Resenha: Beleza Perdida



Título do Brasil: Beleza Perdida
Título Original: Making Fazes
Autor(a): Amy Harmon
Editora: Verus
Ano: 2015
Páginas:332



SINOPSE DO SKOOB: Ambrose Young é lindo — alto e musculoso, com cabelos que chegam aos ombros e olhos penetrantes. O tipo de beleza que poderia figurar na capa de um romance, e Fern Taylor saberia, pois devora esse tipo de livro desde os treze anos. Mas, por ele ser tão bonito, Fern nunca imaginou que poderia ter Ambrose... até tudo na vida dele mudar.
Beleza perdida, de Amy Harmon, é a história de uma cidadezinha onde cinco jovens vão para a guerra e apenas um retorna. É uma história sobre perdas — perda coletiva, perda individual, perda da beleza, perda de vidas, perda de identidade, mas também ganhos incalculáveis. É um conto sobre o amor inabalável de uma garota por um guerreiro ferido.
Este é um livro profundo e emocionante sobre a amizade que supera a tristeza, sobre o heroísmo que desafia as definições comuns, além de uma releitura moderna de A Bela e a Fera, que nos faz descobrir que há tanto beleza quanto ferocidade em todos nós.

Apesar da temática da guerra poder ter sido melhor explorada, o livro ainda vai levar as 5 estrelas, graças a Bailey. Ele não é o personagem principal, mas é de longe o meu personagem favorito e um livro com um personagem como o dele, para mim, merece todo o meu amor mesmo que o resto fosse um lixo. Mas para a felicidade geral da nação o resto também é muito bom! rs



O livro é todo escrito em terceira pessoa, todos os personagens são bem desenvolvidos e cada linha da história parece ter um propósito. Há um jogo entre presente e passado, feito pela vivência atual e recordações de momentos vividos que os personagens apresentam para nós que é gostoso e dá um fôlego ao livro que é, sim, um pouquinho lento.


As primeiras páginas do livro apresentam uma história bem clichê: pequena cidade, com uma escola americana clássica onde o melhor atleta do time de luta, Ambrose Young, é idolatrado não apenas por sua força mas também sua beleza incomparável e a sonhadora e romântica Fern Taylor é marginalizada por ser feia. Mas não se deixam desanimar por isso, porque não só nessas pouquíssimas primeiras páginas e o resto do livro é muito bom!

Fern é uma menina doce, porém não é iludida achando que tudo no mundo são flores e gostei muito disso. Adora ler e essa paixão gerou outra, a da escrita, que lhe proporcionou desenvolver série inteiras de livros nos quais sempre baseia seu personagem masculino principal em Ambrose, seu grande amor não declarado. É amiga, legal, carinhosa, mas é humana e também comete seus erros e tem vontade de "chutar o pau da barraca" de vez enquando. 

Outra coisa legal é que ela é a filha do pastor da cidade, mas isso não a transforma em uma carola. Os momentos em que escutamos conversas do pastor com terceiros são muito legais. Ele passa mensagens de incentivo, esperança e amor, sem que realmente pareça que o mesmo está falando sobre religião - gostei muitíssimo dessas partes, elas ensinam muito para a vida de qualquer um e acredito que não incomodariam nem mesmo o ateu mais ferrenho pela forma leve como são apresentadas.

Ambrose, apesar de ser o "cara popular" tem vários momentos de profundidade, chegando a ressaltar o vazio daquela idolatria toda a ele e como era difícil a pressão de ter que ser sempre perfeito ou decepcionaria uma cidade. Ele também tem conflitos em relação a Fern, pois gosta dela como pessoa, mas devido à sua posição não seria bem visto ficarem andando juntos e isso o incomoda.
"Eu acho que as pessoas são assim. Quando você olha de verdade para elas, você deixa de ver um nariz perfeito, ou os dentes retinhos. Você deixa de ver a marca da espinha ou a convinha no queixo. Essas coisas começam a ficar borradas e, de repente, você realmente as vê: as cores, a vida que há por dentro da casca. E a palavra beleza passa a ter todo um significado diferente." (tradução livre feita com base na versão em inglês do livro)
E é com Ambrose que temos a primeira surpresa do livro. Esse rapaz decide se alistar e ir para a guerra no Iraque. Mas ele não faz isso sozinho, pelo contrário, Ambrose convence seus melhores amigos a irem juntos. Infelizmente em uma guerra nada são flores e ele retorna cheio de cicatrizes, não apenas no corpo mas também na alma e seu belo e famoso rosto está completamente deformado. 

Assumo que pensei que o livro aproveitaria esse momento para explorar mais os traumas da guerra, mas o foco foi bastante na perda da beleza física e foi essa a parte que achei mal explorada e levemente decepcionante. Mas é essa deformidade que vai acabar dando "esperanças" à Fern e, de certo modo, aproximando os dois. Não vou contar muito sobre essa parte para não dar spoiler, mas é bem legal de ler.

Mas eu deixei o melhor para o final... BAILEY! Bailey é o personagem secundário que merecia ser principal. Primo de Fern, tem a chamada Distrofia de Duchenne, uma doença genética, degenerativa e incapacitante. Apesar disso, está em 99% do livro de ótimo humor, tem um pensamento super positivo apesar não criar ilusões, sendo uma pessoa extremamente realista. Tem o coração enorme, luta pela sua vida e independência mesmo estando paraplégico e está sempre com um livro do lado.

Os melhores ensinamentos do livro, para mim, vem com certeza ou da boca ou das atitudes de Bailey! Ri e chorei com esse personagem. Sentirei saudades de você garoto!!! (sério, dá até vontade de ler o livro novamente para voltar a ter contado com esse personagem. Que personagem ma-ra-vi-lho-so!)

Em suma, esse é um livro que fala de superação, de grandes perdas, de amizade e de amor - todo o tipo de amor, não apenas aquele amor romântico de casal em início de namoro, mas o amor dos pais para os filhos, dos primos, dos amigos... Fala, especialmente, da verdadeira beleza do ser humano, a que carregamos dentro de nós, a que realmente importa e que só é reconhecida por aqueles que nos amam. 

Um livro lindo, cheio de lições de vida e que vale a pena ser lido!


CURIOSIDADES:

01 - Apenas os meninos desenvolvem Distrofia de Duchenne, que se caracteriza pela ausência de uma proteína essencial para a integridade dos músculos, fazendo com que ele se degenere progressivamente.

02 - A criança com Duchenne nasce aparentemente normal, mas demora um pouco para andar. Por volta dos 2 a 4 anos começa a cair muito e aos 7, geralmente, não é mais capaz de correr ou subir escadas. 

03 - A expectativa de vida média para portadores de Duchenne é de 19 anos, de acordo com alguns sites, 25 de acordo com outros.

Se você conhece alguém com Distrofia de Duchenne ou apenas quer se informar mais sobre o assunto, pode entrar em contato com a ABDIM (Associação Brasileira de Distrofia Muscular). Conheça o site deles clicando AQUI.

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14 comentários:

  1. Ai, como eu amei esse livro! Já devo estar chata de tanto que falo isso rsrs. Eu não fiquei desapontada por não terem explorado a guerra, até pq a temática não era bem essa e apesar de ter Ambrose na capa e nos dar a ideia de que o livro seja sobre ele, o que não deixa de ser tb, o livro é muito mais da Fern, ao meu ver. Claro que a história de superação vem da luta diária de Fern, de Bailey e após a guerra, a superação difícil de Ambrose, isso com ajuda do maravilhoso Bailey e suas melhores frases. Não esqueço a parte onde ele diz pro Ambrose que ele teve de escolher a vida em vez do orgulho, já que não havia mais orgulho nenhum né, tendo sempre que depender de todos, como dos pais até para abaixarem suas calças para ir ao banheiro, enquanto Ambrose estava lá pensando em viver dentro daquela cozinha fazendo cupcake, terminando a vida gordo e esquecido. Bailey definitivamente é o melhor. Esse livro nos ensina muita coisa, um livro que devia ser lido por todo mundo. ^^
    Bjks Mari
    www.viciadosemleitura.blog.br

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    1. Bianca, eu tenho o péssimo hábito de esperar demais da maioria os livros. É claro que a história de amor entre os protagonistas e essa coisa de superação das questões meramente estéticas foram muito legais, mas acabei ficando com uma sensação de que ele só deu uma oportunidade para ela porque estava sem opções. Nós sabemos que não é bem verdade, por causa daquela cena... lembra? Aquela... mas mesmo assim a sensação veio, pegou e ficou.

      Quando um livro fala em guerra eu já penso em braços mutilados, muitos amigos mortos, terapia para superar trauma, pesadelos... Qualquer livro que me apresenta menos do que isso eu já acho fraco em termos de guerra. MASSSS, nem só de guerra vive um livro e Bailey foi a salvação desse e o que o levou a ganhar as cinco estrelas.

      Bailey trouxe, apesar de seu bom humor, tudo que esperava em termos da doença. Ele não mascarou nada e a frase que vou mencionou é simplesmente uma das mais perfeitas do livro inteiro. Sou perdidamente apaixonada por esse personagem.

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  2. vi alguns comentarios sobre esse livro e ele não tinha me chamado atenção, mas depois de ler sua resenha fiquei com vontade de ler
    gosto de livros que passam alguma mensagem pra gente
    Já quero conhecer Bailey
    :*

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    1. Rebeka, que bom que consegui despertar o seu desejo em conhecer Bailey.Ele é um personagem lindo, perfeito, que irá nos fazer cair de amor por ele e partir nosso coração ao mesmo tempo. Isso tudo sem um mínimo de esforço, é apenas como ele é.

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  3. Eu li o livro e adorei. É muito reconfortante, para mim, ler histórias de "gente como a gente", que erra, acerta, sofre,se alegra, mas que apesar de tudo segue em frente, como pode e sabe. O mundo não é perfeito, a vida não é fácil,mas como bem disse o poeta, é bonita, é bonita e é bonita .....

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    1. Cláudia, que belas suas palavras e quão reais. Concordo com você, um livro com personagens mais "reais", que falham como a gente, andou fazendo falta. Muita mocinha perfeita, muito mocinho sendo perdoado com um piscar de olhos.

      Já estava cansada de personagens rasos com problemas fúteis e a chegada deste livro voltado para um público mais jovem veio para dar uma sacudida nessas estruturas.

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  4. Gennnte, como eu adorei essa capa!! E amei sua resenha, fiquei louquinha pra ler o livro!!
    Parabéns Mari! :*

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    1. Bruna, em um raro momento preciso dizer que achei a capa brasileira bem mais bonita e condizente com a história que a capa americana. Na original é um homem, de torso nu, de lado, escondendo o rosto. Essa é bem menos apelativa em termos físicos e muito mais em termos emocionais.

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  5. Oi Mari!
    Eu conheci esse livro antes de ele ser traduzido e desde então fiquei curiosa sobre a história, que parece ser muito linda e foge dos clichês de alguns romances que tenho lido. Ainda não tinha visto nenhum comentário sobre o Bailey, mas você me deixou com muita vontade de conhecer esse personagem que mesmo com muitas dificuldades, não perde a alegria... Enfim, gostei muito da sua resenha e espero conseguir ler Beleza Perdida logo.
    Bjs
    sobrelivrosesonhos.blogspot.com.br

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    1. Que bom que gostou da minha resenha e que vai ler o livro. Espero que não se decepcione! Depois volta pra contar pra gente o que achou!?

      Eu já havia lido algumas resenhas em inglês desse livro e raramente alguém falava do Bailey, Isso me chocou muito porque ele foi de longe meu personagem favorito. Se eu pudesse, teria feito a resenha toda só sobre ele, mas fazer uma resenha de um livro e não falar dos personagens principais seria meio estranho.rs.

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  6. Oi Mari!!! Uma amiga minha já havia me indicado esse livro... Mas fiquei na duvida... Mas sua resenha foi... Como essa amiga costuma dizer... -foi foda!- ... Muito boooa! A forma como você descreveu o livro foi demais. Parabéns. Assim que puder vou ler ele!

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    1. Que bom que gostou da resenha Andreza! Ele não é um livro com L maiúsculo como O Caçador de Pipas ou A Cidade do Sol, mas precisamos entender que o gênero é diferente, assim como o público alvo para o qual foi escrito.

      Esse é um livro que cai na categoria popularmente chamada de New Adults, que mistura romance e drama para jovens entre 16 e 27 anos. Mas isso não impede que pessoas com mais idade se surpreendam e apaixonem por ele, eu tenho mais de 30 e gostei muito.

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  7. adoreiiiiiiiii mari mais um pouco e vc me faria chorar na resenha mesmo rsrsrs. Vc me fez querer ler o livro pra conhecer em especial o Bailey. adoro pessoas que não se deixam abater com as dificuldades da vida.

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  8. adoreiiiiiiiii mari mais um pouco e vc me faria chorar na resenha mesmo rsrsrs. Vc me fez querer ler o livro pra conhecer em especial o Bailey. adoro pessoas que não se deixam abater com as dificuldades da vida.

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