chegou a ser incluído na lista de melhores livros da Folha (1999) e do Times (2005). 

Com base nisso tudo há de se convir que qualquer um ficaria inseguro e se sentindo a pessoa mais inculta do mundo por não conseguir gostar de uma obra tão famosa e tudo mais. E isso foi exatamente o que aconteceu comigo.

Odiei a obra com todas as minhas forças. A escrita é linear e por muito tempo eu simplesmente não consegui entender o real sentido do livro - acho que, talvez, não o compreenda até agora. 

O narrador é em primeira pessoa e, apesar de ser um livro escrito originalmente na década de 40 do século XX o linguajar utilizado não é culto ou difícil, pelo contrário, é cheio de gírias e "pobre". Isso me irritou tanto que cheguei a pensar em abandoná-lo por diversas vezes.


O romance, famoso pelas acusações de influenciar o comportamento psicótico nos jovem e até mesmo alguns assassinos, nos apresenta um personagem que, supostamente, representaria um adolescente revoltado típico (típico de onde eu realmente não sei, pois além da ideia de autosuficiência e de que sabe mais do que todos, típico do adolescente, nada mais me pareceu realmente "normal") em um final de semana em que estava triste e refletindo sobre a vida. 



Holden Caulfield é um adolescente de 16 anos, que está sendo expulso da escola pela enésima vez. Esperando não ter que enfrentar seus pais no auge da raiva dos mesmos, que seria o recebimento da notícia de sua expulsão através da escola, ele resolve "fugir" e passar um final de semana em Nova York.

Nada nem ninguém eram bons o suficiente para ele, a não ser o irmão morto -, o única ser que aparentemente nunca o desagradou - e sua irmã mais nova, a quem via como uma pessoa ainda pura e queria proteger da "terrível vida adulta".



Suas observações sobre a falsidade do ser humano e a confusão mental que pode existir na mente do jovem sobre sexo foram até interessantes, mas não o suficiente para conseguir me fazer superar o incômodo que estava tendo com o livro.


Depois de muito pensar passei a acreditar que este talvez seja o primeiro livro com um personagem bipolar da época. Sério, o rapaz passava do "eu odeio ele" para "ele é realmente um camarada muito bom" e do "estou deprimido" para "fiquei feliz" com uma velocidade e de uma forma que não faziam sentido nem para um adolescente com os hormônios e ebulição.


Fiquei um bom tempo me perguntando o por que do título, e também não sei se fiquei satisfeita com a explicação. Ao ser questionado por sua irmãzinha, Phoebe, sobre o que ele queria ser caso pudesse ser qualquer coisa, Holden diz que gostaria de ser um apanhador no campo de centeio. Ele imagina várias crianças brincando, num campo de centeio localizado em um precipício, e ele agarrando todos os pequenos que estavam prestes a cair. Ele seria, em suma, o salvador dessas crianças.



Não me levem a mal, eu entendi a ideia de que a queda do precipício seria a perda da inocência e tal e que ele queria "salvar" as crianças disso. Mas para que odiava tanto a hipocrisia quanto Holden, achei uma resposta bem hipócrita por ele ter total consciência da impossibilidade de se impedir o crescimento alheio.


Entendo o porquê dele ter sido um sucesso tão grande em 1946, já que é um estilo bem diferente dos livros da época teria sido considerado um livro totalmente diferente e inovador. O que não entendo é o porquê de continuar fazendo tanto sucesso atualmente, com tantos livros falando sobre o mundo adolescente no mercado e, talvez, de forma até menos caricata.


CURIOSIDADES:


01 - O assassino de John Lennon, , carregava este livro consigo no dia em que cometeu o crime. Segundo testemunho de Mark David Chapman próprio Chapman, assassino de John Lennon, o "Apanhador no Campo de Centeio" estava sendo lido por ele minutos antes de tentar o suicídio e teria sido da obra que havia tirado inspiração para matar John. 



02 - Outro fato curioso é que o atirador que tentou matar Ronald Reagan em 1981, parece ter afirmado a mesma coisa, ou seja, que teria tirado do livro a inspiração para matar o presidente Reagan.


03 - O assassino de Rebecca Schaeffer, Roberto John Bardo, carregava consigo o livro quando a matou. 

04 - No filme "Teoria da Conspiração", Mel Gibson faz o papel de um motorista de táxi psicótico, que acha que todos estão contra ele, ele possui uma compulsão, comprar diariamente um mesmo livro, "o Apanhador no Campo de Centeio", em sua casa existem milhares de exemplares dessa obra.

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8 comentários:

  1. Ixiii Mari, esse não vou ler não. rsrrs
    Confesso que não sou muito de ler os clássicos da literatura, prefiro os livros de linguagem mais atual.

    Beijo

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    1. Tudo bem, eu entendo.rs. Nem todos os gêneros são agradáveis a todas as pessoas e isso é mais que natural. =)

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  2. Oi Mari,
    Adorei a sua sinceridade haha. Acho que não leria esse livro, o titulo não me agradou muito.
    Amei essas curiosidades *--* super legais.
    Parabéns pela resenha!
    Beijos ♥

    Livros Para o Chá das CincoCurta!

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    1. Se é pra fazer resenha tem que dar opinião sincera, concorda? Mas é muito difícil não gostar e fazer uma resenha sem muitos elogios a um livro tão famoso, amplamente conhecido e tido como maravilhoso pela maior parte da sociedade.

      De qualquer forma, sempre sugiro que as pessoas tirem suas próprias conclusões, então isso alivia a ideia.rs.

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  3. Um dos "Clássicos que você não pode deixar ler". Cai nessa. Odiei a pessoa que me deu o conselho do início ao fim do livro, mas terminei a leitura. Considero um dos livros mais chatos que já li.
    Eu tinha ganas de matar o autor, bater na pessoa que me indicou (com o livro claro), mas conheço pessoas que gostam. Bom, tem gente que gosta de jiló....
    Parabéns Mari, bela resenha.

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    1. Bel, que delícia saber que eu não fui a única a achar o livro tedioso.rs. Adorei sua comparação com o jiló, trazendo a associação clara de que tem gosto para tudo. kkkk

      Obrigada por ter lido e comentado.
      Bj

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  4. Clássico.serio.nem vou começar a ler,porque não consigo abandonar livros pela metade,mesmo que não me prenda,leio ate o fim na esperança que vai melhorar. mas só pela sua resenha da pra ver que Holden Caulfield e doido de pedra mesmo. acho que exageraram nos transtornos adolescentes ai. brilhante resenha!
    bjus Mari

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    1. Obrigada Fernanda! Mas, como diria a BelGoes, tem gente que gosta de jiló... Talvez por isso toda a fama dele.rs.

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