Momento Cultura: Uma Mente Brilhante – e louca


O Livro: Uma mente brilhante – Sylvia Nasar
   Título Original: A Beautiful Mind
   Editora: Record
   Ano: 1998
   Páginas: 585

O Filme: Uma Mente Brilhante – Ron Howard
Ano: 2001

Sinopse do Filmow: Uma Mente Brilhante é baseado no livro A Beautiful Mind: A Biography of John Forbes Nash Jr., de Sylvia Nasar. O filme conta a história real de John Nash que, aos 21 anos, formulou um teorema que provou sua genialidade. Brilhante, Nash chegou a ganhar o Prêmio Nobel. Diagnosticado como esquizofrênico pelos médicos, Nash enfrentou batalhas em sua vida pessoal, lutando até o fim de sua vida.
John Forbes Nash Júnior, filho de um engenheiro elétrico e uma professora, nasceu em Bluefield, West Virginia, EUA, ano de 1928.  Desde cedo foi destaque por sua capacidade intelectual obtendo bolsas de estudos para o Carnegie Institute of Technology de Pittsburgh e depois para Princeton.

Na prestigiada Princeton University, concluiu sua tese de Doutorado em Matemática, com apenas 21 anos, intitulada Nash Equilibrium. Anos depois ela deu origem à Noncooperative Games, que revolucionou o universo acadêmico com uma teoria que aplica jogos e relações de rivalidade na compreensão de questões econômicas complexas. Nem vou entrar no mérito da questão porque não entendo nada sobre a Teoria dos Jogos.


A questão é que essa Teoria levou Nash, um jovem de apenas vinte e poucos anos ao prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT) e à companhia de tecnologia militar RANDE.

As semelhanças entre livro e filme terminam por aí.

Em seu livro, Sylvia Nasar traça um perfil do homem, um gênio, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 1994, pela "Teoria dos Jogos", que foi ainda responsável por progressos na aplicação de ferramentas matemáticas em outras áreas. Porém a autora não se aprofundou em alguns temas complicados na vida de Nash, como sua tendência homossexual ou mesmo a prisão por exposição indecente.

O filme é ainda mais vago sobre o assunto! O que no livro foi insinuado, no filme foi completamente ignorado.

Outro problema na adaptação é que não fica claro que o processo de esquizofrenia de Nash começa por uma perseguição real. Ele trabalhava sim em uma empresa de tecnologia militar, e ele foi sim sondado por agentes norte-americanos para ajudar a deter o avanço do comunismo soviético. E, por isso, sentiu-se perseguido por agentes comunistas.

Ao contrário do que diz o filme, ele já havia  desenvolvido sua teoria, e estava casado com Alicia, uma ex-aluna, quando a doença atingiu o auge e começou a tornar a convivência do casal insuportável. Pouco tempo depois da separação, Nash foi internado em um hospício para tratamento da esquizofrenia.

Outro ponto em que filme e livro divergem? Alicia e John tiveram um filho. Um menino, também chamado John e que seguiu a profissão do pai. E chega de spoiler! rs

Pensando bem, no filme fica claro que o casal teve uma pequena separação. Ao ler o livro você descobre que a "pequena separação" durou oficialmente perto de 20 anos. Extraoficialmente, apenas 7.


John Nash morreu no sábado, 23 de maio de 2015, aos 86 anos; vítima de um acidente de carro, quando o motorista do táxi em que viajava perdeu o controle da direção e se chocou contra uma barreira na estrada.

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6 comentários:

  1. Bebel,
    Não li o livro e nem vi o filme, mas parece ser bem intenso.
    Parabéns para comparação do livro com o filme, podemos ver que não seguiram a risca.
    beijos

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    1. Daya, o filme é lindo. O Russell Crowe está maravilhoso (novinho e interpretando, coisa que raramente ele faz). Mas o livro te deixa com raiva do Nash.

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  2. Nossa, nunca li o livro e nem assisti o filme, mas me chamou bastante atenção.

    Adorei a resenha, parabéns!

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    1. Bruna, tive dificuldades para encontrar o livro, principalmente em português. Mas o filme é fácil de encontrar. E para uma cinebio está muito bem feito!

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  3. Gostei da resenha, Bel! Cumpriu a missão principal, de me deixar curioso com o livro. Sim, eu vi o filme, mas raros são os filmes que fazem justiça ao livro, porque nos livros o diretor das cenas é nossa imaginação.

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    1. Paulo, bom ver você por aqui. Que bom que ficou curioso. Aconselho o livro, a Sylvia transformou uma matéria sobre o vencedor do Nobel Nash em um livro. E a raiva que senti do cara, por ser tão egoísta não diminuiu nada sabendo que ele na verdade era esquizofrênico.

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