Resenha: A Travessia do Albatroz


Título no Brasil: A Travessia do Albatroz
Autor(a) Nacional: Marcia Camargos
Editora: Geração Editorial
Ano: 2007
Páginas: 293





Sinopse do Skoob: A Travessia do Albatroz - Este livro é um romance baseado na história real de um jovem iraniano e seu melhor amigo. Contrariando normas rígidas, Kurosh Majidi (nome fictício) apaixona-se por Zibã, uma não muçulmana. Na direção oposta, seu amigo Behruz abraça o radicalismo xiita. Candidato a mártir, está disposto a morrer em nome de Alá, ainda que para isso tenha que sacrificar a amizade de infância. Convertido em militante radical, Behruz engaja-se no exército de Khomeini. Amante da liberdade, Kurosh evita as frentes de combate. Vê os amigos serem seduzidos pelo fanatismo, enquanto ele se distancia da fé. Quando a história assume proporções trágicas, Kurosh decide que chegou a hora de partir. Começa então sua epopéia, ponto central do livro. Kurosh aventura-se rumo à fronteira com a Turquia e acaba preso e torturado. Retorna à cidade natal, mas não desiste. Como um albatroz, a grande ave migratória, ele reúne forças, supera o medo e atravessa a cordilheira coberta de neve e infestada de lobos famintos.


Eu nunca havia escutado falar nesse livro antes e confesso que só o peguei para ler por ser o livro do mês no grupo de debates de livro que participo no Skoob. Escrito no estilo que provavelmente irá agradar a todos os apaixonados por O Caçador de Pipas e A Cidade do Sol, A Travessia do Albatroz é um livro profundo e comovente, escrito por uma brasileira a partir dos relatos de um refugiado iraniano que vive no Brasil, sendo, portanto, uma história real.

O nome verdadeiro dos personagens foi mudado, por motivos de segurança e privacidade. O livro narra a história de Kurosh Majidi, um jovem iraniano membro de uma família de boa situação financeira e respeitada no Irã, morador de Shiraz, que não só presenciou como teve papel ativo no início da Revolução Iraniana de 1979, participando de marchas e protestos que exigiam a derrubada do Xá Pahlevi. Sua vida, assim como a de toda a sua família e a de seu país, muda drasticamente com a chegada do aiatolá Komeini ao poder.

Nos deparamos, ao longo das páginas, com todo o relato sofrido de como as coisas saíram de forma bem diferente de tudo que sua família e muitos outros que participaram dos protestos esperavam. Eles saíram do que consideravam um excesso de liberalismo para um extremismo religioso que não apenas assustou muita gente como também causou muitas mortes. Falando em mortes, outro dos tópicos tratados nessa história real é a guerra Irã-Iraque.

No meio disso tudo há ainda mais um agravante na situação de Kurosh, ele se apaixona por Zibã, uma jovem não-muçulmana, o que era considerado praticamente uma heresia para os muçulmanos e para o governo que se instalou. Ainda sim ele persiste em seu amor, se arriscando para encontrar com ela quando possível e sofrendo a cada segundo longe de sua amada.

Zibã nos é apresentada com uma linda menina-mulher, seguidora do zoroastrismos, é de uma serenidade e inteligência sem igual para a pouca idade apresentada e em comparação ao próprio Kurosh. Seu amor, sua doação aos outros, suas convicções, suas dores... tudo nos é apresentado de forma esparsa porém marcante no livro. Se o sofrimento de Kurosh já nos comove, o de Zibã é quase que insuportável para qualquer mulher e mãe.

Chega um momento que ele não aguenta mais. Sendo obrigado a viver longe de sua amada, tendo perdido todas as esperanças de um futuro que o agradasse em sua terra natal e, ainda por cima, com a ameaça de ser convocado para "dar a vida pela pátria", Kurosh resolve fugir de sua terra Natal para o Canadá. Sua fuga seria árduo e um dos locais por onde teria que passar seria através do que chamaram de Cordilheira do Albatroz, uma região montanhosa repleta de neve. Junto dele foi o irmão de Zibã, Õrash. Ainda sim seu sofrimento por estar deixando sua família era imenso.

“ 'Um dia você vai aprender que para nós, iranianos, a família é tudo. Enquanto estivermos juntos e unidos, ficaremos bem', ele dissera no dia da minha formatura, quando reagi com desprezo diante da possibilidade de passar a vida atrás do balcão na loja do bazar.

Por cruel ironia, Khoda conseguira colocar aquilo no meu coração. Ele me ensinou a dar valor à família justo no momento em que eu não poderia tê-la comigo."

Há uma grande diferença entre a versão em epub, vendida em vários sites, e o livro físico. Ambos são divididos em 7 partes, claro, mas o leitor do livro físico é presenteado com uma experiência muito mais completa. Repleto de fotos e mapas que tornam o livro não apenas mais volumoso, mas também mais "leve" e a versão impressa possibilita ao leitor visualizar um pouco da cultura que nos vai sendo apresentada naquelas páginas.



O texto é claro e didático também, apresentando detalhadamente alguns aspectos culturais do Irã menos conhecidos do público em geral.

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2 comentários:

  1. Mari, adorei a resenha e o blog tá lindo :))
    Parece ser um livro bem interessante, mais um pra lista.
    Bjos

    www.historiasdepapel.com.br

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    Respostas
    1. Carol, acredito que você vá amar esse livro. É bem os estilos "diferentes" que você costuma me indicar. rs

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