Cinema e literatura: namoro ou divórcio?



De acordo com pesquisadores, mais de dois terços de todos os filmes produzidos em Hollywood são de alguma forma baseados em livros. Isso aí, as duas formas de expressão artística flertam, namoram e se casam faz um bom tempo. Infelizmente para nós, viciados em literatura, algumas vezes os resultados não são os mais felizes. 


O namoro entre cinema e literatura é compreensível e estimulado. Os dois são frutos da mesma fonte: a narrativa. O problema é que você ainda lembra de quando seu livro predileto virou um filme de verdade e você correu para o cinema, na maior expectativa e saiu de lá frustrado, decepcionado porque a sua leitura foi muito diferente das imagens que você viu. 



Quando o cinema começou a usar a ficção como fonte de inspiração para produção de filmes, os diretores partiram em busca de obras consagradas para ajudar a difundir ainda mais a sétima arte. Para quem não sabe, a ordem ou escala das artes foi criada por Ricciotto Canudo, um crítico de cinema, em 1912. A ordem das artes é a seguinte: 



1ª - Música (ou som); 
2ª - Dança/Coreografia (ou movimento); 
3ª - Pintura (ou cor); 
4ª - Escultura/Arquitetura (ou volume); 
5ª - Teatro (ou representação); 
6ª - Literatura (ou palavra); 
7ª - Cinema (integra os elementos das outras seis artes). 

Tem mais artes aí, mas como vou focar apenas na sexta e na sétima, vamos parar de confundir. 

A decepção que muitas vezes sentimos com uma adaptação é resultado direto de nossa imaginação: o galã era mais alto, tinha olhos mais verdes, era mais másculo, sua voz é completamente errada. E mesmo que em algum momento tenhamos pensado em um ator específico para um papel e ele tenha sido o escolhido para a adaptação, a atuação dele vai desagradar em algum momento. Pior? Pense que sua cena predileta do livro pode não ser filmada, ou ainda pode ter sido descartada na montagem. 

Nós como espectadores, de uma obra cinematográfica baseada em um livro, não somos indiferentes ou neutros, já temos uma visão anterior da obra. Uma visão e uma expectativa pessoal. Entrar na sala de cinema e dar de cara com nossa imaginação expressa ali na telona pode ser realmente muito decepcionante. Isso porque o roteirista que adaptou a obra assim como o diretor que transportou o roteiro para a tela também tinham suas próprias visões, e foram essas ideias que eles transformaram em filme. 

Claro que isso não significa que toda e qualquer adaptação, ou realização, seja ruim ou mal feita. É apenas uma questão de gosto e ponto de vista. Não há uma fórmula de sucesso, se houvesse a disputa pelo Oscar seria muito pior do que é hoje. Mas boas adaptações existem. Da mesma forma, grandes filmes foram produzidos a partir de livros pequenos e pouco conhecidos, dando a eles visibilidade e bons atores já deram vida a personagens que antes só existiam em nossas mentes. 

Clube da Luta tem mais força na tela que nas páginas. O Poderoso Chefão é igualmente forte em ambas as formas. Mesmo sendo antigo, 2001, Uma Odisseia no Espaço é um filme impactante e um livro apaixonante. 

Por isso fica a dica, seu próximo livro que virar filme vá ao cinema sim, mas sem nenhuma expectativa. Vai ser muito melhor para curtir a ideia que outros tiveram de sua obra predileta.

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10 comentários:

  1. Namooooro! kkkk

    São duas coisas completamente diferentes, né?
    Curti o post, falei disso a um tempo atrás no blog. :)

    Beijinhos,
    www.julietices.com

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    1. Oi Julieta, algumas vezes dá casamento. A maioria das vezes é divórcio litigioso. Não porque a obra seja mal adaptada, mas porque simplesmente não corresponde ao que o leitor médio gostaria de ver. Quem leu O Advogado do Diabo achou o filme péssimo. Quem não leu, apenas ficou maravilhado com a interpretação do Al Pacino.

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  2. Eu ao assistir filmes que se originaram de livros, mais sou desses que sempre se decepciona.. rsrs
    Vou tentar seguir seu conselho e não criar muita expectativa!

    Beijo Bebel, adorei o post!

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    1. Bruna, adorei seu comentário. Bom saber que minha dica vai ajudar você. Aprendi a não criar expectativas depois de me decepcionar muito assistindo meus livros no cinema e vendo que nada correspondia a minha imaginação. Um belo dia aprendi que aquela era a visão dos produtores, roteiristas, diretor. Relaxei e passei a curtir. Sempre criticando depois, rsrsrrsrsrs

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  3. Eu sempre tento não criar tanta expectativa, pois sei que é uma adaptação e que nunca vai ser igual ao livro. Quando você adapta um livro pro cinema, é claro que mudanças são necessárias. Claro que eu não gosto quando mudam muito, ou quando um personagem é alto e moreno, por exemplo, e colocam um ator loiro e baixo. Essas mudanças nas características dos personagens, por incrível que pareça, me chateiam mais do que alguma mudança na trama. Vai entender rs.
    Bjks
    www.viciadosemleitura.blog.br

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    1. E quanto não colocam a melhor cena do livro (na sua opinião)? Nossa, quase morro de raiva. Ou morria.

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  4. Eu em particular sou fã de Nicholas Sparks adoro seus livros. Me decepcionei com o filme Um porto seguro. Poxa esperava bem mais do filme. Cortaram partes que jamais de everiam ser cortadas o final do livro é mais emocionante. Um amor pra recordar tanto o filme como o livro foi um casamento perfeito.

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    1. Fernanda, bem-vinda. Eu particularmente não sou fã do gênero do Nicholas Sparks. Li dois livros dele e assisti uns três ou quatro filmes baseados em seus livros. Para quem tem mais de 40, os filmes dele são muito Love Story e A Filha de Ryan. Sessão da tarde demais. Então fico 'intimidade" de falar se as adaptações são ou não boas. Mas estou doida para ver esse último filma baseado em um livro dele, mas só porque tem o lindo do Scott Eastwood no papel principal. ;)

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    2. Belgoes vi o trailler de cidade de papel mas não quero ver o filme sem antes ler o livro. O trailler pareceu que o filme é bom torcer pra ser mesmo.

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    3. Fernanda, não lembrava o nome do filme de jeito nenhum... É "Uma Longa Jornada", fui pesquisar. Já foi lançado, agora é esperar entrar em streaming

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