A Hashtag que deu errado

No dia 29 de junho, às 18h no horário do Reino Unido, foi aberta no Twitter a hashtag #AskELJames (#PergunteParaELJames, em tradução livre) e ela definitivamente deu o que falar.

A autora bestseller da antiga trilogia e atual série (pois o quarto livro está sendo lançado) de 50 Tons de Cinza abriu um espaço no Twitter para que seus fãs pudessem fazer perguntas em relação à obra. O que ela não esperava, provavelmente, é que o "tiro fosse sair pela culatra".

Em meio àquelas que foram chamadas, por alguns sites, de perguntas sérias - como "qual item você não consegue sair de casa sem?", "você irá escrever algum outro livro após Grey" (mesmo já tendo sido divulgado que ela está escrevendo ainda mais um livro para a série) e "o que você mais gosta no Christian?" -, encontramos aquelas que foram consideradas como "jocosas" ou "afronta" em muitos locais e que somaram, basicamente, 98% das postagens.

Dentre as realmente agressivas e desnecessárias haviam:
(tradução livre de todas as perguntas, que estavam originalmente em inglês) 
"Você é paga por adjetivo?"

"Você alguma vez já segurou um dicionário?"

"Em algum momento considerou usar um dicionário de sinônimos ou isso é trabalho demais para você"

Já entre as que foram consideradas jocosas, a maioria era realmente criativa, associando o livro de E.L. James ao de Stephenie Meyer:
(tradução livre de todas as perguntas, que estavam originalmente em inglês)

"Qual é a distância mínima de segurança que você tem que manter da Stephenie Meyers em todos os momentos?"

"Por acaso, ao ver o relacionamento abusivo que existe entre Bella e Edward você parou em pensou 'hum... precisa de mais abuso'?"


Obviamente, todas as perguntas nesse estilo foram ignoradas pela autora e vários dos usuários que as fizeram reclamaram em suas páginas pessoais que haviam sido bloqueados por ela. Assunto este que também virou piada, com vários tweets perguntando se ela já estava cansada ou com tendinite de bloquear tanta gente.

Até aí, normal. A autora respondeu as perguntas chamadas "sérias" por alguns lugares (vide os exemplos ali em cima) e ignorou as ofensivas e jocosas. Palmas para ela por não entrar em bate-bocas. 

O problema é que ela também ignorou várias outras perguntas realmente sérias, bloqueou seus usuários (de acordo com denúncias feitas nas páginas pessoais dos mesmos) e perdeu uma brilhante oportunidade de se justificar.

Entre essas perguntas, que em determinados sites estão sendo consideradas afronta à autora, temos:

1 . Quanto à falta de coerência com a realidade



Tradução livre: "50 tons de Cinza se passa em 2011, mas Anastasia, 
uma estudante de jornalismo, fica embasbacada com o conceito de e-mail básico!?




Tradução Livre: "Se a E.L. James pedir para esses tweets pararem o que ela realmente quer é que eles continuem?" (em referência à cena em que a autora afirma que um "não", na verdade, significa "sim". Cena essa que chocou muita gente por ser exatamente a justificativa usada por muitos estupradores e o oposto do que deve ser propagado pelo mundo.)




2 . Quanto à apologia ao crime Parte 01 - Perguntas Leves e Discretas




 Tradução livre: "É ok o Christian perseguir, coagir, ameaçar e manipular Ana porque ele é "quente" (ou um gato, como usado aqui no Brasil) ou é apenas porque ele é rico?"



Tradução livre: "Você percebe que se Grey não fosse um bilionário, a trilogia 50 tons de Cinza seria um super episódio de Lei & Ordem?" (acredito que ele esteja se referindo especificamente ao Lei & Ordem: Unidade de Vítimas Especiais, que traz vários casos de abuso sexual). 


3 . Quanto à Apologia ao Crime Parte 02 - Perguntas bem mais diretas e precisas.


Tradução Livre: Como você se sente sabendo que ficou rica convencendo jovens garotas impressionáveis que abuso é 'amor'?






Tradução Livre: Você, em algum momento, sente culpa por ganhar tanto dinheiro romanciando o abuso sexual e o vendendo como 'romance erótico'?



Tradução Livre: Você tem consciência que usar álcool e manipulação para conseguir o consentimento de alguém é totalmente abusivo e invalida qualquer consentimento dado?



Tradução Livre: "Algumas vezes Ana diz 'não' e Grey diz "MAS SIM". Isso é estupro. Desculpe, isso não foi uma pergunta."

E aquela que mais me entristece por ter sido ignorada por E.L. James, já que tem absolutamente tudo a ver com o que ela prega no livro...




Tradução Livre: "Se eu rastrear o seu celular e seguir você até um bar, mas disser que é porque eu estava preocupado com você, isso estaria ok?"

Essa, ao menos essa, ela teria que ter respondido, na minha opinião.

Querem ver mais dos tweets que rolaram? Então vocês podem procurar pela hashtag #AskELJames no twitter ou clicar AQUI. Lembrando que está tudo em inglês.

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18 comentários:

  1. Coitada rsrs, vida de escritor, ainda mais ela que é ame ou odeie, não é fácil. Mas com certeza ela já esperava todo tipo de pergunta e comentário.

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    1. Bianca, sinceramente acho que foi uma péssima estratégia de marketing. Tudo bem que saiu reportagem sobre em tudo quanto foi lugar lá fora, ontem e hoje, mas todas elas eram mostrando o que mostramos aqui, uma chuva de gente ressaltando o quanto o livro dela incentiva o estupro e pinta ele de amor.

      Ela também acabou sendo vista como "a grossa", porque só respondeu as perguntas que a elogiavam ou bobinhas. Nenhuma das perguntas sobre temas sérios foram respondidas e a garota que sugeriu que ela doasse uma parte das vendas para a associação das vítimas de estupro foi bloqueada da mesma forma que os que a zuaram.

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  2. Nossa, pior que eu concordo com tudo o que está ai, g-zuis! Eu não gostei e não acho que seja um tema legal.

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    1. Eu acho que o tema estupro é muito bom para ser trabalhado em um livro em que se reforce aquilo como um ato negativo e odioso, cujo ser vil que pratica deve ser denunciado.

      BDSM não é estupro. Eu não entendo praticamente nada do meio, mas pelo que li na época que saiu o livro e de alguns debates pela internet, quando o que apanha diz não, chega, parou, lá com a tal palavra de segurança então chega, parou. Não tem essa de não quer dizer sim.

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  3. Eu até pensei em comentar seu post Mari, mas não vou falar mal da escritora. Faço isso todos os dias e dia inteiro. Acho que 50 tons é uma deplorável experiência literária. E como sou "veinha" lembro do escândalo que foi a famosa "cena da manteiga" de O Último Tango em Paris. Depois de 50 tons, aquela cena passou para a classificação Sessão da Tarde cm Pipoca.

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    1. Poxa Bel e eu aqui pensando que você ia mandar uma das suas "a Mari criou fakes e passou o dia ali"? kkkkk

      Também achei uma péssima experiência a leitura dessa trilogia. Li mais para que ninguém pudesse falar "é preconceito, você nem leu tudo". Não é preconceito, eu li tudo e concordo plenamente com alguns dos tweets desse post... Aquilo é um abuso, não é BDSM, é abuso mesmo.

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  4. Caracaaaa.. coitada dela

    Ela merece, no mínimo, respeito por ter aberto essa oportunidade de comunicação entre ela e os fãs.. :x

    Adorei seu blog, estou seguindo. De uma passadinha no meu. Beijinhos

    http://coruujando.blogspot.com.br ♥

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    1. Concordo que a autora deve ser respeitada, mas também acredito que as pessoas que fizeram perguntas sérias sobre o fato dela estar fazendo apologia ao estupro também mereciam ser respeitadas e respondidas.

      Assim como aquela garota que falou da falta de lógica de uma estudante de jornalismo não ter a mínima noção de informática em pleno 2011.

      Ela não respeitou essas pessoas ao ignorá-las por completo.

      Que bom que gostou do blog e que está nos seguindo. Seja bem vinda!

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  5. Quando você se dispõe a responder peguntas, eu acredito que você deva responder todas as perguntas, e não apenas àquelas que enaltecem o seu ego /e ou sua obra. Enfim.... mais um meio de estar na mídia. Quanto as atitudes de CG em relação a Ana, eu veria completamente diferente se ele fosse pobre e feio, sério. Da mesma maneira que que acho o máximo, em verdades secretas, quando a Angel está com o Alex, mas nojento quando ela está com um velho gordo e barrigudo. Então, eu já sou uma mulher adulta, e me deixo levar pelo suposto "romance"
    , embora tenha consciência do que se passa. E essas meninas novas, que lêem ou assistem esse tipo de coisa, qual a mensagem que elas recebem?

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    1. Cláudia, que comentário show o seu. Se nós, adultos, já nos deixamos levar pela história em alguns momentos e encaramos como romance cenas que poderiam representar até mesmo risco à vida das personagens em alguns comentos (como a menina de Entre o Agora e o Nunca, que sai em uma viagem de carro pelo interior do País com um cara que conheceu dentro do ônibus naquele dia) imagina as mais novas e com pouca ou nenhuma experiência de vida?

      Para mim 50 tons dá a falsa ideia de que o dinheiro faz com que um crime deixe de ser crime. Uma praticamente de BDSM estava falando no debate que aceitar aquilo que acontecia com Anastácia sem fazer parte do meio BDSM é doentio; ou seja, Anastácia era doente porque ela não fazia e nem queria fazer parte do meio (e olha que nem estou considerando o problema mental das alucinações com a quela Deusa Interior retardada).

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  6. Nossa, não tinha noção de que tanta gente detestava o livro e a autora. Mas como tudo na vida, nem Deus agradou a todo mundo, não ia ser um livro polêmico que iria agradar. E óbvio que Gray é aquilo tudo pq é lindo, rico e se apaixonou. Os livros e as histórias fictícias são sucesso por enaltecer o sonho das pessoas, o impossível e o inalcançável. Porém acho que tem livros bem piores do que 50tons no quesito exploração sexual, mas esses não chegaram a ser Best sellers e talvez as pessoas se apegaram a essa história pelo boom que ela trouxe ao mundo. Se todo filme ou livro de violência que vemos ou lemos fosse levado pro lado "real da coisa", todos seriam péssimos exemplos a sociedade. Mas, pessoas esclarecidas, informadas lêem assistem e sabem absorver o que de fato é o real e o imaginário na cabeça dos autores.

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    1. Ana, é verdade, é impossível agradar a todos. Também é verdade o fato de que as histórias fictícias funcionam como fuma forma de escape para uma realidade alternativa, proporcionando ao leitor a possibilidade de viver em mente coisas que talvez não pudesse viver em vida.

      Entretanto, eu acredito que todas as histórias são capazes de exercer algum tipo de influência em quem lê. A prova disso é o tanto de mulheres que tentou reproduzir ao menos uma das cenas descritas no livro e outras que passaram a enxergar seus maridos como "menos" porque não conseguiam ler mente como o Grey.

      A maioria dos filmes que apresentam violência não a colocam como positiva. Pelo contrário, na maioria deles existe uma clara distinção entre o mocinho e o bandido. Os filme não coloca o assassino em série que coleciona olhos que lembram os olhos da falecida esposa como um romântico incurável que merece flores, mas como o assassino em série que realmente é e que merece a prisão e um tratamento psiquiátrico.

      Na série 50 tons de cinza ocorre justamente a inversão desses valores. São apresentadas cenas de humilhação e desvalorização da mulher como se preocupação e carinho fossem; é também apresentado estupro como um ato de amor, afinal ele sabe mais que ela (e daí se ela disse não, ele sabe que no íntimo ela quer então pode mandar a ver). Isso é errado e pode sim gerar ideias distorcidas nas mentes mais influenciáveis.

      Eu não postei aqui um tweet muito interessante porque o post em si já estava grande. Mas um dos homens chegou a comentar que achou o livro dela um ótimo manual de como cometer estupro e ainda conseguir sair impune. O post do rapaz que falou sobre Lei & Ordem (que eu colei) é extremamente real - na verdade, o seriado tem episódios até mais leves do que a autora relata em seus livros e Pov.

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  7. mds estou rindo sauhasuhasuha eu tipo concordo e nao concordo com essas pessoas, ta bom que no livro ocorre mt isso mesmo, mas pensando bem isso eh um LIVRO ou seja eh FICÇÃO, entao eu sou de boas nisso pq eu consigo claramente separar isso da realidade
    tonsdeleitura.blogspot.com

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  8. lud, entendo o seu conceito. Mas pense... se for escrito um livro hoje com apologia à homofobia o que vai acontecer? O grupo LGBT vai cair em cima, claro. Porque esse tipo de livro além de fazer apologia à um crime também é moralmente agressivo a todo um grupo de pessoas.

    E se fosse um livro falando que pedofilia é ato de amor? Um homem de, sei lá, 25 anos, rico, lindo, cheiroso e poderoso, paquerando uma garota de 13 anos... a levando para a cama. Mesmo que de forma consensual e que o cara ame a menina, ainda é pedofilia, certo? O livro seria considerado apologia ao crime também e não seria nem um pouco bem visto ou aceito na sociedade, mesmo sendo ficção.

    Então, porque o estupro de uma mulher é aceito como romance sobre a alegação de que "é apenas ficção"? Não deveria. É crime como os outros dois casos que mencionei acima.

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  9. Puts! haha
    Achei extremamente válidos alguns desses questionamentos, embora alguns pequem em respeito.
    De qualquer forma, acho que faltou coragem da autora em responder. Teria subido um tiquinho no meu conceito se houvesse dado algumas respostas. Mas, bom, talvez ela realmente não tenha né? :(

    beijão

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    1. Camila, para mim ela simplesmente não tinham como se defender e por isso ignorou. Só pode. Ninguém em sã consciência aceitaria ser acusado de fazer apologia ao estupro sem se defender caso não fosse verdade, certo?

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  10. confesso que concordei com alguns comentarios, mas nem todos
    acho que ao bloquear determinadas perguntas e nem se dar ao trabalho de responder só pq criticavam o livro ela não agiu corretamente
    ao responder ela poderia esclarecer as ideias das pessoas que comentaram criticando, ao menos tentaria ne? se ela estava aberta a perguntas deveria ter respondido todo tipo

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    1. Rebeka,
      Concordo plenamente. Não achei legal nenhuma das 5 primeiras pergintas que coloquei nesse post. Mas o post é semi imparcial e precisa dizer o que acontecer.

      Agora, as perguntas do final, principlmente a última, sou a favor.
      Eram perguntas coerentes, centradas e nada agressivas. Perguntar sobre o fato dela ter feito apologia ao estupro não é agressivo se foi isso que ela realmente fez.

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