Resenha: O Oceano no fim do Caminho


Título no Brasil: O Oceano no fim do Caminho
Título Original: The Ocean at the end of the lane
Autor(a) Nacional: Neil Gaiman
Editora: Presença
Ano: 2014
Páginas: 184




Sinopse do Skoob: Este livro é tanto um conto fantástico como um livro sobre a memória e o modo como ela nos afeta ao longo do tempo. A história é narrada por um adulto que, por ocasião de um funeral, regressa ao local onde vivera na infância, numa zona rural de Inglaterra, e revive o tempo em que era um rapazinho de sete anos. As imagens que guardara dentro de si transfiguram-se na recordação de algo que teria acontecido naquele cenário, misturando imagens felizes com os seus medos mais profundos, quando um mineiro sul-africano rouba o Mini do pai do narrador e se suicida no banco de trás. Esta belíssima e inquietante fábula revela a singular capacidade de Neil Gaiman para recriar uma mitologia moderna.
Esse livro me foi indicado por uma amiga, como sendo uma leitura leve e prazerosa, mas com várias boas lições de vida disfarçadas nas páginas.  Como não tenho por hábito ler nenhum livro sem antes pesquisar um pouquinho, ao menos, sobre ele, fui olhar algumas resenhas.

Li várias resenhas dando entre 4 e 5 estrelas tanto no skoob quanto no goodreads, onde ele foi, inclusive, posto como uma fábula excepcional que é contada mostrando "um raro entendimento do que faz de nós humanos e que revela o poder que as histórias possuem de nos proteger das maldades interna e externa". Foi posto, ainda, como um dos mais indicados entre os livros de 2013.

O livro conta de uma forma extremamente leve a história de um garoto de 9 anos que se depara com situações inusitadas e um mundo de fantasia que convive com nossa realidade mas do qual não temos conhecimento. Ele conhece a pequena Lettie, que na verdade é ... hum... um ser especial. Ela mora com a mãe e a avó e juntas são capazes de ... hum... fazer coisas especiais. 



Sua casa é tomada por um ser malévolo que ele traz de um mundo desconhecido ao não obedecer uma das regras de Lettie e passa a ameaçar sua vida e sua família. 


Em vários momentos não é possível realmente ter certeza se esse é um livro de conto de fadas infantil ou se é um livro que mostra uma visão infantil gerada por uma criança para tentar explicar aquilo que sua mente ainda não conseguia entender.

Existem várias "morais da história nele", como:

1) nem tudo que queremos é aquilo que fará bem para nós e que as aparências enganam. 

2) o orgulho e a soberba podem te levar a tomar péssimas decisões ou, até mesmo, à morte em casos mais extremos;

3) não devemos ignorar o conselho daqueles que tem mais experiência que nós.

Entre outros, e nisso sou obrigada a concordar com minha amiga. 

Mesmo o achando um "bom livro" não o teria indicado para um adulto e nem de longe faria aquele elogio que o Goodreads fez. Para ler para crianças entre 7 e 12 anos, talvez...

E o motivo é simples, o livro é infantil demais para um adulto e relativamente confuso para um criança.

No meu caso, não conseguiu envolver e, além disso, tiveram algumas falhas (principalmente relacionadas ao final de Lettie, que simplesmente não me desceram).

Você pode estar se perguntando: "Mas Mari, se você gostou tão pouco do livro porque deu 2 e não 1!?" . Bem, a culpa é todinha do Clube do Livro 2 Caras, no Skoob. Participei de um debate sobre esse livro lá e tudo de bom que o livro não tem o debate teve. Cada um interpretando as coisas de uma forma diferente, encontrando significados diversos para uma mesma cena... Até sobre mitologia falamos graças ao livro. E, convenhamos, um livro que consegue gerar um bom debate merece, mesmo que não por méritos próprios, no mínimo um 2, né?

Para quem ficou curioso e quer ler o debate, basta clicar AQUI.

Comente com o Facebook:

10 comentários:

  1. Oi, já li várias resenhas sobre ele e a faixa etária do livro é realmente um ponto que ninguém consegue chegar a uma conclusão satisfatória, as vezes imagino que seja como "O pequeno príncipe" um livro que parece infantil, porém é mais para o público adulto, bom, chego a conclusão que é um livro para adultos com alma de criança.
    Abç,
    http://www.rascunhocomcafe.com/2015/05/ate-voce-ser-minha-obsessao-pela.html#.VVyla_lViko

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois então... Eu, particularmente, não gostei do livro, como um todo. Mas ainda assim acredito que todos os livros possuam uma qualidade e encontrei algumas nesse, como pode ver pela resenha. rsss

      De qualquer forma, sempre recomendo que as pessoas leiam os livros, porque gosto é gosto e o fato de eu não ter gostado não quer dizer que a outra pessoa não vá gostar, certo? =)

      Excluir
  2. Ah cara, mesmo falando que não gostou, sua resenha foi tão boa que deu vontade de ler o livro! haha

    Julieta
    www.julietices.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. kkkkkk... Muito obrigada Julieta. Eu acho que todo livro tem um lado positivo, por pior que ele possa ser. E as resenhas de livros que não gostamos não precisam ser apenas detonando o livro, podem mostrar um pouco dos dois lados também,rs,

      Se você resolver lê-lo, depois dá um pulinho aqui novamente e conta pra gente o que você achou. ;)

      Excluir
  3. Oi Mari, eu li esse livro a pouco tempo e tive uma visão completamente da sua, faço parte do grupo que deu 5 estrelas e não acho que esse livro seja voltado para crianças não. O Neil Gaiman é um autor que gosta muito de brincar com a infância e passar valores por personagens infantis, como é o caso de Coraline. Nesse livro eu vi que o Neil Gaiman quis fazer uma reflexão sobre a infância e sobre a vida adulta, nos fazendo pensar em nossos medos infantis, no quão verdadeiros eles eram, no quanto nossa imaginação era rica, e no quanto perdemos ao amadurecer. Perdemos o senso de nos impressionar e nos aventurar, ficamos cegos por nossas responsabilidades, talvez porque a vida dura nos tira os pequenos prazeres que a infância nos proporciona, tais como se deleitar com livros durante uma tarde inteira de um dia da semana, e até mesmo para os pequenos temores, como o medo do escuro. Acredito que ele quis transmitir isso de uma forma simples e por isso utilizou a visão de uma criança, algo que é até comum, por exemplo, o John Boyne usa essa mesma fórmula ao escrever "O Menino do Pijama Listrado" sob a perspectiva do Bruno. Enfim, esse é meu ponto de vista, mas nada contra seu modo de ver esse livro, cada um tem seu gosto e sua visão.
    Abraços!
    www.rascunhocomcafe.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lara, como eu disse na resenha, é um livro que muita gente ama... mas eu não amei. Entendo seu ponto de vista e cheguei até a segui-lo por um tempo, até que ele colocou o personagem como adulto e continuou com as questões fantasiosas. Aí essa teoria do "tudo aquilo foi porque era a visão de uma criança" não se sustentou mais para mim pois, no final, já era a visão de um adulto.

      Tentei encarar pelo lado puro e simples da fantasia também, mas entalei naquela gigantesca falha de que "se elas podiam recortar o tempo, porque não o recortaram e mudaram aquele momento crucial"? Foi algo que não teve lógica frente a magnitude dos poderes das personagens.

      O menino do pijama listrado já não tem esse problema. É um livro maravilhoso, contado todo pelo ponto de vista da criança, com suas inocências e incoerências infantis, mas mantendo uma lógica consistente do início ao fim. O mesmo ocorre com A menina que roubava livros, também contado do ponto de vista de uma criança e o maravilhoso A Revolução dos Bichos, um livro todo em formato de fábula (com os animais falantes sendo os personagens principais).

      Logo, realmente acredito que meu problema com o livro não foi a visão infantil do personagem ou a forma de escrever puxando para a imaginação e criatividade, afinal, gostei dos 3 livros que citei acima. Meu problema com ele foi que o próprio livro conseguia destruir toda a linha de raciocínio lógico que eu criava, seja uma linha onde "tudo é possível por ser fantasia", seja a linha "é uma visão de criança e por isso essa situação", seja qualquer outra linha.

      Mas como sempre digo, independente da pontuação da resenha, acho que todos deveriam ler os livros para poderem tirar suas próprias conclusões... essa foi apenas a minha. =)

      Excluir
  4. Nossa fiquei bem curiosa para ler esse livro, parabéns pela resenha Mari. Sou fã do Neil Gaiman e amo o Sandman dele. Confesso que a sua resenha é a primeira que leio sobre esse livro, quando ele saiu eu não procurei ir atrás porque queria manter uma certa surpresa.Só que quando entrei aqui, a curiosidade venceu e mesmo você não gostando, eu gostei bastante do que você escreveu.
    Com certeza vou adiantar ele na minha lista... =D

    Obs: Hahahahaha olha eu fazendo lambança aqui nos comentários hahahaha
    Deletei os comentários anteriores, porque não consegui editar ... =P

    http://www.viciadosemleitura.blog.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tem problema não Graziela Bonora! A gente arruma a lambança! kkkk.

      Que bom que gostou dos comentários que fiz em relação ao livro e que mesmo eu não tendo gostado minha resenha despertou em você a curiosidade de conhecer a obra.

      Eu sou sempre a favor de que as pessoas leiam os livros e tirem sua próprias opiniões, porque, convenhamos, essa é apenas a minha opinião e cada indivíduo é único e vê as coisas de uma forma diferente. Eu posso odiar, você pode amar e vice versa.

      Depois que tiver lido, dá um pulinho aqui e conta pra gente o que achou dele! Vamos amar saber sua opinião.

      Excluir
  5. Comprei recentemente esse livro na Bienal, apesar de que eu já o queria desde 2013. Sinceramente, não há palavras para dizer o quão maravilhoso ele parece ser. Ainda não o peguei para ler, devido ao fato de estar lendo outro, porém, esse nome, essa imagem... tudo nele, me desperta a querer devorá-lo e não parar mais. Não sei o por quê, mas prefiro permanecer com essa sensação. Acho que livros maravilhosos, despertam isso em nós. Para quem vai ler, que possamos aproveitar juntos, porque a história é longa! ;) *--*

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É verdade. O livro também chamou bastante a minha atenção. Ainda mais quando vi tanta gente elogiando. Mas, infelizmente, não é possível agradar a todos e eu fui uma das que ele não agradou.

      Ainda assim, não nego que tem vários pontos positivos, não apenas em termos estéticos, mas também em questão de conteúdo.

      Boa leitura! Depois volta aqui e conta pra gente o que achou.

      Excluir