Cantinho da Daya: O Retorno de Izabel - J.A. Redmerski


Título no Brasil: O Retorno de Izabel (Companhia de Assassinos - Volume 02)
Autor(a): J.A. Redmerski
Editora: Suma das Letras
Ano: 2015
Páginas: 232

O primeiro livro da série me deixou apaixonada (leia a resenha aqui), mas acabei demorando um pouco para ler a continuação. Eu fiz de propósito, porque queria deixar para algum dia que estivesse com vontade de ler algo diferente e que me tirasse da rotina. Eis que esse dia chegou... Não pensei duas vezes para começar a leitura e saber como Sarai ficou depois de tudo que passou com Victor.

Sarai estava vivendo uma vida "normal", trabalhando, estudando e namorando uma rapaz, mas nada disso a estava agradando e ela sentia muita falta de Victor e da vida que tinha ao seu lado. Ela não sabia o paradeiro de Victor, mas sempre manteve em mente que, um dia, voltaria para matar o empresário Arthur Hamburg. 

Com todos esses meses planejando sozinha cada detalhe, Sarai convida o namorado e a amiga para uma viagem a passeio, mas era somente uma desculpa para poder ficar cara a cara com o seu objetivo. Tinha um pequeno problema (ou grande demais): Sarai não tem habilidade para matar e nunca foi treinada para esse propósito. Mesmo com a falta desses "detalhes", Sarai  não desiste do seu plano.

Algo a mais: entrevista com Mônica Cristina



A escritora Mônica Cristina é um dos novos talentos da literatura brasileira tendo escrito até o momento duas séries de enorme sucesso, mais alguns livros avulsos.
Seu trabalho de maior projeção até o momento é a série Paixões Gregas, que conta a história dos irmãos Stefanos, seus filhos e agregados.
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Já a família De Marttino se passa em sua maior parte na Itália e retrata uma família comum - apesar de riquíssimos - que têm problemas que qualquer pode viver e superar.

Entrevista


Pergunta: "O que o seu lado leitor(a) acrescenta ao escritor(a)? Aproveitando, como o(a) escritor(a) convive com o(a) leitor(a)?"
Resposta: Acrescenta muito, é meu lado leitor que dá os rumos da história, só consigo escrever sobre o que gostaria de ler. O lado escritor não reluta, meu instinto diz sempre para ouvir o lado leitor e acho que isso ajuda a dar aos leitores o que eles esperam ao mesmo tempo que me satisfaz como autora.

Pergunta: "Vale tudo na hora de fazer propaganda? Se não, o que seria 'ultrapassar o limite' para você?"
Resposta: Acho que não vale tudo, ultrapassar limites na minha opinião é invadir o espaço de outros autores, desrespeitar seus grupos, diminuir suas histórias em busca de ganhar espaço.

Pergunta: “Qual é a importância de valorizar e investir nos autores brasileiros?”
Resposta: São tantos e tão bons autores brasileiros, primeiro sinto muito preconceito entre leitores que buscam autores internacionais e não valorizam o trabalho de gente muito boa que temos aqui.  Quanto mais autores brasileiros em evidência, mas espaço para novos autores e mais chances de mudar a opinião da maioria sobre o trabalho dos brasileiros.

Pergunta: “Na hora de analisar o próprio material você prefere fazer isso sozinho(a) ou confia em outro profissional para essa avaliação? Beta readers, colaboradores, revisores críticos são importantes para a produção do material?”
Resposta: Não tenho problemas em aceitar conselhos e mesmo críticas, apesar da tendência natural de defender meu trabalho, acho importante uma opinião externa e de preferência de alguém que não tenha nenhum compromisso em ser generoso, tudo que pode ajudar a melhor o trabalho é bem-vindo.

Pergunta: “Estudo e leitura são consideradas duas das melhores maneiras de melhorar a escrita. Qual é a sua relação com a leitura? Quais são os cinco livros fundamentais na sua vida?”
Resposta: Antes de tudo, sou uma leitora compulsiva, talvez isso, desde a infância me criou a vontade de escrever.
Cinco livros? Vou magoar muitos autores queridos. Listas são sempre um problema para mim, elas mudam de acordo com o meu olhar sobre o mundo. Vamos a luta de hoje.
Dom Quixote – Miguel de Cervantes
Orgulho e preconceito – Jane Austen
A saga Harry Potter – J.K. Rowling
Moby Dick – Herman Melville
The Outsiders – Susan E. Hinton


Pergunta: “Quais são seus escritores favoritos? Por quê?”
Resposta: J.K. Roeling, Machado de Assis, José Saramago. Apesar de narrativas diferentes, eles tem em comum a qualidade de nos fazer mergulhar no universo descrito e nos fazer sentir parte da história.

Pergunta: “Qual a obra – livro, roteiro de cinema, peça de teatro, novela – você gostaria de ter escrito?”

Resposta: Harry Potter, sem dúvidas, um universo mágico, completo nos mínimos detalhes, mas não ficaria triste de ter nascido Jorge Lucas e ter escrito o roteiro de Star Wars.

Obrigada pelo tempo, Mônica. Nós do Conchego estamos sempre à disposição para conversas, dicas, novidades. A casa é sua.

Para maiores informações sobre a autora, acesse o site da Mônica.

Devaneios da Bel: Uma Estranha em Casa – Shari Lapena



Título:  Uma Estranha em Casa
Título original: A stranger in the house
Páginas: 266
Autor(a): Shari Lapena
Tradução: Márcio El-Jaick
Editora: Record
Ano: 2018
Gênero: Thriller, Romance Estrangeiro, Suspense

Sinopse Record: Karen Krupp acorda no hospital, sem ter a menor ideia de como foi parar nele. Tom, seu marido, diz que a porta estava destrancada quando ele entrou em casa, as luzes acesas, e que a esposa provavelmente saiu às pressas quando estava preparando o jantar, pelo que ele viu na cozinha. Karen perdeu o controle do carro enquanto dirigia a toda a velocidade e bateu de frente num poste. O mais estranho: o acidente aconteceu num dos bairros mais perigosos da cidade. A polícia suspeita de que Karen esteja envolvida em algo obscuro, mas Tom tem certeza de que não. Ele está casado com ela há dois anos, conhece muito bem a mulher. Será mesmo? Vai perguntar tudo a Karen quando chegar ao hospital, depois de dizer que a ama e que está feliz por ela ter sobrevivido, é claro. Mas Tom não obtém resposta nenhuma. Porque ela não se lembra de absolutamente nada.

Não conhecia essa autora, uma canadense que era advogada e professora de inglês, tornou-se escritora enveredando pelo gênero de suspense policial.
Ainda não li o livro de estreia dela, mas esse, Uma Estranha em Casa, é de tirar o fôlego e de dar raiva, mas vamos por partes.
O livro começa com uma mulher correndo, desesperada, para fora de um local mal iluminado, na parte mais barra pesada da cidade. O medo não diminui, por isso ela entra no carro e dirige o mais rápido que pode para longe do local. A velocidade e a falta de atenção são tantas que ela acaba causando um grave acidente, em que ela é a única vítima, ficando gravemente ferida, com uma severa perda de memória.
Ao acordar no hospital, reconhece o marido, sabe por alto quem é, mas não se lembra de muito mais coisas além disso. Até que a polícia, investigando o acidente, descobre que ela é a principal suspeita de um crime.
Chega da história.


O mais fora da curva na narrativa de Shari – talvez por termos uma advogada narrando e usando seu conhecimento das leis – é que o crime e a punição são explicados, o criminoso é identificado, mas nada disso importa, porque o criminoso é mais esperto do que polícia, do que os outros personagens. Sem contar que o criminoso tem uma ajuda inesperada.
Não precisaria nem mesmo tomar tanto cuidado em não dar spoiler, porque a autora deixa claro desde o início o crime, a vítima e o criminoso, mas quero a satisfação de ver cada um de vocês passando pela mesma raiva que eu.
O português – para uma revisora – está muito bom. Tem sempre um ou outro errinho, mas nada que vá comprometer a compreensão do enredo, aliás, para quem não é chato e não dorme com duas gramáticas, o livro está perfeito.
A condução da trama não é de perder o fôlego, mas é muito boa, os personagens estão dentro do esperado, em cada passo da trama. Incluindo a stalker/hater/maluca do outro lado da rua.
Leiam e me digam se gostaram tanto quanto eu.
Avaliação? Cinco estrelas, claro.

Séries da Mari: O Alienista



Olá pessoal, 

Assim como a Daya, essa semana resolvi trazer para vocês uma resenha de série. O ano é 1890, a cidade é Nova York.

Em uma época em que a ideia da existência de um serial killer era completamente alienígena à sociedade, as pessoas com problemas psicológicos, psiquiátricos ou qualquer “desvio” do padrão da sociedade eram consideradas “alienadas” (aqui indo desde uma simples depressão, até distúrbios da personalidade e psicopáticas) e aqueles que estudavam seus comportamentos eram chamados de “Os alienistas” (os futuros psicólogos e psiquiatras), um indivíduo inicia uma série de assassinatos brutais de jovens meninos imigrantes.

Todas as vítimas possuíam ainda mais uma similaridade: devido à pobreza extrema, prostituíam-se, vestindo-se e imitando meninas para atraírem seus clientes.

Cantinho da Daya: Perdidos no Espaço




Sábado (dia 05/05/18), a tarde, estava em casa com o meu filho e decidimos assistir a série Perdidos no Espaço. Eu achava que não prenderia a atenção do meu filho, pois ele só tem seis anos e prefere mais desenhos animados. Entretanto, fui surpreendida. Conseguimos  assistir dois episódios seguidos e sempre curiosos para saber como seria o próximo. Só não continuamos assistindo no mesmo dia, pois tínhamos outro compromisso.

No dia seguinte, fui surpreendida mais uma vez! Meu filho acordou cedo e assistiu sozinho dois episódios. E eu como fiquei nessa? rsrs Acabei assistindo a noite quando ele dormiu. Como são 10 episódios, com aproximadamente 50 minutos cada, nessa primeira temporada, assistimos um pouquinho a cada noite e ontem finalizamos. 

Devaneios da Bel: Depois da Tempestade – Travis Mulhauser




Título: Depois da Tempestade
Título original: Snow Girl
Páginas: 256
Autor(a): Travis Mulhauser
Tradução: Fabiana Colasanti
Editora: Fábrica231 (Rocco)
Ano: 2018
Gênero: Ficção – Romance/Novela, Suspense

Sinopse Rocco: O inverno castiga uma pequena cidade do norte de Michigan. Uma garota de apenas 16 anos, Percy James, procura pela mãe desaparecida. Viciada em metanfetamina, foi vista pela última vez na casa de um traficante. Uma forte nevasca se aproxima, e ao invadir a casa para tentar resgatar a mãe, a garota encontra apenas um cão morto e um bebê, enquanto o perigoso negociante de drogas (Shelton Potter) dorme na sala com sua namorada depois de mais uma dose. Esse é o tom de Depois da tempestade, romance de estreia do norte-americano Travis Mulhauser.
Percy leva a pequena Jenna (o nome do bebê estava gravado no berço), que morria de frio, para a casa de um conhecido, Portis Dale, para limpá-la e alimentá-la. O traficante acorda, não encontra a criança e começa a tentar descobrir o que pode ter acontecido em uma situação tão improvável. Pela pouca distância entre as casas e as marcas deixadas por Percy na neve, os dois temem o momento em que ele vai descobrir de fato onde está o bebê e aparecer para resolver a situação. O cachorro de Portis late sem parar, parecendo pressentir o pior.
O ritmo do romance é um capítulo à parte. Travis Mulhauser parece não desperdiçar uma só palavra e narra tudo como uma avalanche, que vai ficando mais densa com o desenrolar da caçada de Shelton Potter para descobrir o que aconteceu com o bebê desaparecido. O livro alterna os pontos de vista de Percy, em primeira pessoa, e o de Shelton, em terceira.
Mistura de Inverno da Alma e Breaking Bad, o livro conjuga a luta de uma jovem pelo acolhimento familiar em um ambiente perigoso de drogas e pessoas pouco confiáveis. Percy James é uma personagem forte, que enfrenta sem medo os perigos reais que se apresentam e seus fantasmas mais pessoais.

Livro de estreia do norte-americano Travis Mulhauser nasceu com um potencial cinematográfico acima da média. Claro que o tema e o gênero ajudam muito, um thriller, que engloba o psicológico, o físico e emocional – mais do leitor do que dos personagens.
Travis criou uma heroína diferente, uma menina de 16 anos, órfã de pai, com uma mãe viciada e tendo como referência paterna ou melhor, como referência de adulto responsável, um ex-namorado da mãe.
Pouco antes de uma grande nevasca Percy James, nossa pequena heroína, sai pela cidade procurando sua mãe. A caça a leva até a casa de Shelton Potter, um dos traficantes de sua mãe. O que ela encontra é de cortar o coração. Enquanto Shelton dorme na sala, com a namorada, completamente chapados, em um quarto um bebê está morrendo congelado.
Continuar a caçada pela mãe ou salvar um bebê?
Percy retira Jenna – provável nome da bebê, já que era isso que estava gravado no berço – e a leva para a casa de Portis Dale, um homem que ela vê como adulto responsável e que poderia ajudá-la a tentar salvar aquele bebê, limpar, alimentar, aquecer, e com isso dar uma chance de sobrevida para a pequena.
Claro que Percy poderia apenas fechar a janela por onde entrava o frio e a neve, mas em um dos cômodos da casa ela encontrou um cachorro morto – de frio, maus-tratos e fome – e a situação da própria Percy, ela mesmo uma menor abandonada, não permitia que simplesmente virasse as costas para alguém mais indefeso na mesma situação.
Quando Shelton “acorda” e se dá conta de que a bebê não está mais na casa a vida de Percy e Portis passa a correr perigo, porque o traficante é um homem violento, do tipo que mata primeiro e não pergunta nada depois.
O clima de tensão é crescente, o medo – da solidão, abandono, frio, fome – permeia toda a narrativa do escritor. Mais do que medo das atitudes de Shelton o que incomoda no livro é o frio. O autor cresceu em um dos estados que considerado mais frio dos Estados Unidos e ele descreve o congelamento, o frio, as sensações que ele provoca no corpo e na alma com propriedade. Em alguns momentos é possível sentir o gelo se desprendendo das páginas e envolvendo o leitor.
Além da capacidade narrativa de Travis um grande atrativo para a leitura é a construção de Percy, uma personagem feminina – que mesmo sendo muito nova – é uma fortaleza. Ela não espera o príncipe encantado aparecer para a salvar. Aliás, ela não sabe nada sobre príncipes encantados. Dentro de sua ingenuidade e inocência Percy acredita que ao salvar Jenna será capaz de salvar a si mesma.
Acho apenas que a força do título em inglês deveria ter sido mantida na tradução: Sweet Girl – Doce Menina.
Doce Percy.
Doce Jenna.
Doce esperança de um futuro menos solitário, frio e sombrio.